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15 de Maio e suas consequências

O ato 15 de maio que mobilizou estudantes, professores e trabalhadores em todos os cantos do país, teve uma enorme importância prática para a esquerda e movimentos sociais que provaram sua força ao convocar grandes manifestações.  A mobilização do dia 15, coloca em xeque a condição de estabilidade, provando a impopularidade do governo Bolsonaro para dar continuidade às pautas da agenda neoliberal do mercado, imposta ao Brasil.

É certo de que Bolsonaro vai cair, não sabemos quando e nem como se dará sua queda, mas sabemos que se não houver mobilizações acompanhadas de greves, radicalização e objetivo claro que vise a tomada do poder pelo trabalhador, cometeremos um erro que será cobrado por setores econômicos hábeis da direita. A prova clara desse fato é o racha que vem ocorrendo em seu governo, onde observamos o crescente conflito entre o setor militar  (representa de forma mais fiel a capacidade de dar continuidade aos interesses econômicos do capital), e, o setor que segue cegamente  o ‘’guru’’ Olavo de Carvalho (também representa o setor neoliberal, a diferença é a competência inexistente e o conservadorismo exacerbado desse grupo). 

Bolsonaro é o produto de um desgaste de velhos nomes e partidos da política brasileira, mesmo que o presidente atual da república estivesse há mais de duas décadas na política empregando sua família, esse fator foi um dos motivadores que deram sua vitória nas urnas. Sua figura surgiu como única candidatura viável durante o segundo turno, tornando-o bucha temporária. Falta de planejamento, incapacidade, erros de dialogo com os diversos setores que compõem o estado burguês, brigas com a mídia tradicional e possíveis aliados tornaram Bolsonaro uma peça descartável na reorganização do capitalismo selvagem. A paralisia de seu governo somada com as medidas econômicas impopulares pelas quais seu governo representa, dão margem para seu afastamento pautado na investigação e escândalos de sua família com milícias; fato verdadeiro de envolvimento, mas o andamento das investigações e sua comprovação só se dará de acordo com os interesses financeiros que mandam no país.  Fazendo uma análise atenciosa sobre o que acontecerá, perceberemos que o enorme ato popular do dia 15, marca o início do fim do governo Bolsonaro, mas não o fim da agenda neoliberal que visa destruir todas as conquistas sociais, porque essas medidas são independentes de um político específico. Por isso, devemos ter a responsabilidade de buscar a radicalização dos próximos atos, construindo rapidamente, junto aos movimentos sociais e partidos dispostos a mobilizar suas bases, desenvolver a consciência revolucionaria em cada estudante, professor e trabalhador. É nosso dever termos isso em mente e anteciparmos brevemente soluções concretas para sermos nós, com o povo, que derrubaremos o débil governo e toda a sua estrutura que sempre esteve montada por detrás de qualquer governo que jogue o jogo burguês democrático. Sem a tomada do poder pelo trabalhador seguida do controle dos meios de produção pelos mesmos, não haverá vitória popular mediante o enorme conflito de classes e acirramento das contradições mais profundas dentro do capitalismo.

Caio Castellucci

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