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Enrique Cirules, escritor e militante comunista de Cuba

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Um dos mais importantes escritores contemporâneos de Cuba, com largo prestígio internacional, Enrique Cirules, nascido no ano de 1938, na cidade de Nuevitas, no estado de Camaguey, faleceu no dia 18 de dezembro de 2016, em Havana. Ainda jovem, Cirules vinculou-se às atividades culturais da Casa de Cultura de Nuevitas, sua cidade natal, e nela trabalhou organizando seus seminários e debates culturais, políticos e literários. Encantou-se de tal maneira com a cultura, a literatura e as ideias revolucionárias que passou a escrever quase cotidianamente artigos e contos para vários jornais locais.

Sua sensibilidade e talento para descrever a vida dos operários, dos pescadores, suas aspirações pela justiça social e o seu transcendente trabalho de investigação sobre o narcotráfico internacional da máfia estadunidense em Cuba e da cumplicidade do Estado delinquente sob governo de Fugêncio Batista, advêm da sua rica experiência e arguto observador, desde quando trabalhava como operário portuário em Havana, no período pré-revolucionário.

Como fruto de sua cuidadosa investigação, nasceu um dos seus mais importantes livros, O Império de Havana, que recebeu o Prêmio Casa de las Américas, em 1973, e o Prêmio da Crítica Literária, publicado em vários idiomas do mundo e no Brasil, em 1995, traduzido pelo escritor Emir Sader e publicado pela editora Scritta.

Nenhum outro escritor investigou tão profundamente a relação entre o crime organizado nos EUA e o Estado de Cuba, o envolvimento político contrarrevolucionário da temível figura de Meyer Lansky, judeu russo-estadunidense, cérebro financeiro dos negócios do narcotráfico no continente nos anos 1940 e 1950, a cabeça pensante da máfia retratado no filme o poderoso Chefão, plagiado da clássica obra de Cirules.

A Vida secreta de Meyer Lansky em Havana, Conversação com o último norte-americano, Hemingway em La Cayería de Romano, Santa Clara Santa, Os perseguidos, A outra guerra, Estranha chuva na tormenta, A saga de glória city, entre outros livros seus, destacaram-se como sucesso literário em Cuba e no exterior, com tradução para o russo, inglês, francês, alemão e português.

Como professor de espanhol e história, lecionou por vários anos na Faculdade Operária Camponesa Jesús Menéndez, adjunta da Universidade Central de Las Villas (Santa Clara) contribuiu com a formação de novas gerações de trabalhadores cubanos conscientes, de vanguarda e internacionalistas.

Foi diretor da famosa revista cubana Revolução e Cultura (1971-1973) e membro do Conselho de Redação do tabloide literário El Caimán Barbudo.

Enrique Cirules está entre os mais significativos ensaístas, contistas e romancistas da terra de Martí e Fidel. Um homem de verdade, um artista culto e simples, como é o seu povo, um comunista fiel e consequente com a sua opção ideológica de dedicar toda sua vida à causa da libertação da humanidade trabalhadora da escravidão do capital.

Enrique Cirules foi esposo da historiadora e integrante da Associação dos Combatentes de Sierra Maetra, Merceditas Sánches Dotres, e, juntos, estiveram no Brasil de março a abril de 1998, atendendo ao convite do Centro Cultural Manoel Lisboa, para o lançamento inédito do livro de Merceditas: Che en Sierra Maestra – Depoimento inédito de uma guerrilheira, editado pelas Edições Manoel Lisboa. Os atos de lançamento do livro (esgotado) se iniciavam com uma palestra de Merceditas sobre a guerra de guerrilhas em Sierra Maestra e o triunfo da Revolução Cubana, em 1º de janeiro de 1959. Já Cirules palestrava sobre a variada temática de suas obras, como a vida de Ernest Remingway em Cuba a titânica e a luta contra o criminoso bloqueio imperialista dos EUA.

As cinzas do escritor Enrique Cirules descansam nas águas do mar de Camaguey após serem veladas por seus amigos e camaradas na sede da União de Escritores e Artistas de Cuba da sua cidade natal, rodeadas de oferendas florais em nome de Abel Prieto, Ministro da Cultura de Cuba, Miguel Bernet, presidente da UNEAC, do Comitê Provincial do Partido Comunista de Cuba, da Assembleia Provincial do Poder Popular e da Secretaria de Cultura Local.

Cirules nos deixou inesquecíveis lições de simplicidade, sabedoria e o fantástico exemplo de grande argumentador como conferencista, escritor e pensador revolucionário latino-americano. A profundidade, a estética e o nível de compromisso com a emancipação do homem presentes nas suas obras asseguram, com toda certeza, a sua imortalidade, agora, e sempre!

Edival Nunes Cajá, presidente do Centro Cultural Manoel Lisboa, ex-preso político e membro do Comitê Central do Partido Comunista Revolucionário (PCR)

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