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Ocupação em Aparecida de Goiânia por moradia

Sensibilizados com a notícia veiculada na imprensa local, no início de janeiro, sobre uma ocupação urbana que supostamente estaria em reserva pública, estudantes dos cursos de Direito da UFG e PUC, que militam no movimento estudantil e estão organizados na União da Juventude Rebelião, mobilizaram-se para visitar e conhecer a chamada “Ocupação de Serra das Areias”, localizada em Aparecida de Goiânia, Goiás.

No terreno ocupado se encontram mais de 300 famílias vivendo em moradias improvisadas, já que foram impedidas de realizar construção definitiva no local, além de mais 200 famílias cadastradas, que ainda estão em processo de mudança para o local.

A turma de estudantes que visitou os moradores constatou que a ocupação está bem organizada, com uma liderança constituída, demarcações das áreas de cada família e constituição de uma associação, chamada Alto da Boa Vista. Alguns ocupantes fizeram hortas e plantaram mudas em suas áreas. “O clima aqui é de paz”, afirmou Gisele Calado, que está morando ali com seus dois filhos pequenos e dividiu o almoço com seu vizinho.

Os visitantes conversaram com os moradores e constataram que alguns dos chefes de família possuem emprego e salário, porém, diante de aluguéis variando em torno de R$ 500 e um salário mínimo de R$ 998 para sustentar toda uma família, não tiveram outra opção a não ser aderir à ocupação para garantir o seu sustento. Outros estão desempregados e carecem de toda ajuda possível para garantir a sobrevivência. “Trata-se de um movimento legítimo pelo direito constitucional à moradia”, afirmou Luciana Oliveira, estudante de Direito e coordenadora do DCE-UFG que visitou o local.

A Prefeitura já acionou a Associação para garantir a reserva de percentual da área ocupada para ruas e uma praça, conforme determinado pelo plano diretor da cidade, o que sinaliza que a ocupação poderá ser regularizada. Se isso se confirmar, será a realização de um sonho das famílias ali presentes: a ocupação irá se transformar em um bairro como outro qualquer da cidade e os lotes serão garantidos e regularizados.

Ao mesmo tempo em que a direção do movimento afirma sua compreensão de que só com muita luta é possível conquistar uma moradia digna, faz questão de deixar claro para a opinião pública o caráter pacífico e digno da ocupação, afim de evitar que ela tenha o mesmo destino da ocupação do Parque Oeste Industrial, em Goiânia-GO, que, em 2005, foi alvo de um despejo forçado de famílias que não tinham para onde ir. Que tamanha barbárie humana jamais se repita diante de pessoas que só querem um lugar pra viver.

Lídia Barros, militante da Unidade Popular e bacharel em Comunicação Social

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