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Rompimento da barragem em Brumadinho e três anos de impunidade

No Córrego do Feijão em Minas Gerais, a Barragem IV de rejeitos de minério de ferro da mineradora Vale, detentora de 50% das ações Samarco, rompeu um volume de cerca de um milhão de metros cúbicos na tarde dessa sexta-feira (25), no município de Brumadinho, região Metropolitana de Belo Horizonte. Atualmente já são mais de duzentas pessoas desaparecidas, quatro pessoas feridas e, infelizmente, sete pessoas já vieram a falecer em decorrência da expansão do lamaçal.

Uma hora após o rompimento o corpo de bombeiros informou que os moradores estavam sendo retirados de suas casas e que havia chances de haverem feridos. Trata-se de mais uma tragédia social e natural causada pela voracidade do capitalismo, que na busca por lucro não hesita em negligenciar a vida do povo simples e trabalhador e a preservação de nossas riquezas naturais.

Não podemos esquecer que há três anos, o Estado de Minas Gerais era palco da maior catástrofe ambiental do país: o desastre de Mariana, ocasionado pelo rompimento da Barragem do Fundão, da mineradora Samarco, empresa pertencente à companhia da Vale. Na ocasião, foi noticiada a morte de 19 pessoas e centenas de desabrigados. Os prejuízos foram gigantescos: pavimentação e consequente infertilidade de vastas áreas no raio da barragem, onde nada poderá ser construído devido à grande quantidade de resíduos úmidos que dificilmente secarão por completo; contaminação de diversos rios e afluentes, sobretudo o Rio Doce, completamente contaminado por metais pesados que atingiram, inclusive o Oceano Atlântico, ocasionando a morte de milhares de peixes e microrganismos e o assoreamento e soterramento de nascentes. Estima-se que foram afetados, aproximadamente, 663 km de rios e córregos; 1469 hectares de vegetação e 207 das 251 edificações de Bento Rodrigues.

Para a população esses dados se traduzem na perda do seu local de moradia, perda de bens materiais, perda da fonte de renda das famílias. Em condições de extrema vulnerabilidade, milhares de pessoas viram a casa onde cresceram ser tomada pela lama, e, de um dia para o outro, perderam tudo o que tinham. Até mesmo um recurso tão básico quanto água potável passou a ser escasso. E não só a população de Mariana sofreu as consequências, mas toda população que vivia às margens do Rio Doce, como a tribo indígena Krenak, afetada pela falta de água apropriada para consumo, banho e limpeza de seus objetos.

Apesar de tamanho estrago, o processo criminal para reparação dos danos causados pela Samarco segue sem decisão e a consequência disso é a repetição de outro desastre com características bastante semelhantes. Em ambos os casos, a privatização e os planos agressivos de crescimento mostraram seu poder de destruição para o povo.

Enquanto o lucro estiver acima da vida dos trabalhadores e trabalhadoras, enquanto o governo empenhar uma política de entreguismo de nossas riquezas naturais aos grandes capitalistas e privatização irrestrita de nossas empresas, a vida dos operários e camponeses seguirá servindo como moeda de troca. Toda solidariedade aos atingidos pelo rompimento da barragem de Brumadinho.

Jady Fernanda – UJR

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