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SINDLIMP e MLC fazem greve na limpeza urbana

Passa ano e entra ano e a exploração dos patrões em relação aos trabalhadores só aumenta. Um exemplo é o que vem acontecendo em Caruaru, município localizado a 135 km do Recife. Há meses, cerca de 600 garis que trabalham diariamente recebiam os salários atrasados, além de terem as férias vencidas. O mais indignante é que a empresa responsável, a Locar Engenharia Ambiental, teve a cara de pau de afirmar que tinha feito um acordo com o Ministério Público do Trabalho (MPT) para mudar a data de pagamento para o 15º dia útil do mês (“para não atrasar mais”). Ora, a CLT coloca em seu artigo 459 que os salários devem ser pagos até o 5º dia útil, além do que também não configura questão da reforma trabalhista, uma vez que não foi feito nenhum acordo com os trabalhadores.

O resultado disso era mais precarização nas condições de trabalho e consequentemente nas condições de vida dos trabalhadores, terminando por desencadear mais dificuldades, uma vez que, sem salário, o trabalhador não se alimenta e se endivida mais.

Diante destes fatos, cerca de 100 trabalhadores dos setores mais importantes em Caruaru, como o da Feira de Caruaru, o setor do Bairro do Salgado (mais populoso de Caruaru, onde moram 80 mil pessoas), e o setor Parque 18 de Maio, formado em sua maioria por mulheres que coletam e varrem o lixo da cidade, fazendo sol ou chuva e no horário da noite ou de madrugada, resolveram se organizar para lutar por seus direitos.

Enrolação

Os principais responsáveis por todo esse descaso: a empresa Locar Engenharia Ambiental e a Prefeitura Municipal de Caruaru (PSDB). O fato é que isso mexeu com a cidade e levou os trabalhadores a se organizarem em torno do Sindlimp/Caruaru e do Movimento Luta de Classes (MLC).

Assim, no dia 11 de janeiro, os trabalhadores decretaram greve, reunindo-se em diversas assembleias para que as decisões fossem tomadas coletivamente. Em um dado momento, o gerente da Locar chegou a dizer que o salário estava na conta dos trabalhadores e que estes podiam voltar a trabalhar. Mas os trabalhadores em assembleia aprovaram que não voltariam ao trabalho e que, se os patrões quisessem a cidade limpa, eles, os donos da empresa e a Prefeitura, pegassem a vassoura, a pá e fossem varrer e apanhar o lixo.

Diante da determinação dos trabalhadores, os patrões recuaram e pagaram os salários atrasados, demonstrando que a classe trabalhadora organizada é como uma fortaleza. Para todos ficou o aprendizado que só por meio da organização e da luta é que poderemos derrotar os patrões e consequentemente esse sistema opressor, de fome, que tira a dignidade e agrava as condições de vida dos que trabalham.

Ao final do dia, os salários atrasados foram pagos e a Locar, mais uma vez, foi notificada pelo MPT.  A cada dia que passa mais trabalhadores se associam ao Sindlimp, comparecem às reuniões e ingressam no MLC, além de ajudarem no dia a dia com a campanha nacional da Unidade Popular (UP), o partido da “boa política”, segundo os trabalhadores. Assim, os companheiros e companheiras da limpeza urbana aumentaram a coleta nos bairros populares e em seus locais de trabalho.

Redação Caruaru

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