Mulheres são agredidas pela Guarda Municipal no dia internacional de combate à violência em manifestação
Movimento Olga Benario | (Natal) RN
MULHERES – O dia 25 de novembro é o dia internacional de combate à violência contra as mulheres. A data homenageia as irmãs Mirabal, Pátria, Minerva e María Teresa, que lutaram contra a ditadura na República Dominicana e foram assassinadas brutalmente pelo ditador Rafael Trujillo. Nesse sentido, no dia 25 de novembro, as mulheres no mundo todo se reúnem em manifestações para lutar por seus direitos e pelo fim da violência
Em Natal, capital do Rio Grande do Norte, não foi diferente. Na última terça-feira, cerca de 80 mulheres organizadas no Movimento de Mulheres Olga Benario e no Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB), ocuparam o palácio Felipe Camarão, sede da Prefeitura do Natal. A manifestação aconteceu em repúdio aos casos de violência contra a mulher na cidade, mas também a violência de estado que estão submetidas as mulheres, em especial aquelas que moram na periferia: creches, escolas e postos de saúde precarizados, falta de iluminação e aumento dos bancos de doação de leite também estavam entre as principais pautas.
Ainda assim, a Guarda Municipal respondeu às mulheres com truculência. “Estávamos fazendo nossas agitações, palavras de ordem, pressionando o gabinete da Prefeitura para nos atender. Ninguém estava quebrando nada ou agredindo ninguém. Até que a guarda decidiu ir pra cima de uma das nossas companheiras, então começou uma repressão truculenta ao nosso ato. Nos agrediram e jogaram spray de pimenta na gente” relata Kivia Moreira, da coordenação do Olga.
Após o episódio de violência, o Movimento foi atendido pelo secretário adjunto do prefeito, que recebeu o ofício. Fruto da mobilização, foi conquistada uma reunião com a secretaria de mulheres do município para tratar especialmente das pautas voltadas para o combate a violência de gênero. No Rio Grande do Norte, 22 mulheres foram vítimas de feminicídio somente neste ano, e a cidade de Natal conta com apenas uma casa abrigo que está superlotada e o Centro de Referência da Mulher Elizabeth Nasser (CREN), que está precarizado em decorrência do baixo recurso investido.
“Foi uma ação muito importante, porque chamou atenção pra pauta, que parece ser esquecida pela prefeitura, pelo estado, enfim, o poder público, que prefere ignorar as mulheres e nos deixar morrer sem perspectiva, seja pela violência dentro de casa ou fora de casa. E mostra como reage o Estado quando as pessoas se organizam, porque o que estávamos pedindo ali não era nada além de um direito básico, o direito a viver bem. Essa ação foi importante porque mostrou que as mulheres podem e devem ser poder!”, relata Alice Morais, do Movimento de Mulheres Olga Benario.