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SuperVia reduz frota de trens no RJ e gera caos na cidade.

Devido à falha mecânica em 40 trens “novos”, empresa privada põe trens extremamente velhos e sucateados para operar, ocasionando acidentes e prejudicando a vida do trabalhador, mesmo cobrando um preço absurdo de passagem.

Raphael Assis e Leonardo Laurindo

Unidade Popular (UP-RJ)


Foto: Jornal A Verdade

O dia se inicia com uma surpresa desagradável: todos os trabalhadores e trabalhadoras que precisam do trem para chegar ao local de trabalho levarão mais tempo no trajeto.

A SuperVia, empresa privada que tem a concessão do transporte ferroviário no Estado do Rio de Janeiro, anunciou uma falha mecânica em 40 trens comprados entre 2014 e 2016 de uma fabricante chinesa – cerca de 20% da frota. As informações sobre os ramais afetados estão desencontradas, mas indicam que Japeri, Saracuruna, Gramacho, Santa Cruz e Deodoro tenham um aumento absurdo do tempo de intervalo entre as composições. Passageiros relatam até 30 minutos de espera pela manhã. Deodoro, por exemplo, está circulando com trens de 4 vagões em algumas viagens.

A mesma empresa, em outubro desse ano, reduziu o horário de funcionamento do ramal Deodoro. A partir de 21h, os passageiros devem circular pelos ramais Japeri e Santa Cruz, que se tornaram “paradores” mais cedo. Quem mora longe e pega o trem depois das 21h é duplamente afetado.

O que os cariocas querem saber é: por que a passagem sobe todo ano, se a todo instante vemos o nível degradante de sucateamento com que operam os trens sob a gestão privada?

Em fevereiro, um maquinista morreu preso em engrenagens depois de uma acidente nos trilhos. Além dele, vários outros corpos de trabalhadores já foram arrastados pela “Super”Via, a qual hoje pertence a uma empresa privada japonesa (Mitsui) e em parte pela Odebrecht. Hoje mesmo aconteceu mais um acidente: um trem rebocador saiu dos trilhos e causou um estrondo, atingindo um maquinista que ficou ferido.

Ainda assim, no mesmo mês da morte do maquinista, fevereiro, a passagem havia aumentado de R$ 4,20 para R$ 4,60. Potencialmente, um quinto do salário mínimo vai em passagens de trens por mês, considerando ida e volta em 22 dias úteis. E sabemos que, na verdade, muita gente recebe menos que o mínimo… Situação pior que a que levou os trabalhadores do Chile a explodirem em protestos.

Agora, o povo tem que se contentar com as desculpas dos empresários que gerenciam a super via, que está SUPER preocupada com seus SUPER lucros, mesmo que isso custe o conforto e até mesmo a vida de todos nós, que muitas vezes temos que escolher entre comprar a quentinha do dia ou pegar o trem para ir trabalhar!

Isso tudo nos mostra que a empresa deveria, no mínimo, reduzir os preços abusivos das passagens, pelo menos até a situação se normalizar. Além disso, é mais do que urgente que o povo carioca se una para lutar pela estatização completa da SuperVia, pois já está mais do que provado que empresas privadas colocam seus lucros acima do conforto e da vida da classe trabalhadora.

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