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Sobre a atual “ajuda humanitária” dos EUA à Venezuela

A Iugoslávia sofreu a primeira experiência de “ajuda humanitária” do Ocidente, nos anos 1990. Sob um falso argumento de genocídio, como agora acusam Maduro de estar matando os venezuelanos de fome, o país foi invadido, bombardeado, esquartejado em seis novos países: Eslovênia, Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro, Sérvia e Macedônia, além de um falso país, Kosovo, não reconhecido por praticamente nenhum outro país do mundo, fora os EUA.

Kosovo, na verdade, é uma invenção para justificar a colocação da maior base militar dos EUA no mundo, Camp Bondsteel. Esta base dá aos norte-americanos a capacidade de intervir militarmente de forma rápida não só em toda a península balcânica, mas no Mar Negro, Cáucaso, região do mar Cáspio e nos países árabes. Ou seja, em grande parte das áreas ricas em petróleo e gás da Eurásia.

Ruanda vivia na mesma época um brutal genocídio e não foi objeto de qualquer “ajuda humanitária”. Curiosamente, o país africano não tem petróleo.

À cantilena atual da “ajuda humanitária” ao povo venezuelano, segue todo tipo de boicote e sanções econômicas à Venezuela que têm dificultado enormemente o funcionamento da sua economia e a vida de seu povo. Esta semana, o Banco da Inglaterra se negou a entregar ao governo de Maduro parte das reservas em ouro da Venezuela que estão depositados no mesmo, piorando ainda mais as dificuldades econômicas daquele país, um roubo e una sabotagem descarados! Ora, se é para ajudar, porque não suspendem as sanções?

Hipocrisia imperialista

Outros países estão em situações muitas vezes piores do que a Venezuela, mas não recebem o mesmo tratamento “humanitário” dos imperialistas. O Congo vive uma das guerras mais longas e brutais da história recente, com centenas de milhares de mortos e refugiados. A Líbia continua destroçada, sem Estado, serviços públicos, com o povo na miséria desde 2011, quando a OTAN bombardeou o país e assassinou o presidente Gadhafi para “proteger o povo líbio”. O Haiti tem sua economia destroçada e seu povo vivendo um verdadeiro desastre humanitário. Os muçulmanos Ronghiyas, de Myanmar, vêm sofrendo brutais perseguições, perdendo suas terras e suas mulheres são sistematicamente estupradas. O Iêmen vive uma terrível agressão por parte da Arábia Saudita, com centenas de milhares de refugiados e mortos. Porque esses povos não são alvo de “ajuda humanitária” por parte dos EUA e demais países tão “interessados” na situação venezuelana?

Toda essa “preocupação” de Donald Trump & Cia. não passa de hipocrisia burguesa. Querem, na verdade, se apossar do petróleo venezuelano que, ao lado do petróleo brasileiro do pré-sal, é uma das últimas fontes que os EUA podem pretender controlar.

Além disso, o que está em jogo é o direito do povo da Venezuela de tentar construir um sistema socialista. Chávez e Maduro, com forte apoio popular e militar, com acertos e erros, vêm lutando para construir um país socialista, com justiça e igualdade para a maioria do povo daquele país. Isso é insuportável para o imperialismo e para os grandes capitalistas. O direito à autodeterminação da Venezuela também é alvo da “ajuda humanitária”.

O mais grave é que o atual governo brasileiro, que vem promovendo o maior retrocesso econômico, ambiental, social e humanitário, posar de “ajudante humanitário” dos EUA. Temos mais de 13 milhões de desempregados, 16 milhões de pessoas vivendo em favelas insalubres e perigosas, centenas de milhares de pessoas vivendo nas ruas em total abandono e vulnerabilidade, populações indígenas e quilombolas agredidas cotidianamente, mas nada disso comove os falsos “humanitários” brasileiros.

O governo Bolsonazi acelera a entrega de nossas empresas e recursos minerais, promove o aumento da violência e da destruição do meio ambiente, estimula na prática o feminicídio e o assassinato da população LGBT, provocando o maior desastre humanitário da nossa história, desde a escravidão e o massacre de Canudos. Mas, um bando de cínicos e a grande mídia dão coro à provocação dos EUA na Venezuela, alguns defendendo a participação do Brasil na aventura. Até onde pode ir a hipocrisia e a desumanidade dessa gente? Até quando a sociedade brasileira vai suportar essa mentira e essas agressões?

Quando os movimentos sociais brasileiros, os partidos de esquerda, os sindicatos vão sair da letargia? Já passaram quatro meses desde as eleições, vamos continuar nocauteados, ou vamos nos levantar? É hora de reagir, de unir as forças democráticas e populares numa grande frente antifascista que dê um basta às atrocidades desse governo.

Paulo Henrique Rodrigues, professor do Instituto de Medicina Social da UERJ e membro da Unidade Popular pelo Socialismo

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