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quinta-feira, 29 de janeiro de 2026

Dia Nacional da Visibilidade Trans: a luta histórica contra o capitalismo

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Em um país que lidera os assassinatos de pessoas trans, o Dia Nacional da Visibilidade Trans não pode se limitar a discursos vazios: é um chamado à luta contra um sistema que explora, exclui e mata para garantir o lucro de poucos.

Marcela Bigonha | Brasília


O Dia Nacional da Visibilidade Trans é uma data de denúncia e combate. Em um país que há anos ocupa o primeiro lugar no ranking mundial de assassinatos de pessoas trans, a visibilidade não pode ser reduzida a discursos institucionais ou campanhas vazias. Ela deve servir para escancarar o caráter de classe da transfobia e o papel central do capitalismo na produção da violência que marca a vida da população trans no Brasil. 

A opressão vivida pelas pessoas trans é resultado da estrutura do sistema capitalista. Só em 2024, 122 pessoas trans foram assassinadas no país. O capitalismo, especialmente em sua forma dependente no Brasil, precisa manter setores inteiros da classe trabalhadora em condições de extrema vulnerabilidade para garantir a superexploração da força de trabalho. A população trans é empurrada para fora da escola, excluída do mercado de trabalho formal, privada do acesso pleno à saúde e à moradia, sendo forçada à informalidade, à prostituição e à precarização extrema. Esse processo não é acidental: ele garante lucros à burguesia e mantém uma reserva de mão de obra descartável.

A história da luta trans demonstra que, mesmo sob as mais duras condições, a resistência nunca deixou de existir. Desde a organização contra a repressão policial, passando pela luta por acesso à saúde e contra a patologização, até o enfrentamento direto à violência transfóbica, o movimento trans se construiu como parte das lutas populares. Trata-se de uma luta profundamente ligada à classe trabalhadora, pois a maioria esmagadora das pessoas trans pertence aos setores mais explorados e oprimidos da sociedade.

Nos últimos anos, a crise do capitalismo abriu espaço para o avanço da extrema direita e do fascismo, que utilizam a transfobia como instrumento político. Ao atacar pessoas trans, a extrema direita busca dividir a classe trabalhadora, reforçar valores reacionários e desviar a revolta popular contra os verdadeiros responsáveis pela miséria: os capitalistas e seu Estado burguês. A violência transfóbica, incentivada por discursos de ódio e políticas reacionárias, cumpre o papel de aprofundar o controle social e fortalecer um projeto fascista a serviço do grande capital.

Diante dessa realidade, torna-se evidente que não há solução real para a opressão trans dentro dos limites do sistema capitalista. As concessões institucionais, quando existem, são frágeis e reversíveis, pois não atacam a raiz do problema. Enquanto a sociedade estiver organizada para garantir o lucro de uma minoria, nossas vidas continuarão sendo tratadas como descartáveis.

A luta trans tem, portanto, uma importância histórica estratégica. Ao enfrentar essa brutal opressão, ela revela as contradições fundamentais do capitalismo e aponta para a necessidade de sua superação. A emancipação das pessoas trans está indissociavelmente ligada à emancipação de toda a classe trabalhadora. Somente com a destruição do sistema que explora, oprime e mata será possível garantir condições materiais para uma vida digna, livre da violência e da discriminação.

No Dia Nacional da Visibilidade Trans, reafirmamos que a nossa luta não é por migalhas nem por reconhecimento superficial. É uma luta contra o capitalismo, contra a extrema direita e contra todas as formas de opressão. A verdadeira visibilidade se constrói na organização política, na unidade da classe trabalhadora e na luta consciente pela construção do socialismo.

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