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Porto Alegre grita: SOCORRO!


Marchezan Júnior não ama Porto Alegre, como dizia na campanha, mas a odeia. É uma afirmação forte, sim. No fundo essa é a verdade por trás de suas ações. O prefeito tucano abomina empresas públicas. Antes mesmo de assumir o cargo, já bradava contra a Companhia Carris Porto Alegrense (única empresa pública de transporte da cidade). Ele quer privatizar tudo que puder. Dizem que ao invés de dar bom dia, ao chegar à prefeitura, para arquitetar contra o povo trabalhador da cidade, ele diz: “Viva a Privatização!”, claro que com outras palavras. É um escândalo esse “gerente empresarial”.
É um “João Dória Júnior” piorado. Um sem votos, pois perdeu a eleição para os brancos e nulos. Uma nulidade administrativa. Porto Alegre vai de mal a pior. Cidade à deriva, sem rumo. Quando chove, tudo alaga, visto que o prefeito Júnior destruiu o Departamento de Esgotos Pluviais – DEP de tal forma, que nem o mínimo consegue fazer para drenar e bombear a água das chuvas das vias públicas. Nos dias 1º e 2 de junho, a cidade estava literalmente afogada, diversos pontos alagados, centenas de famílias perderam suas mobílias e a comida do mês.
É um fanfarrão na mídia: sorri, mostra os dentes com postura cordial. Engana bem quem não conhece suas práticas políticas. Porém, na caneta gestora, só assina nomeação de CCs, apadrinhados políticos. Um falso moralista, amigo de Aécio Neves (o senador afastado por ter metido a mão na grana pública, o corrupto rei do PSDB nacional), fala em qualificação do setor público, mas, ao invés de nomear concursados, enche a prefeitura de cabos eleitorais de sua base aliada e de consultorias incubadas por Aécio em Minas Gerais.
Os excluídos de toda a ordem, os sem teto, sem emprego, sem comida estão jogados a própria sorte pelo governo municipal. Marchezan tem ojeriza ao povo pobre, pois faz de tudo para desmantelar as políticas públicas que atendem os menos favorecidos. Está sucateando a assistência social de forma ímpar. Nunca, na história da cidade, centros de referência deixaram de atender a população por falta de RH. Em 02-06-2017, o prefeito demitiu 110 contratados: 11 advogados, 56 técnicos (assistentes sociais e psicólogos) e 43 educadores sociais, deixando 31 centros de assistência social a ver navios. Isso sem se comprometer com a nomeação de concursados. É uma tragédia, cujo objetivo final é a higienização social: o encerramento de convênios; serviços sendo interrompidos por falta de RH; desmantelamento das estruturas e mecanismos municipais que permitiam a chegada dos recursos federais aos usuários da rede de assistência social.
O futuro dos mais pobres da cidade está nas mãos do prefeito. Mas a cidadania organizada pode arrancar o comprometimento estatal com a vida humana nas periferias. Nomear os servidores que faltam à FASC é imprescindível. A política de assistência social é uma conquista constitucional do povo brasileiro. Marchezan não pode ficar inerte, administrando a cidade apenas para os mais ricos. As pessoas estão desempregadas, têm fome, sede e passam frio. A desumanidade dos gestores deve ser combatida pelo povo trabalhador. Direitos, por mais que estejam garantidos na legislação, devem ser cobrados pela voz coletiva nas ruas.
A educação em Porto Alegre também é atacada. O governo municipal impôs às comunidades escolares rotinas que não auxiliam na consecução do direito à educação. Pelo contrário, diminuíram em meia hora o tempo de aula semanal. Além disso, não quis estabelecer nenhuma forma de diálogo com os sujeitos reais da educação: alunos, professores, pais e funcionários, pois obrigou as escolas a cumprirem apenas 4 horas diárias de aula, senão procederia com sanções administrativas às equipes diretivas. Abriu sindicâncias para coagir os movimentos de protesto, que desde 21 de fevereiro acontecem por toda a cidade, com caminhadas, assembleias, piquetes e fechamentos de escolas pelas comunidades, que clamam por diálogo. Democracia é uma palavra ausente do vocabulário de Júnior.
Afora isso, o município afunda em violência. Em 2016, por exemplo, Porto Alegre aumentou o número de homicídios e latrocínios em impressionantes 27,7% (778) em relação ao ano anterior, bateu recorde, e este ano está pior, pois, só em janeiro, o aumento foi de 18,4%, registrando 45 assassinatos. O governo só discursa e nada faz.
Na prefeitura de Fortunati (prefeito anterior) havia 111 CCs no gabinete. No Governo Marchezan há 106. Enquanto isso faltam mais de 400 professores nas escolas. Alunos das escolas EMEEF Eliseu Paglioli e EMEF São Pedro chegam a ser dispensados três vezes por semana devido à falta de professores. Mais uma vez é só pose e discurso. Para os amigos partidários, ele oferece cargos, já os filhos dos trabalhadores da periferia ficam sem professores. É uma tragédia, várias escolas estão sem aulas de português e matemática desde o início do ano. A falta de segurança nas escolas também é crítica. Alunos se jogando no chão para se proteger das balas perdidas nos conflitos entre facções, que disputam as regiões. Salas de aula vazias, abandonadas às pressas, essa é a realidade. O prefeito não se importa com os cidadãos, além de não garantir segurança ele deixa as crianças porto-alegrenses sem aulas.
Isso tudo é o resultado do acirramento da luta de classes na capital dos gaúchos. O PSDB atua na prefeitura para dilapidar o patrimônio público, bloquear o acesso às políticas públicas e desmantelar o Estado. O governo representa, na prática, os interesses dos capitalistas. As palavras de ordem desse governo são: privatização, assédio moral, arrocho salarial e higienização social. Esperamos que a classe trabalhadora dessa cidade sobreviva a estes 4 anos do Governo Júnior. Talvez antes, os trabalhadores levantem coletivamente para dar uma resposta a esse falso prefeito, que mais parece um serviçal das empreiteiras e do grande empresariado.

Jonas Tarcísio Reis é doutorando em educação e Diretor Geral do Sindicato dos Municipários de Porto Alegre – SIMPA.

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