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Tragédia de Mariana completa dois anos de impunidade

Neste 5 de novembro, lembramos o triste dia do maior crime ambiental de nosso país e um dos maiores do mundo. Nesta data, a barragem de Fundão, no município mineiro de Mariana, se rompeu despejando cerca de 40 milhões de m³ de rejeitos de minério no meio ambiente, causando um verdadeiro tsunami de lama destruindo tudo que estivesse na sua frente.

Com o rompimento da barragem, 19 pessoas perderam a vida, o município de Bento Rodrigues, localizado próximo da barragem, foi totalmente destruído e o Rio Doce contaminado. Passados dois anos, os responsáveis por tal crime continuam impunes.

As 225 famílias que viviam em Bento Rodrigues até hoje aguardam a construção de um novo vilarejo prometido pela mineradora Samarco. Atualmente, elas vivem em hotéis ou pensões da região e recebem uma ajuda de custo como forma de indenização. Hoje, a incerteza e dor dominam os antigos moradores do vilarejo, conforme triste relato do seu Expedito Lucas da Silva, 47 anos: “Na mente, ainda consegue rever um tempo em que a população era unida, como uma família. Todos que morreram em Bento eu conhecia. A Emanuely (de 5 anos), que estudava com minha menina. Todos eram conhecidos, eu ia na casa deles. É muito forte”, conta.

Rio Doce virou grande depósito de lama

Há dois anos, cerca de 40 milhões de m³ de lama chegaram ao leito de um dos rios mais importantes da região sudeste, responsável pelo abastecimento de água de várias cidades. Esse “mar de lama” chegou até a foz do Rio Doce, na cidade de Regência (ES), deixando um rastro de destruição e morte com milhares de peixes mortos e água imprópria para o consumo tanto humano quanto na agricultura.

De acordo com estudos recentes, foi constatada a presença do dobro de ferro, quatro vezes mais alumínio e três vezes mais manganês do que havia no local antes da chegada da lama de rejeitos. Diante disso, uma coisa é certa: não há previsão de quanto tempo será necessário para que o rio volte ao seu estado anterior. Alguns especialistas calculam centenas de anos para isso.

Justiça burguesa omissa diante dos responsáveis

Ao todo, 21 pessoas foram responsabilizadas pelo rompimento da barragem, entre elas estão, Ricardo Vescovi de Aragão, diretor-presidente licenciado, Kléber Terra, diretor-geral de operações, Germano Lopes, gerente-geral de projetos, entre outros. Todos os acusados tinham conhecimento de que haviam problemas estruturais nas barragens e mesmo assim não tomaram nenhuma providência para evitar o pior. Recentemente, a Justiça Federal suspendeu ação criminal que tornou os representantes das empresas culpados pelas mortes em Mariana, alegando irregularidades nas investigações.

É um absurdo que passados dois anos nenhum representante das grandes empresas tenha sido preso ou ao menos processado. Isso demonstra como a justiça em nosso país escolhe a quem defender, neste caso, ela prefere livrar os donos de grandes mineradoras da cadeia.

Capitalismo ameaça sobrevivência do homem

O rompimento da barragem de Fundão causou danos irreparáveis à milhares de famílias e ao meio ambiente, tudo em nome da exploração máxima dos recursos naturais. Mas cabe o alerta de que em Minas Gerais ainda existem 14 barragens com risco de rompimento. Essa situação se deve ao fato de não existir no estado lei que obrigue ou impeça mineradoras em situação de risco de pararem suas operações. Visto que quem deveria criar tais leis são deputados que recebem fabulosas doações de campanha dessas empresas para evitarem a aprovação de tais projetos.

Para um punhado de empresários é mais importante a obtenção do lucro a qualquer custo do que a prevenção de acidentes que colocam a vida de centenas de pessoas em risco. Essa é, talvez a face mais cruel do capitalismo.

Neste dia resta-nos o sentimento de revolta e dor pela vida daqueles que se foram.

Guilherme Amorim, professor de História e militante da Unidade Popular (UP)

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