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Neonazista atropela multidão e assassina manifestante antirracista em Charlottesville, nos EUA

Um motorista, dirigindo um carro cinza, atropelou 35 manifestantes que participavam de uma passeata em Charlottesville, estado da Virgínia (Leste dos EUA), contra o racismo e o fascimo, na tarde do sábado (12/08). Paralelamente, um bando ligado a grupos de extrema-direita, entre eles o neonazista Ku Klux Klan, realizavam um ato contra o projeto da prefeitura da cidade de retirada de uma estátua do general confederado Robert Lee, defensor da continuidade da escravidão durante a Guerra Civil. O governador do estado, Terry McAuliffe, declarou que “as numerosas pessoas esperadas em Charlottesville querem expressar ideias consideradas por muitos, inclusive por mim, desprezíveis”.

O motorista, foragido, é ligado a grupos defensores da “supremacia branca”, os quais perpetuam ódio e violência contra negros, homossexuais, judeus e latinos. A marcha neonazista à cidade foi organizada por grupos extremistas de várias partes do país, os quais foram recebidos sob fortes críticas da população local. O aplicativo de aluguel de apartamentos “Airbnb” cancelou diversas contas de pessoas ligadas ao grupo por “considerar que seus princípios de hospedagem independem de origens étnicas”.

O estado da Virgínia, vizinho do Distrito de Colúmbia, onde está a capital do país, Washington, vem realizando diversas ações visando uma profunda reparação histórica em relação à defesa da escravidão, principalmente devido o caráter central que o estado assumiu, durante a Guerra Civil, a favor da Confederação. Em 1954, fruto da luta popular, a Suprema Corte dos EUA declara inconstitucional o sistema de segregação nas escolas entre brancos e negros, fortalecendo a histórica campanha pelos direitos civis da década de 1950-60. Em 1989, Lawrence Douglas Wilder tornou-se o primeiro afro-americano a ser eleito governador estadual em toda a história dos Estados Unidos.

Durante a passeata das milícias neonazistas, diversos membros portavam fuzis semiautomáticos nos ombros, o que é permitido por lei no estado, incluindo seguidores do movimento direitista Al-Right, que apoiou o fascista Donald Trump à eleição presidencial. Após o atropelamento, os manifestantes antifascistas e antirracistas, que também se mobilizaram à cidade, denunciaram o crime cometido contra dezenas de manifestantes, publicando um vídeo que mostra o momento da agressão (acessar https://www.youtube.com/watch?v=7ncva7_haSo). Esse é mais um crime de ódio que ocorre no país, somado aos inúmeros assassinatos de jovens negros pela polícia racista de vários estados.

Novas manifestações antirracistas e antifascistas estão sendo convocadas, e a luta vai continuar até que bandos criminosos ligados a direita nacionalista sejam punidos e extintos do país. O governador do estado decretou estado de emergência após o atropelamento.

Matheus Nascimento, estudante da UFPA e militante da UJR

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