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Descaso do poder público causa morte de trabalhadores nas enchentes

O mês de janeiro tem sido de intensas chuvas na região sudeste do país, especialmente em Minas Gerais, onde apenas em janeiro choveu metade do esperado para todo o ano de 2020. Baseado nesse discurso o governador do estado e os prefeitos das cidades atingidas tentam se livrar da culpa e tratar o caso como uma mera fatalidade, um acaso do destino.

Redação Minas Gerais
Jornal A Verdade


Foto: Reprodução

BELO HORIZONTE – Na data da publicação dessa matéria (31/01/2019) 196 cidades já decretaram estado de emergência em Minas Gerais. Estima- se que cerca de 53 mil pessoas estão desabrigadas/desalojadas e 55 pessoas morreram em todo o estado, conforme os dados oficiais da Defesa Civil, porém nem o poder público tem os números reais de vítimas, já que não há espaço para todos os atingidos nos abrigos oficiais.

Toda essa situação evidencia a falta de políticas públicas destinadas a resolver os problemas vividos pelos trabalhadores nas periferias das grandes cidades. As enchentes ocorrem todo o ano nesses locais e nada é feito, nem sequer para minimizar os impactos. Prova disso é que no ano passado estava previsto no orçamento do Governo Federal R$ 306,2 milhões para ações de prevenção a desastres naturais, porém apenas R$ 99 milhões foram gastos no governo de Jair Bolsonaro. O menor valor gasto nos últimos 11 anos.

Os responsáveis pela tragédia atrevem-se a colocar a culpa no próprio povo, a exemplo do governador Romeu Zema que disse em entrevista: “Há áreas que qualquer chuva maior pode causar um deslizamento. Inclusive, muitas das vítimas que tivemos nessa semana foram porque não obedeceram aquilo que foi orientação dos bombeiros e da Defesa Civil.”. O que o governador não disse é que nem estado e nem prefeitura ofereceram a esse povo qualquer estrutura de abrigo, transporte ou alimentação antes do dia 24/01, data em que as chuvas e o número de vítimas fatais aumentaram.

Foto: Reprodução

Após dias de inundações e mortes o Governo Federal anunciou uma verba emergencial de 892 milhões de reais para os estados de Minas Gerais, Espírito Santo e Rio de Janeiro. Valor insuficiente para recuperar as cidades atingidas. Para consertar todo o impacto das chuvas só em Belo Horizonte a prefeitura prevê que será necessário entre R$ 300 e R$ 400 milhões reais, porém, alguns reparos são feitos ano após ano em áreas de enchentes sem que a solução do problema ocorra.

O prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil por sua vez garantiu maquinário e um grande contingente de servidores municipais para limpar e reformar as regiões nobres da cidade. Entretanto, não hesitou em mandar a Polícia Militar para reprimir um ato realizado no domingo (19/01) por moradores da Vila Esperança, que haviam perdido tudo durante uma das inundações que atingiu a região. O ato foi realizado em conjunto com a militância do MLB e da UP. Em todas as cidades atingidas pela chuva, o povo pobre se rebelou contra o descaso do poder público. A seletividade no trato entre ricos e pobres somados a falta de infraestrutura nas periferias foram fatores determinantes para termos as mortes concentradas nas periferias das cidades. Para resolver o problema dos trabalhadores com as enchentes é necessário uma profunda Reforma Urbana, que garanta infraestrutura e moradia digna para o povo e não só para uma meia dúzia de ricos.

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