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Relato de Natanielle: moradora da Ocupação Lanceiros Negros

No dia 14 de junho de 2017, após a primeira reintegração violenta da Brigada Militar do Estado do Rio Grande do Sul, sob a permissão do Governador José Ivo Sartori, começou-se uma saga de violações de direitos dos moradores da Ocupação Lanceiros Negros. Mulheres, homens, indígenas, negros, crianças, idosos, todos trabalhadores na mira de um Estado repressor e fascista que possui uma única política pública: a criminalização e o genocídio da classe trabalhadora.

Desde a primeira reintegração nós, moradores da Lanceiros, viemos perdendo o pouco que conseguimos comprar com o trabalho da venda de artesanatos, ou com uma diária de uma faxina: móveis, roupas, bens pessoais que para muitos não teriam nenhum valor, mas para que dá o seu suor todos os dias, sol a sol, chuva a chuva , tem muita importância.

Durante os seis meses fora do prédio que nos abrigava, agora fechado se mantendo útil para a especulação imobiliária no centro de Porto Alegre, nossos móveis lá estavam. Móveis, livros e utensílios que nos proibiram de tirar no dia 14 de julho.

Não bastasse tentarem nos humilhar e intimidar o tempo todo durante a reintegração, agora nessa última semana, o Estado demonstrou mais um descaso com o povo trabalhador: Camas, armários, utensílios que eram úteis para as famílias, tudo que as famílias conseguiram em meses de trabalho, o Estado burguês conseguiu destruir em uma dia.

Representantes da Casa Civil entregaram, através de uma ordem judicial incitada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e favelas, todos os móveis das famílias, porém com muitos estragos. Os móveis estavam quebrados e muitas coisas simplesmente sumiram dentro dos depósitos do Estado.

“A cama da minha filha de seis anos toda quebrada, o roupeiro da minha filha quebrado… E ainda tá faltando muita coisa que não veio, porque o que veio mesmo não presta. Eles querem destruir a vida da gente, querem destruir o pouco que a gente tem. Isso é um desaforo, comigo e com o resto da população” (Relato de outra moradora da Ocupação que trabalha como diarista).

Esse é um dos exemplos da maldade, do ódio que a burguesia sente contra a classe trabalhadora que resolve se organizar elo seu direito à moradia digna! É assim que a nossa “República Democrática” lida com quem é a maioria e quem constrói a riqueza do país: com açoite e humilhação. Quando Temer anuncia no seu governo: NÃO PENSE, TRABALHE!, só retoma o que a burguesia quer da classe trabalhadora, seu sangue e suor para que eles se mantenham com privilégios e no poder.

Portanto, companheiros é dever de todos nós lutar pelo poder popular, por uma democracia que valha para a maioria e não para uma casta parasita, e é só com  unidade popular e com o socialismo que vamos avançar para uma sociedade justa. E então, como disse nosso camarada Ernesto Che Guevara quando tomou o poder das mãos de Fulgencio Batista, “Nesse dia poderemos comemorar a data do nascimento da verdadeira república politicamente livre e soberana, que coloca para a lei suprema a dignidade do homem”.

Natanielle Almada – Lanceira Negra e militante do MLB

 

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