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Governo Jatene sucateia escolas técnicas no Pará

No Pará, o governo de Simão Jatene tem sucateado cruelmente a educação, fazendo ataques sem a menor piedade e, além dos trabalhadores, quem tem sofrido diariamente com esse sucateamento são os filhos dos trabalhadores, que não tem dinheiro para pagar fortunas às escolas privadas, sendo obrigados a aturar o descaso que há na rede estadual de ensino.
No ano passado o governo Jatene proibiu os professores de ultrapassarem 200h aula, aumentando assim o déficit de professores da rede estadual, pois se ultrapassam esse limite é porque o governo do estado não tem professores em número suficiente para todas as turmas. Os professores lecionavam em inúmeras turmas para que os estudantes não ficassem sem aula, para que, dessa forma, ele pudesse contratar docentes temporários para dificultar a organização de greves e paralisações, com o temor da perda do emprego.
Depois de reduzir a carga horária dos professores, foi a vez dos alunos. No início do ano passado, o governo Jatene quis reduzir a matriz curricular dos estudantes em determinadas matérias, aumentado o tempo das aulas e os deixando até depois do almoço, na escola, sem conceder alimentação. Jatene quis aumentar o período de aula, de 45 minutos para 1 hora, deixando os estudantes com uma aula para filosofia, uma para sociologia, uma para geografia e, e assim por diante, sendo antipedagógico, fazendo com que os estudantes tivessem três ou quatro aulas diretas de uma mesma matéria (português, matemática, física. As matérias que não teriam sua carga horária reduzida). Felizmente os estudantes não permitiram e, mobilizados pela FENET e pela UESB, foram às ruas dizer não a mais um ataque desmedido do governo tucano.
Escolas Tecnológicas são as mais penalizadas.
As Escolas Estaduais Tecnológicas do Pará – EETEPA – e os estudantes são os que mais sofrem com esses ataques. Os problemas são os mais variados, desde insegurança, falta de prédio próprio, falta de merenda, falta de laboratórios, falta de professores, falta de infraestrutura, até diretores autoritários, falta de repasse de verbas por parte do governo do estado, e etc.
O Colégio de Ensino Profissional Integrado Francisco da Silva Nunes – CIFSN – sofre diariamente com os assaltos. Somente em 2017 foram sete, sendo que, depois do sexto assalto, os estudantes fizeram um glorioso ato, fechando o cruzamento da Av. Pedro Álvares Cabral com a Av. Tavares Bastos, e depois o cruzamento da Av. Almirante Barroso e Av. Tavares Bastos, dois pontos de extrema importância para Belém, pois fazem a ligação Icoaraci – Centro, ou seja, ligam os dois extremos da capital paraense.
Contudo, os problemas da escola não param por aí, pois os estudantes do curso de Meio-Ambiente não têm um laboratório sequer. Os estudantes de Enfermagem, Podologia e Nutrição até tem uma sala com umas cadeiras e uns esqueletos pela metade que a SEDUC chama de laboratório, essas salas (vulgo laboratórios) são as únicas com ar-condicionado. Além disso, a falta de merenda é periódica, e várias vezes os estudantes chegaram a ficar semanas sem aulas por falta de água.
Na EETEPA – CACAU, região periférica da capital paraense, é comum acharem cobras às margens do rio que passa, quase que literalmente, colado na escola. O mato é da altura dos prédios da instituição, só existe um bebedouro acabado, praticamente destruído, e a água sai com gosto de ferrugem. Nem preciso citar, mais uma vez, a insegurança, não é? O medo de ficar na parada de ônibus, que fica na frente da escola, é constante. Os estudantes também são obrigados a aturar infiltrações, falta de materiais técnicos, como computadores, ausência de materiais de desenho, falta de verba para a manutenção das centrais de ar e a falta de materiais bem básicos para a merenda, como sal.
