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1929: o ano da grande transformação

Quando se fala no ano de 1929, a primeira imagem que vem à mente para grande maioria das pessoas é a da maior crise do sistema capitalista: a chamada Grande Depressão. Iniciado em outubro deste ano, o “crash” (quebra) da bolsa de valores de Nova Iorque assolou a economia do ascendente centro do mundo capitalista, os Estados Unidos da América.

Como principal causa dessa crise, aponta-se, de maneira geral, a superprodução, tanto dos produtos agrícolas quanto de bens de consumo – estimulada pela euforia dos “Loucos Anos 20”, em que se vendia o American Way of Life e criavam-se, a todo tempo, bens de consumo de forma desordenada. Era o auge do liberalismo, em que se acreditava que o mercado se autorregulava, com a defesa ferrenha do livre mercado e da livre concorrência, sem nenhuma interferência estatal na economia. Assim, a produção descontrolada começou a ultrapassar o poder de consumo das pessoas, que decrescia cada vez mais. Isso gerou um excedente nos estoques, o que provocava baixa dos preços e desvalorização das empresas. O grande crash ocorre quando as ações das empresas caem e ninguém mais as compra – cerca de 12 milhões de ações foram colocadas à venda, mas não havia compradores o suficiente.

As consequências disso tudo foram desastrosas. Os empresários, sem investimento e muitas vezes falidos, passam a demitir os trabalhadores em massa: o desemprego, em 1932, alcançou 25% da população economicamente ativa. A superprodução de alimentos e a queda de seus preços empobreceu os fazendeiros e camponeses. Uma onda de pobreza assolou a população estadunidense, levando a um número sem igual de suicídios no país. Os bancos, que haviam feito empréstimos às empresas, não recebem retorno, e nove mil pequenos bancos também declaram falência – principalmente com os preços dos imóveis despencando. Com a diminuição das importações estadunidenses em 70%, a crise dos EUA se espalha pelo mundo capitalista.

É o grande sinal da derrocada do liberalismo.

Enquanto isso, na União das Repúblicas Socialistas Soviéticas, a situação era bem diferente. Em 1929 deu-se a aprovação do Plano Quinquenal pelo Partido Comunista Bolchevique da URSS. A função desse grandioso plano era desenvolver a técnica moderna dentro da indústria e da agricultura nos moldes socialistas. Diferentemente da situação liberal nos países capitalistas, aqui se vê uma grande preocupação do Estado Socialista em organizar, planejar e desenvolver a economia. E o resultado disso foi fantástico.

Foram construídas centrais elétricas, fábricas dos mais diversos tipos – de locomotivas, de maquinaria, metalúrgicas, de automóveis, de tratores –, novas minas e altos fornos. Nessas construções, o entusiasmo dos operários e camponeses na emulação socialista fez com que se batessem os recordes mundiais da produtividade do trabalho.

Nos fins de 1929, mesma época em que os EUA conheciam sua pior crise, o desenvolvimento do movimento kolkosiano atingiu um ritmo jamais visto. Em 1928, a superfície semeada dos kolkoses (fazendas coletivas sob a forma de cooperativa dos camponeses) era de 1.390.000 de hectares; em 1929, 4.262.000 de hectares; em 1930, era possível planificar o cultivo de 15 milhões de hectares! Sobre o ano de 1929, o camarada Stálin escreveu um artigo chamado “O ano da grande transformação”, no qual exaltava o ritmo impetuoso do desenvolvimento dos kolkoses.

A incrível força criadora dos trabalhadores contrasta com a força destrutora da ideologia burguesa. Fica evidente esse contraste ao se perceber que, enquanto a URSS, graças à resolução acertada de seu Partido e ao empenho do proletariado e dos camponeses, atingia êxitos extraordinários de desenvolvimento tanto industrial quanto agrícola, os países capitalistas, graças à sua fé no liberalismo, tropeçavam em sua maior crise, que atingia o setor industrial e estendia-se para o setor agrícola, espalhando-se mundialmente.

Enquanto a indústria da URSS, de 1930 a 1933, mais que dobrou (em 1933, cresceu 201% em relação a 1929), nos EUA, a queda foi de 65%, na Inglaterra de 86%, na Alemanha de 66% e na França de 77%. “Essa circunstância vinha a demonstrar, mais uma vez, a superioridade do sistema da economia socialista. Evidenciava que o país do socialismo é o único país do mundo que está livre de crises econômicas” (História do Partido Comunista Bolchevique da URSS).

Aos países capitalistas são comuns as crises periódicas e cada vez mais avassaladoras, consequências da desordem da sua produção, que se organiza não em torno do bem-estar das pessoas, mas em torno do lucro de poucos. Portanto, é essencial que cada vez mais se denuncie a decadência desse sistema, e que se empreendam todos os esforços na luta pelo único sistema justo e livre de crises, o socialismo. É essencial que se propaguem os triunfos que a economia socialista pode alcançar em contraposição aos desastres, cada vez mais comuns, do sistema capitalista.

Letícia Teixeira, Belo Horizonte

Fontes:

VAINFAS, R.; FARIA, S. et al. História 3. 2 ed. São Paulo: Saraiva, 2013.

História do Partido Comunista Bolchevique da URSS. Pernambuco: Edições Centro Cultural Manoel Lisboa.

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