Todos os dias, milhares de brasilienses saem cedo das cidades satélite para trabalhar no Plano Piloto, enfrentando ônibus lotados, calor e horas perdidas no trânsito, sem transporte digno ou atenção do governo.
Bárbara Calista- DF
Desde a construção de Brasília, o povo trabalhador foi empurrado para longe do centro, confinado nas chamadas “cidades satélite”, hoje conhecidas como regiões administrativas. Mas são justamente essas pessoas que precisam estar no Plano Piloto antes das 8h da manhã para garantir que a cidade funcione.
O resultado dessa lógica é visível. O trânsito do Distrito Federal está cada vez mais caótico e isso reflete diretamente na qualidade de vida da população. Em Planaltina, por exemplo, o trajeto até o Plano Piloto pode variar de 40 minutos à 2 horas. Atualmente, com as obras da terceira via na BR-020, muitos levam cerca de uma hora apenas para conseguir sair da cidade, consequentemente, diminuindo as horas de descanso dessas pessoas. O recado do governo Ibaneis é claro: quem quiser trabalhar que vá de carro, mesmo que o transporte individual seja inacessível para a maioria e o transporte público siga em total abandono.
A cada dia, o povo trabalhador enfrenta um novo desafio para chegar ao emprego. Faltam ônibus, os veículos quebram com frequência, não há ventilação adequada e, durante a seca, é comum passageiros passarem mal. Conseguir um assento virou privilégio, mesmo para quem passa o dia inteiro em pé no trabalho.
De acordo com o IBGE, o Distrito Federal está entre as regiões onde as pessoas demoram mais para chegar ao trabalho. Isso não é coincidência! É consequência de uma gestão que governa para os mais ricos!
Ibaneis é inimigo do povo!
Enquanto se recusa a investir em transporte público de qualidade, Ibaneis planejava gastar R$ 2 bilhões de reais em dinheiro público na compra do Banco Master, empresa em grave crise financeira do banqueiro Daniel Vorcaro. Imagine se esse dinheiro fosse usado para melhorar o transporte, a saúde e a educação do povo brasiliense.
Brasília nunca foi pensada para o povo, e o governo atual não demonstra interesse em mudar isso. É urgente enfrentar a máfia dos transportes e investir em ônibus de qualidade, com rotas que realmente atendam à realidade da população. Construir novas vias pode ser importante, mas sem planejamento estratégico e sem foco em soluções coletivas, a desigualdade só aumenta.
O povo do DF merece um transporte digno, acessível e humano.
Descobrir esse jornal me trouxe uma alegria muito grande, é refrescante. Certo dia eu estava correndo para entrar no metrô, estava começando a chover e ventando, quando vi rolando no chão uma folha de jornal. Me chamou a atenção porque logo de cara eu vi que não era nem do Correio Brasiliense nem da Folha Universal (que a esse ponto é quase uma espécie invasiva aqui), e estava falando algo sobre a Palestina. Eu peguei, li, gostei, e guardei.
Um dos textos falava sobre a luta para acabar com a escala 6×1, um assunto que eu só via sendo discutido na internet. Para mim, pelo menos, é como se muitas pessoas do DF se esforcem para viver numa realidade paralela, onde aqui é um lugar maravilhoso e eficiente e o Ibaneis é o melhor gestor que já tivemos, mas é difícil participar dessa alienação coletiva quando eu tenho que andar 1 KM à pé para a parada de ônibus mais próxima porque a obra de crime ambiental daquele cara fez parte da pista desabar no ribeirão, aguentar 40 num ônibus velho e carcumido, pegar um metrô que sempre atrasa, andar mais um pouco, só para chegar até a minha aula; e se tudo der certo e eu tiver passado no vestibular, talvez eu tenha que aguentar 3 horas de ônibus para poder chegar na UnB. O DF tem tantos problemas e o maior deles é esse trânsito infernal, e se eu reclamo dizem que é frescura, que eu tenho é que tirar carteira e comprar um carro.
Dia desses eu tive que descer do metrô na estação errada e andar o resto do caminho porque estava tão quente e lotado dentro do vagão que eu estava passando mal, fiquei pensando em como é uma merda isso tudo, e na saída da estação, colado em uma parede, vi outra folha desse mesmo jornal; alguém havia impresso uma matéria desse site numa folha A4 e colado por aí, então decidi vir pesquisar o site. Muito obrigado, vocês que fazem isso acontecer, é refrescante ler um jornal que não ignora a realidade do povo.