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“Lênin vive! Lênin viverá!”

Há 138 anos, no dia 22 de abril, nasceu Vladimir Ilicht Ulianov, Lênin, líder da mais importante revolução já realizada na história da humanidade, a revolução socialista russa, e fundador da União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS).

Para festejar o aniversário de Lênin e homenagear o herói da classe operária mundial, uma imensa multidão, em sua grande maioria jovens, se fez presente no último dia 22 de abril na Praça Vermelha, em Moscou, onde se encontra seu mausoléu. A presença da juventude na manifestação não é à toa. Os jovens são hoje as principais vítimas do retorno do capitalismo nesse país.

Em homenagem a Lênin e à sua vida dedicada à libertação da humanidade, A VERDADE publica o artigo Lênin, organizador e chefe do Partido Comunista da Rússia, publicado no Pravda por ocasião do 50 ° aniversário do nascimento de Lênin.

Lênin, organizador e chefe do Partido Comunista da Rússia

Há dois grupos de marxistas. Ambos atuam sob a bandeira do marxismo e se crêem marxistas “autênticos”. Não obstante, estão longe de ser idênticos. Mais ainda: separa-os um abismo, pois seus métodos de trabalho são diametralmente opostos.

O primeiro desses grupos limita-se, habitualmente, a aceitar formalmente o marxismo, a reconhecê-lo convencionalmente. Não sabendo ou não querendo penetrar na essência do marxismo, não sabendo ou não querendo traduzi-lo em fatos, transforma as teses vivas e revolucionárias do marxismo em fórmulas mortas e vazias. Baseia suas atividades não na experiência, não nos ensinamentos do trabalho prático, mas em citações de Marx. Deduz suas instruções e diretivas não da análise da realidade viva, mas de analogias e paralelos históricos. A divergência entre as palavras e os atos é a principal enfermidade desse grupo. Daí as decepções e o eterno descontentamento com o destino, que a todo o momento lhe prega boas peças a o deixa “de cara à banda”. Esse grupo se chama menchevismo (na Rússia) e oportunismo (na Europa). No congresso de Londres, o camarada Tyczko (Jogiches) definiu com muita acuidade esse grupo, quando disse que ele não sustentava o ponto-de-vista marxista, antes “jazia” sobre o mesmo.

O segundo grupo, pelo contrário concede primordial importância não à aceitação formal do marxismo e, sim, à sua aplicação, à sua transformação em realidade. Concentra sobretudo sua atenção determinação, em conformidade com a situação, dos caminhos e meios de realização do marxismo e na modificação desses caminhos e meios quando a situação se transforma. Deduz suas instruções e diretivas não de analogias e paralelos históricos, mas do estudo das condições. Baseia suas atividades não em citações e máximas, mas na experiência prática, verificando experimentalmente cada um dos seus passos, aprendendo com seus erros e ensinando os outros a construir a vida nova. Daí, precisamente, que não haja divergência entre palavras e fatos nas atividades desse grupo e que os ensinamentos de Marx conservem plenamente, entre eles, sua força revolucionária viva. A esse grupo podem ser perfeitamente aplicadas as palavras de Marx, segundo as quais os marxistas não se podem contentar com interpretar o mundo; devem ir mais adiante e transformá-lo. Esse grupo se chama bolchevismo, comunismo. O organizador e chefe desse grupo é V.I.Lênin.

A formação do Partido proletário na Rússia processou-se em condições particulares, diferentes das existentes no Ocidente na ocasião em que se organizara ali o Partido operário. Enquanto no Ocidente – na França, na Alemanha – o Partido operário nasceu dos sindicatos, nas condições de uma revolução burguesa já feita, com os sindicatos e os partidos tendo existência legal, com o parlamento burguês funcionando, com a burguesia – que ascendera ao poder – defrontando-se frente a frente  com o proletariado, na Rússia, pelo contrário, formou-se o Partido do proletariado nas condições do mais feroz absolutismo, na expectativa da revolução democrático-burguesa, num momento em que, de um lado, fervilhavam nas organizações do partido os elementos burgueses “marxistas-legais”, ansiosos por utilizar a classe operária para a revolução burguesa, e de outro lado, estavam os policiais  do tzar arrebatando ao partido seus melhores militantes, num momento em que o ascenso do movimento revolucionário espontâneo impunha a existência de um firme, combativo e unido núcleo de revolucionários, suficientemente conspirativo, capaz de dirigir o movimento para a derrubada do absolutismo.

Tratava-se de separar o joio do trigo, de desfazer-se dos elementos estranhos, de organizar por todo o país quadros de revolucionários experimentados, de traçar-lhes um programa claro, uma tática e construir uma combativa organização de revolucionários profissionais, suficientemente conspirativa para poder resistis às investidas dos policiais e, ao mesmo tempo, suficientemente ligada às massas para levá-la à luta no momento preciso.

