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Comissão da Verdade comprova relações íntimas do Consulado dos EUA e Fiesp com a Ditadura

Comissão Nacional da VerdadeCom a presença de 250 pessoas, a Comissão da Verdade do Estado de São Paulo Rubens Paiva deu início às audiências públicas, no dia 18 de fevereiro, programadas para o primeiro semestre deste ano. Na ocasião apresentou a investigação que vem fazendo sobre a relação do Consulado dos EUA e da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp) com os órgãos de repressão da Ditadura Militar no Brasil.

A Comissão localizou, no final do ano passado, no Arquivo Público do Estado de São Paulo, onde se encontram os arquivos do Departamento de Ordem Política e Social (Dops), alguns livros de entrada e saída desse órgão nos quais é possível confirmar a presença recorrente de Claris Rowney Halliwell, que foi funcionário do Departamento de Estado dos EUA e cônsul na Capital paulista entre 1970 e 1974, e de Geraldo Resende de Mattos, identificado como representante Fiesp.

Os livros localizados compreendem o período de 1971 a 1979, mas são apenas alguns deles, pois grande parte não foi localizada. Ainda assim, é possível verificar, por exemplo, que, no período de abril a setembro de 1971, o Sr. Halliwell esteve no Dops mais de 40 vezes.

Os horários em que se identifica a presença de Halliwell e Mattos também chamam a atenção. São comumente à noite, fora do período de expediente, e não raramente se omite a hora de saída, o que indica que ambos permaneciam no prédio até depois das 22h, quando não havia mais funcionários para registrar a saída.

Outra informação importante é que a investigação desmente a ideia, bastante disseminada, de que havia certa disputa e pouca coesão entre a Operação Bandeirantes (Oban), o Dops, o Exército e civis, e demonstra que, na verdade, o Dops era um local de articulação entre eles, pois, diversas vezes, representantes de todos os órgãos entravam no prédio no mesmo horário, indicando que provavelmente participariam de uma reunião.

A audiência contou também com depoimentos de militantes operários que atuaram durante a Ditadura, os quais apresentaram documentos, coletados por eles mesmos, que comprovam a cooperação das empresas com os órgãos de repressão e também denunciaram as perseguições e violências sofridas no período.

A relação entre empresários e o imperialismo estadunidense e a repressão no Brasil não é novidade, mas a localização desses documentos constitui uma comprovação importante de que tudo o que a esquerda denunciou é verdadeiro.

A Comissão da Verdade de São Paulo realizará, até o fim de junho deste ano, audiências públicas para coleta de depoimentos e documentos relativos aos 154 casos de mortos e desaparecidos políticos em São Paulo ou paulistas assassinados em outros estados.

Fazer todo esse trabalho de forma pública e transparente é uma linha assumida pela Comissão de São Paulo, formada por militantes (entre eles ex-presos políticos como Amelinha Teles, Ivan Seixas e o próprio presidente da Comissão, deputado petista Adriano Diogo), familiares de assassinados como Thais Barreto e Tatiana Merlino ou jovens que militam em defesa dessa luta porque sabem que ela pertence a todo o nosso povo, como Renan Quinalha, Ricardo Kobayashi e Vivian Mendes, esta última, militante do Partido Comunista Revolucionário.

Por memória, verdade e justiça!

Redação São Paulo

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