A EETEPA – Anísio Teixeira, escola de “referência” da SEDUC (coincidentemente uma das únicas escolas que teve reforma recentemente, não está num prédio do governo, mas num prédio privado, diga-se de passagem), e a FAETEC, no Rio de Janeiro, eram as únicas escolas do país a oferecer o curso técnico de teatro, mas, pela falta de infraestrutura na escola de referência do governo Jatene, o curso foi ofertado apenas um ano, sendo suspenso logo em seguida.
Os estudantes da “escola de referência” do Governo Estadual também têm outros montantes de problemas, como a falta de uma quadra poliesportiva para a educação física. Por conta disso, os estudantes costumam fazer em uma área aberta, literalmente fritando no sol paraense de 37 °C. Também falta água periodicamente, por conta disso os estudantes passam dias sem aula, ausência de merenda, para variar, e assim como em quase todas as escolas da rede estadual, os professores fazem coleta para os estudantes não passarem o dia com fome, mas ultimamente não tem conseguido fazer isso pelos baixíssimos salários (lembrando que o governo Jatene não paga o piso desde o início do ano, e já anunciou que não pagará o piso em 2017), e a insegurança ataca novamente, pois já houveram vários e vários casos de estudantes que foram assaltados na porta da escola.
Na Escola Tecnológica Magalhães Barata – ETEMB – não é muito diferente, pois os estudantes sofrem, novamente, com insegurança, falta de água periodicamente e salas com cadeiras e computadores do século passado, que nem ligam mais de tão velhos, e que a SEDUC insiste em chamar de laboratórios. Também sofre com falta de merenda e estrutura escolas como a EETEPA – Juscelino Kubitschek, localizada em Marituba, todavia os estudantes são muito mais penalizados, pois o Governo Jatene teve a cara de pau de fazê-la uma escola de tempo integral sem, nem ao menos, dar aos estudantes condições de tomarem banho.
Evasão nas EETEPA’s é cruel e fatal!
Todos os anos o governo estadual comemora o alto índice de concorrentes ao processo seletivo das EETEPA’s, mas não cita os mais de 20.000 jovens que ficaram sem conseguir uma das 7.620 vagas que foram ofertadas esse ano, lembrando que apenas 7.620 vagas são ofertadas, mas não é por isso que todas são preenchidas, pois não é raro o caso de turmas que não fecham o quantitativo de 40 alunos para fechar as vagas da turma, por isso muitos alunos acabam por não fazer o curso desejado, mesmo tendo passado, e recorrem à outros cursos ou a rede regular de ensino.
O governo Jatene também ignora dois pontos primordiais:
A) Com o aumento do desemprego, aumenta também a busca por uma qualificação profissional, e as escolas tecnológicas tem sido essa alternativa.
B) A evasão escolar, especialmente crescente nas EETEPA’s; E os seus motivos.
O governo Jatene ignora completamente que em 2016, 27.780 pessoas se inscreveram para o processo seletivo da EETEPA, em 2015 foram 20.295, mas nesse ano apenas 7.620 vagas foram ofertadas, e em 2015, 6.440 vagas, ou seja, enquanto o aumento de inscritos foi de 7.485, o aumento de vagas foi de apenas 1.189, tendo um média de 3,6 estudantes disputando cada vaga. O pior foi ver a empatia das mídias burguesas, que ao invés de divulgarem A Verdade sobre esses números catastróficos, “comemorou” que o ENEM foi utilizado como critério avaliativo na modalidade subsequente. Lembrando que em 2014 o quantitativo de vagas foi diminuído, mesmo com as construções das escolas de Vigia de Nazaré (no nordeste) e Oriximiná (no oeste).
O governo estadual também ignora completamente os altíssimos índices de evasão escolar e os seus motivos, pois não é nem um pouco difícil encontrar “turmas” de quarto ano com apenas 10, 5 ou até mesmo 2 estudantes. Às vezes, até mesmo no 3º ano, já é comum a evasão e a primeira coisa que os professores falam é que as turmas começam com 30, 40, 50 alunos e fecham com os índices citados acima.
