O feminicídio de Ester, de apenas 14 anos, cometido pelo padrasto no Distrito Federal, não é um caso isolado: é a expressão extrema de uma violência estrutural que segue matando mulheres e meninas todos os dias no Brasil.
Bárbara Calista
No último domingo, 18 de janeiro de 2025, Ester Silva, de apenas 14 anos, foi estuprada e assassinada dentro da própria casa, em Planaltina (DF), pelo padrasto, Marlon Carvalho da Rocha. Um crime brutal que revela, mais uma vez, a face cotidiana da violência que atinge mulheres e meninas no Brasil.
A violência contra as mulheres não é um desvio, é um projeto sustentado por um sistema que naturaliza a nossa desumanização. Apenas no primeiro semestre de 2025, quatro feminicídios foram registrados por dia, segundo o Mapa Nacional da Violência de Gênero do Senado. No Distrito Federal, a realidade é igualmente alarmante: em 2024, uma mulher foi assassinada a cada 12 dias; em 2025, 25 mulheres foram mortas simplesmente por serem mulheres, de acordo com dados do 19° anuário brasileiro de segurança pública e da secretaria de segurança pública do DF.
Ester tinha sonhos, futuro e uma vida inteira pela frente. Teve tudo arrancado de forma cruel. Estamos cansadas. Cansadas de abrir os jornais e encontrar, todos os dias, novas histórias de estupro, violência e morte. Cansadas de um Estado que diz nos proteger, mas falha em garantir nossa segurança até mesmo dentro de casa. Essa violência não é acaso: é o capitalismo sustentando uma cultura de ódio às mulheres e transformando nossos corpos em territórios de violação.
Não queremos notas de repúdio nem discursos vazios. Queremos o fim da violência contra mulheres e meninas. Queremos viver sem medo. Sem medo de estar em casa. Sem medo de sair às ruas. Lutamos por trabalho digno, acesso à educação, lazer e por uma vida livre de exploração e violências.
É por Ester, por Ana, por Eliana e por todas as mulheres que tiveram suas vidas interrompidas. A luta pelo fim da violência é inseparável da luta pelo fim do capitalismo e pela construção do socialismo.
Seguiremos firmes, ocupando as ruas, fortalecendo a organização popular e a resistência das mulheres que não aceitam mais morrer, silenciar ou recuar.
A família de Ester está organizando uma ação coletiva para custear o velório, pois não possui condições financeiras de arcar com os custos. PIX para contribuição: 66503752172