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O Carnaval da Resistência de 2019

Que o Carnaval é uma das maiores festas de nosso país, que ele é marcado pela irreverência e pela criatividade de nosso povo e é um momento de celebração, descontração e alegria coletiva todo mundo sabe.  Todo mundo, menos o atual presidente. Em sua conta no Twitter, com mais de três milhões de seguidores, o milionário Bolsonaro atacou a festa, sugerindo que o Carnaval de rua seria algo menor, depreciativo. O político fez isso por meio de um vídeo, após as inúmeras críticas e xingamentos contra ele e seu governo; criticas essas, aliás, que ganharam as ruas de todo o Brasil durante os quatro dias de folia. Um dia antes o presidente, aparentemente sem ter muita coisa pra fazer, tinha criticado em sua conta na mesma rede social a dupla Daniela Mercury e Caetano Veloso por se oporem a sua ministra da mulher, família e direitos humanos, Damares Alves com a música “Proibido o Carnaval”.

A verdade é que, mesmo com um índice de aprovação de 38%, divulgado recentemente pelo instituto de pesquisa MDA, índice esse considerado positivo pelos especialistas, a situação do corrupto Bolsonaro, eleito enganando o povo e espalhando as mesmas mentiras pelas mesmas redes sociais, o governo tende a se enfraquecer, sobretudo após as denuncias de corrupção envolvendo seus filhos, além do pacote de miséria proposto pelo presidente, que visa aposentar os trabalhadores com um salário de fome reformando a previdência.

             As críticas sociais e a denuncia das injustiças são marcas registradas desse folguedo. Durante a ditadura os foliões ousavam aproveitar a data para denunciar os desmandos do regime, além de mobilizar por meio das marchinhas e dos blocos dos bairros populares para se levantarem contra o regime. Em 2011, a escola União da Ilha da Magia, de Florianópolis, homenageou os 52 anos da Revolução Cubana, com o enredo “Cuba sim! Em nome da verdade”. Essa foi a primeira fez que a ilha foi homenageada no Carnaval, o que resultou inclusive numa premiação para a escola, a de melhor enredo. Em 2018 foi a vez da Paraíso do Tuiuti , do Rio de Janeiro, questionar os 130 anos da libertação dos escravos, colocando na avenida o “vampirão neoliberalista”, critica escancarada ao usurpador Michel temer, postura essa que gerou até ameaças ao professor e ator Leonardo de Moraes, que encarnou o personagem.

            Em 2019 foi a vez das escolas do grupo especial do Rio e de São Paulo protagonizarem uma das edições mais politizadas do Carnaval nesses últimos tempos. Em SP, por exemplo, das 14 escolas que desfilaram, 10 abordavam diretamente temas como combate ao racismo, corrupção, direitos das mulheres e direitos humanos. A Acadêmicos do Tatuapé, por exemplo, apresentou uma bateria formada por 240 ritmistas, todos devidamente caracterizados e com o sugestivo título de “Guerreiros Operários”. A escola também abordou em sua apresentação a libertação e o empoderamento feminino, além de homenagear figuras heróicas como Mandela, Tim Lopes e Vladmir Herzog. A Vai Vai trouxe para o Sambródomo do Anhembi o exemplo e a força de Marielle franco, vereadora do Rio assassinada covardemente em março de 2018. No rio, a força da mensagem da Mangueira foi tão grande que lhe rendeu o prêmio de campeã, com um enredo abordando a luta e a importância para o país dos heróis negros, indígenas e trabalhadores. 

                Inimigo do povo e das manifestações populares, o fascista Bolsonaro fez uma nota oficial se retratando sobre o ocorrido. Claro que não deu certo. A cada dia que passa esse governo demonstra sua fragilidade e sua base de mentiras. Porém, sabemos que não adianta apenas torcer para que esse governo não dê certo. É preciso transformar essa indignação popular e disposição em lutas concretas. A união durante os quatro dias de folia serviram para mostrar o quanto nosso povo é de luta e o quanto nossa cultura serve para resistir e questionar.

Clóvis Maia- Pernambuco

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