Deve ser ressaltado que essa evasão acontece em toda a rede de ensino nos três âmbitos, Municipal, Federal e Estadual, todavia são mais acentuadas nas EETEPA’s. Os motivos são imensos e incontáveis, vão desde falta de condições materiais até as dificuldades no ambiente familiar. A maioria das escolas estão localizadas em locais isolados e longe das periferias, por conta disso os estudantes são obrigados a acordar 4, 5, 6 horas da manhã para atravessar a cidade e, em vários casos, pegar dois ônibus, tendo como efeito o cansaço, o qual influencia em notas baixa, e a alta tarifa urbana resulta em estudantes pegando apenas um ônibus, descendo longe da escola e caminhando até o local por falta de dinheiro para pegar o segundo ônibus, e com a insegurança os assaltos acontecem e há casos de estudantes que não vão mais a escola, pois tiveram as carteirinhas de meia-passagem roubadas e precisam, além de pagar R$ 31,00 pela segunda via, esperar um mês até tê-la disponível.
O mandato popular de Edmilson Rodrigues proporcionou um grande avanço para a capital paraense, pois ele propôs o decreto-lei da meia-passagem, quando era da ALEPA. Todavia, as atuais gestões neoliberais dos prefeitos da região metropolitana, Pioneiro (PSDB) e Zenaldo (PSDB), este que, inclusive, está sendo cassado, têm se negado a discutir o passe-livre estudantil para estudantes e desempregados.
O governo do Jatene também se nega a dar assistência estudantil para os estudantes da rede técnica, ignorando que existem apenas 18 instituições que oferecem o ensino técnico, lembrando que algumas dessas escolas são divididas, ou seja, ofertam o curso técnico e o ensino médio regular, e por isso o governo estadual hesita em realizar investimos, pois seu objetivo é sucatear cada vez mais a rede básica de ensino, fechando escolas e superlotando salas.
Além disso, há outros gastos para os estudantes do ensino técnico, como as coletas para os materiais e as atividades técnicas, dificultando ainda mais a vida dos estudantes, que, em não poucos casos, veem as drogas e o tráfico como alternativa para terem o que comer.
Colégio Estadual Pedro Amazonas Pedroso: Resistência e LUTA!
No dia 11/05, os alunos do Colégio Estadual Pedro Amazonas Pedroso realizaram um ato contra a precarização da escola, e pretendem continuar o movimento até terem uma resposta concreta da SEDUC. A escola é uma da que mais aprova no ENEM e faz valer seu histórico de lutas. O antigo Grêmio do CEPAP foi o único do estado que conseguiu barrar o fim do convênio, e hoje os alunos honram esse histórico de lutas. A escola sofre com a falta de merenda, por isso os alunos são obrigados a pagar fortunas todos os meses para as padarias e lanchonetes próximas a escola. A bomba de água quebrou, portanto, além da falta de água, os banheiros estavam uma imundice, pois não tinha água para lava-los, as centrais de ar estavam às traças, apenas algumas funcionando, e a diretora só foi vista pelos alunos no dia dos atos.
Como vimos, no sistema capitalista até mesmo a educação é tratada com mercadoria e utilizada para fazer a juventude reproduzir meros valores mercadológicos, são sucateadas, mas que a juventude, na sua vontade imensa de uma vida digna, uma educação de qualidade e de ter, minimamente, água na sua escola não se cansa de lutar.
Enquanto essa exploradora sociedade persistir, existirá também esse sucateamento das escolas, por isso devemos lutar pela total derrocada do sistema capitalista, e lutar por uma educação publica, gratuita, laica e socialmente referenciada!

Israel Souza, diretor da UESB e estudante do Colégio Estadual Pedro Amazonas Pedroso

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