UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 29 de agosto de 2025

Camarada Lucas Beutel, presente! Hoje e sempre!

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Reproduzimos a nota de pesar produzida pelo Diretório da UP do Distrito Federal sobre o falecimento do camarada Lucas Beutel.


É com profundo pesar que lamentamos o falecimento do estimado companheiro Lucas Beutel, membro dedicado da Unidade Popular no Distrito Federal e atuante no núcleo do Guará e no núcleo LBGT, ocorrido no último mês de maio.

Sua criatividade e dedicação deixaram uma marca poderosa em nossa história. Lembramos com carinho de sua timidez nas brigadas do Jornal A Verdade, das artes que produziu com tanto zelo, das reuniões dos núcleos que participava dentro do carro (seu local de trabalho) e das brincadeiras ao montar a tenda da banca do núcleo do Guará. 

Lucas partiu precocemente, mas deixa em nós um legado de alegria e compromisso com a luta popular. Sua presença marcante nas atividades do núcleo, sempre com um sorriso no rosto, uma piada pronta ou um áudio divertido, permanecerá viva na memória de todas as pessoas que tiveram o privilégio de compartilhar a sua companhia.

A memória do companheiro Lucas, permanecerá viva entre nós. Mais do que suas qualidades pessoais, o que seguirá pulsando é o exemplo de sua dedicação incansável e de sua firmeza ideológica. Em uma das suas últimas conversas, disse com convicção: “O que me mantém vivo para não desistir é acreditar e lutar pelo socialismo.”

Lucas faleceu aos 35 anos, vítima de infarto, conforme consta em seu atestado de óbito expedido pelo IML. No entanto, a causa real de sua morte vai além do diagnóstico clínico. Lucas foi mais uma vítima das condições desumanas impostas pelo sistema capitalista, que oferece à juventude apenas adoecimento, exaustão e precarização.

O companheiro não conseguiu escapar das estatísticas que pesam sobre a população LGBT no Brasil: faleceu jovem e sozinho. Apesar de possuir formação técnica de designer gráfico, somava-se aos jovens que, mesmo qualificados, não conseguem atuar em sua área de formação. Submetido à precarização do trabalho, trabalhava como motorista de aplicativo, sendo explorado por uma empresa que, após sua morte, nada perdeu. Para ela, Lucas era apenas mais um número, simplesmente removido do sistema.

Sua rotina era marcada por jornadas exaustivas: frequentemente trabalhava até uma hora da manhã e retornava às ruas às seis, buscando aproveitar os horários de maior movimento para garantir o mínimo necessário à sua sobrevivência. Essa sobrecarga era resultado da necessidade de pagar o carro alugado, o aluguel da casa e os custos básicos de alimentação, cada vez mais altos. Lucas trabalhava muito mais do que o aceitável, não por escolha, mas por obrigação, como tantos outros jovens que enfrentam a realidade brutal da informalidade.

O excesso de trabalho levou Lucas a desenvolver problemas gástricos. Ao buscar atendimento no sistema público de saúde do Distrito Federal, foi informado de que deveria aguardar cerca de seis meses por uma consulta médica, realidade já denunciada pelo Jornal A Verdade, que vem expondo as práticas da máfia do IGES-DF e do governador Ibaneis Rocha, cujo projeto político é o adoecimento e a morte da população mais vulnerável. Sem acesso ao devido tratamento, a gastrite evoluiu para uma úlcera. Mesmo sentindo dores constantes, não podia parar, pois cada dia sem trabalho significava um dia sem renda. 

O companheiro foi vítima direta da superexploração, caos da saúde do DF, escravidão do aluguel. Morreu jovem, como tantos outros, por não ter acesso aos direitos mais básicos. No entanto, mesmo diante das dores físicas e das dificuldades pessoais, nunca abandonou a militância. 

Lucas partiu com a certeza de que o socialismo é a única alternativa possível frente a este sistema moribundo que oprime, adoece e mata. Somente com a superação do capitalismo seremos capazes de romper com os grilhões que nos aprisionam. E é necessário lembrar: ninguém morre de fome em um país onde há abundância de alimentos; ninguém morre de frio onde há casas vazias; ninguém morre por falta de atendimento médico onde há leitos e profissionais disponíveis, mas só para ricos em hospitais privados. Morre-se, por causa de um sistema que coloca o lucro acima da vida humana. Morre-se pelo capitalismo!

Perdemos a presença física de um companheiro, mas ganhamos mais semente para a revolução! Que a nossa tristeza, ódio e luto se transformem em luta!

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