Os mencheviques, aqueles indivíduos que “jazem” sobre o ponto-de-vista marxista, resolviam o problema de modo simples: Uma vez que o Partido operário nascera, no Ocidente, dos sindicatos apartidários, que lutavam pela melhoria da situação econômica da classe operária, também na Rússia se deveria proceder tanto quanto possível, assim; quer dizer, era suficiente para o momento “a luta econômica dos operários contra os patrões e o governo” no âmbito local, não deveria ser criada nenhuma organização combativa para toda a Rússia, e mais tarde…bem, mais tarde se nesse ínterim não surgissem os sindicatos, convocar-se-ia um congresso operário não-partidário em que seria proclamado o Partido.
Mal se davam conta, naquela época, os mencheviques – e talvez até um bom número de bolcheviques – de que esse “plano marxista”, embora utópico nas condições da Rússia, acarretava um vasto trabalho de agitação, destinado a rebaixar a própria idéia do partido, a destruir os seus quadros, a deixar o proletariado privado de seu Partido e a entregar a classe operária à vontade dos liberais.

Lênin prestou um imenso serviço ao proletariado russo e a seu partido, ao revelar todo o perigo do “plano” de organização dos mencheviques, quando esse “plano” ainda estava em germe, quando seus próprios autores ainda não percebiam claramente seus contornos e, após ter revelado o perigo, ao desencadear violento ataque contra o relaxamento dos mencheviques em matéria de organização, concentrando sobre este problema a atenção de todos os militantes dedicados à atividade prática. Foi um grande serviço porque era a própria existência do Partido que estava em jogo; tratava-se de questão de vida ou morte para o Partido.

O plano que Lênin desenvolveu em seus célebres livros: Que fazer? e Um passo adiante, dois passos atrás, foi o de criar um jornal político destinado a toda a Rússia como centro de reunião das forças do Partido, organizar nas localidades os quadros firmes como “formação regulares” do partido, reunir esses quadros por meio do jornal e agrupá-los através de toda Rússia num Partido combativo, com limites nitidamente marcados, possuidor de um programa claro, de uma tática firme e de uma vontade única. Esse plano tinha o mérito de corresponder por completo à realidade russa e de generalizar magistralmente a experiência de organização dos melhores militantes dedicados ao trabalho prático. Na luta por esse plano a maioria dos militantes russos seguiu decididamente Lênin, sem recuar ante a perspectiva de uma cisão. A vitória desse plano lançou as bases deste fortemente unido e temperado Partido Comunista, sem igual no mundo.

Nossos camaradas (e não apenas os mencheviques!) acusavam frequentemente Lênin de ter excessiva inclinação pela polêmica e a cisão, de manter uma luta intransigente contra os conciliadores, etc. Por vezes foi realmente assim. Não é difícil, porém compreender que nosso Partido não teria podido acabar com a debilidade e a desarticulação internas, nem adquirir a força e o vigor que lhe são próprios, se não tivesse alijado de seu seio os elementos não proletários e oportunistas. Na época do domínio da burguesia, o Partido do proletariado só pode crescer e fortalecer-se na medida em que leve a cabo, no seu seio e entre a classe operária a luta contra os elementos oportunistas, hostis à revolução e ao Partido. Lassale tinha razão quando dizia: “o Partido fortalece-se depurando-se”. Os acusadores citavam habitualmente o Partido alemão, no qual florescia então a “unidade”. Mas, em primeiro lugar, nem toda unidade é sinal de força e, em segundo lugar, basta voltar os olhos para o antigo Partido alemão, dilacerado hoje em três partidos, para compreender quanto havia de falso e fictício na “unidade” entre Scheidemann e Noske, de um lado, e Liebknecht e Luxemburgo, do outro. Quem sabe se não teria sido melhor para o proletariado alemão que os elementos revolucionários do Partido alemão se tivessem separado a tempo dos elementos anti-revolucionários… Não, Lênin tinha mil vezes razão ao conduzir o Partido pelo caminho da luta intransigente contra os elementos hostis ao Partido e à revolução. Pois foi somente em virtude dessa política de organização que nosso Partido pode criar essa unidade interna e essa surpreendente coesão que lhe permitiram incólume da crise de julho sob o governo Kerenski, agüentar o impacto da insurreição de outubro, atravessar sem qualquer abalo a crise do período de Brest-Litovsk, organizar a vitória sobre a “Entente” e , por fim, conseguir essa flexibilidade sem paralelo que lhe permite, a qualquer momento, reagrupar suas fileiras e concentrar centenas de milhares de seus membros numa grande tarefa determinada sem causar confusão em seu seio.

Pravda (A Verdade), nº 86.
23 de abril de 1920. 

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