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Mulheres trabalhadoras se organizam para lutar

No último dia 21 de outubro, o Movimento Luta de Classes (MLC), em conjunto com o Movimento de Mulheres Olga Benario e a Casa de Referência da Mulher Tina Martins, realizou o 2º Encontro de Mulheres Trabalhadoras de Minas Gerais. A mesa “Os direitos das trabalhadoras e a luta antifascista” foi composta por Alda Santos, sindicalista, presidenta do SindiMetro-MG por dois mandatos, atualmente tesoureira do sindicato; Cristina Del Papa, sindicalista, Coordenadora Geral do SindIfes por três mandatos; Karina Estefânia, coordenadora estadual do Movimento de Luta em Bairros, Vilas e Favelas (MLB); Indira Xavier, coordenadora nacional do Movimento de Mulheres Olga Benario; Helena Nara, sindicalista, servidora pública e da coordenação estadual do Movimento Luta de Classes (MLC).

O encontro contou com a presença de mulheres que estão ligadas tanto ao trabalho formal quanto ao informal, que desenvolvem atividades dentro e fora de casa, assim como desempregadas e outras que ainda estão ingressando no mercado de trabalho. A discussão das mulheres trabalhadoras iniciou destacando a profundidade da crise e do crescimento do fascismo no Brasil, figurado hoje pela candidatura de Jair Bolsonaro, que pretende precarizar cada vez mais a vida das mulheres. Um ataque aos nossos direitos que já vem acontecendo desde as reformas propostas pelo Governo Temer e foi intensificado pela aprovação da PEC dos Gastos (Emenda Constitucional 95).

O caminho possível para as mulheres trabalhadoras é a busca pela organização, a luta incessante por direitos e garantia de conquistas. Essa tem sido a marca das lutas feministas ao longo do contexto histórico. As Casas Tina Martins e Irmãs Mirabal são exemplos de uma conquista, porque, além da possibilidade de acolhimento de mulheres em situações de vulnerabilidade, vêm buscando assegurar e instruí-las sobre seus direitos: direito ao voto (sufrágio universal) e ao de reconhecer a importância de ocupar mais espaços na sociedade. Outro exemplo são as ocupações do MLB, onde a maioria das pessoas que lutam são mulheres, mães e/ou solteiras, que fazem valer a luta pelo direito de moradia, assegurado constitucionalmente, como realidade. Isso acontece concomitante ao exercício da dupla/tripla jornada de trabalho. Ou seja, conquistas como essas são demonstrações da força da luta e proporcionam o verdadeiro empoderamento, pois garante mais autonomia e mais força para a mulher.

Durante o Encontro, foi questionada a participação de mais mulheres nos espaços de luta, como sindicatos e movimentos. Por consenso, concordamos que muitas mulheres abandonam as lutas para cuidar de seu próprio lar ou mesmo por esgotamento de uma jornada árdua, ou pelas constantes falas de depreciação ao seu trabalho e suas conquistas, o que acabam por influenciar numa menor participação das mulheres nesses espaços. Foi então decidido que é necessário propor mais conselhos de mulheres em que haja organização para mais união feminina e que as mulheres possam continuar e ocupar todos os espaços. A criação de núcleos de discussão nos espaços de trabalho facilita a adesão e a união dessas mulheres na luta e na conscientização de seus direitos. Nesse sentido, cabe ao MLC trabalhar firme nessa direção, organizando e chamando mais mulheres para seus espaços de atuação.

Os sindicatos, instrumentos de luta do trabalhador e da trabalhadora, devem deixar de serem espaços machistas, com minoria feminina, para serem espaços de enfrentamento das condições precárias do trabalho e da desigualdade capitalista e patriarcal. Acreditando que nem tudo está perdido, nossas convidadas representantes diretas de sindicatos com boas ações, discussões sobre o espaço da mulher no trabalho e na aproximação da base de trabalhadores e trabalhadoras, propuseram-se a levar a pauta específica das ocupações de mulheres em situação de violência para os sindicatos dos metroviários e IFEs, além de ajudar na procura de pessoas próximas que pudessem ajudar na reforma da Casa Tina Martins, seja com serviços voluntários ou com a Vakinha Online já existente ou outros.

A realização de um encontro direcionado para mulheres trabalhadoras abre espaço para discutirmos a importância do trabalho para a independência da mulher, seja ela financeira ou social. O encontro favorece também a abertura das insatisfações e frustrações no trabalho e receber acolhimento e fortalecimento da luta e do cuidado da saúde mental; fortalecer a unidade e a organização de todas nós, mulheres trabalhadoras, para que continuemos sendo protagonistas da nossa luta. Para Helena Nara, a realização deste Encontro das Mulheres Trabalhadoras “foi muito importante para estabelecermos um entendimento firme de que a atual conjuntura de retirada dos direitos das mulheres nos relega ao subemprego e à escravidão doméstica. Por outro lado, mostrou que as mulheres estão dispostas a se organizarem coletivamente e a lutarem unidas contra o patriarcado e contra os retrocessos, a fim de emanciparem não apenas nós, mulheres, mas todo o conjunto da classe trabalhadora”.

A viabilização desses encontros é fundamental para assumirmos nosso papel de vanguarda na luta e a importância da união das trabalhadoras para o fim deste sistema capitalista, patriarcal e opressor. Nós, mulheres, que historicamente estamos sendo linha de frente no enfrentamento desta política no Brasil, como foi na queda do corruto Eduardo Cunha, precisamos nos reconhecer na outra e lutarmos juntas. Pois, como já dizia Simone de Beauvoir: “Nunca se esqueça que basta uma crise política econômica ou religiosa para que os direitos das mulheres sejam questionados. Estes direitos não serão permanentes, você terá que manter-se vigilante durante toda sua vida”.

Daniella M. Paína, MLC/MG

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