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24 milhões de brasileiros estão sem médicos

Após serem ameaçados de expulsão pelo presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL), os 8.553 profissionais cubanos do Programa Mais Médicos, que atuavam nas regiões mais pobres e necessitadas do Brasil, retornaram a Cuba por determinação do Ministério da Saúde Pública da ilha. O fim da cooperação entre Cuba e o governo brasileiro, provocado pela política de ódio do fascista Bolsonaro, prejudicará milhões de brasileiros pobres em mais de 600 municípios, muitos dos quais só contavam com os médicos cubanos para atender à população.

Dessa forma, populações indígenas, quilombolas, ribeirinhos da Amazônia, moradores do semiárido nordestino e das periferias das grandes e médias cidades do país ficarão sem assistência médica, uma vez que muitos profissionais médicos brasileiros não têm se disposto a trabalhar nessas áreas e com essas populações.

O Mais Médicos foi criado em julho de 2013 por medida provisória transformada em lei em outubro do mesmo ano, logo após as jornadas de junho de 2013, em que milhões de brasileiros se manifestaram pelo Passe Livre nos ônibus e por melhores condições de vida e de trabalho. O programa aumentou o número de cursos e de vagas para estudantes de Medicina, visando a aumentar a oferta de médicos no país, diante da constatação das dificuldades existentes para a colocação de médicos brasileiros nas áreas mais distantes e pobres do Brasil.

Como muitos médicos brasileiros preferiram trabalhar nas grandes cidades e regiões metropolitanas, as vagas disponíveis para as áreas mais afastadas passaram a ser ocupadas pelos profissionais vindos de Cuba, que encaram a medicina não como um negócio, mas como um serviço público.

Apesar da importância que teve para ampliar o atendimento médico à população mais necessitada, o Mais Médicos, desde o início, sofreu forte boicote por parte dos médicos brasileiros, que não aderiram ao programa ou desistiram em massa das vagas que ocuparam. De fato, a Associação Médica Brasileira (AMB), a Federação Nacional dos Médicos (Fenam) e o Conselho Federal de Medicina (CFM) organizaram diversas manifestações contrárias à presença dos médicos cubanos, entraram na Justiça e apelaram até para a Organização Internacional do Trabalho (OIT) para tentar impedir o programa.

Menos médicos e mais mortes

O principal argumento que levantavam contra os médicos cubanos era que eles não possuíam a qualificação necessária para atender à população devido às diferenças na formação médica no Brasil e em Cuba. Entretanto, segundo o próprio Ministério da Saúde, em seis anos de cooperação, nenhum registro de erro médico foi feito contra os profissionais cubanos que atuavam no Brasil. Ao contrário, os médicos cubanos ficaram conhecidos por serem mais solidários, atenciosos e gentis com os pacientes do que a maioria dos médicos brasileiros.

A presença desses profissionais em nosso território, aliás, não é nova. Em 1988, vários médicos vindos de Cuba trabalharam no Tocantins após o governo estadual ter firmado uma parceria com o governo cubano para oferecer atendimento médico nas regiões onde não se conseguia profissionais brasileiros.

Agora, com o fim, na prática, do Mais Médicos e sem profissionais que atendam à população mais pobre, mais de 24 milhões de brasileiros ficarão sem assistência médica. Quantas mortes e doenças curáveis voltarão a acontecer devido à ausência de médicos? Com certeza não serão os mais ricos os principais prejudicados, mas os trabalhadores e suas famílias, que não possuem condições financeiras de pagar por um tratamento em instituições privadas e engrossarão as filas do SUS e os corredores dos hospitais e postos de saúde à espera de um médico.

Paulo Henrique de Almeida Rodrigues e Luana Nunes da Silva, Rio de Janeiro

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