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A LGBTfobia e o suicídio precisam ser superados

O tema de saúde mental é ainda pouco discutido, mesmo num país onde mais de 23 milhões de pessoas tem alguma doença que afeta sua saúde mental. Quando se trata de LGBTs esse debate é muitas vezes secundarizado ou simplesmente ignorado, porém precisamos compreender que ao falar de pessoas que sofrem discriminação, objetificação, marginalização e outros processos de embrutecimento e exclusão, esse tema deve ser tratado com muito cuidado, carinho e importância.

Um estudo da Universidade de Columbia (EUA) que contou com a participação de 32.000 participantes concluiu que a chance de uma pessoa LGBT cometer suicídio é 5 vezes maior que um jovem heterossexual. Ainda em outra pesquisa foi descoberto que 3% dos homossexuais e 5% dos bissexuais tentaram cometer suicídio, enquanto 0,4% da população heterossexual, em geral, tentou cometer suicídio. Um em cada dezesseis homossexuais com idade entre 16 e 24 anos tentou tirar a sua vida. 50% afirmam ter sofrido violência por alguém da própria família.

Uma pesquisa realizada pela UFAL em 2013, com 1.600 participantes – sendo 72% homossexuais e 28% bissexuais, 59% do gênero masculino e 41% do feminino – revelou que 78% dos entrevistados tiveram o desejo de “sumir” e 49% de não viver mais, 25% dos entrevistados revelaram ter coragem e/ou vontade de tirar a própria vida.

Segundo o sanitarista e pesquisador em Saúde LGBT pela UFPB, Roberto Maia, em João Pessoa não é muito diferente: a discriminação com pessoas LGBT, o machismo e a homofobia existentes na sociedade fazem a cada dia mais e mais vítimas. “Há alguns anos percebo essa tentativa frequente com alguns amigos que passaram por esse problema. Teve um que me chamou mais atenção, que foi o namorado de um amigo, que a família dele não aceitava a sua sexualidade e o mesmo morava sozinho. Ele só havia namorado esse meu amigo. Depois de um tempo a relação acabou e ele se viu sozinho aqui em João Pessoa e se enforcou no banheiro da casa dele. A família colocou a culpa no meu amigo, pois não admitiram que sempre excluíam o jovem desde que se assumiu gay, ou seja, além do rapaz tirar a própria vida a família, que sempre o excluiu, ao invés de acolher o namorado, o ameaçaram”.

“Acredito que esse machismo e essa negação da sexualidade do outro são fatores determinantes na saúde mental da população LGBT, pois as pessoas que não tem orientação heteronormativa se sentem fora do vínculo familiar e querem de qualquer maneira sair desse desconforto onde as tentativas de suicídio são recorrentes”, concluiu Roberto Maia.

Enquanto vivermos numa sociedade capitalista e patriarcal que se fortalece na exclusão, na segregação e na ignorância, a violência psicológica e física que as pessoas LGBTS vem sofrendo nunca terá uma solução. Enquanto essa sociedade sobreviver, nós morreremos. A juventude LGBT é uma das mais ativas que, em contrapartida, tem suas energias e rebeldia direcionada a uma luta pouco frutífera, se limitando apenas a ter representatividade dentro do capitalismo. Precisamos nos organizar, nos somarmos as outras parcelas oprimidas para não apenas sermos representados ou aceitos pela sociedade, mas para sermos parte ativa de um mundo novo, onde não haja opressão ou exploração, um mundo onde todos são tratados igualmente como seres humanos íntegros e completos.

Luiza Rodrigues, UJR-Recife

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