Petroleiros realizam 16 dias de paralisação nacional por salários justos e direitos para os trabalhadores da Petrobras.
Movimento Luta de Classes (MLC)
TRABALHADOR UNIDO – No último mês de dezembro, os sindicatos que representam os petroleiros de norte a sul do país foram unânimes em seu grito de guerra nas assembleias: “GREVE!”. A resposta da categoria ocorre após a apresentação da quarta proposta de acordo coletivo de trabalho (ACT) pela cúpula que administra a empresa hoje.
A insatisfação reside no não atendimento das demandas apresentadas pelo conjunto dos sindicatos, principalmente o aumento dos salários e melhorias no plano de carreira. Além disso, também estavam na mesa a readequação do plano de déficit do fundo de pensão, que está comprometendo a renda dos aposentados.
A Petrobras é a empresa mais valiosa do país, além de atuar em um setor determinante para a soberania nacional. Apesar disso, passa por um profundo processo de desmonte a partir da privatização que inicia já no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB) com o fim do monopólio do setor do petróleo e a abertura de seu capital na bolsa de valores. Os governos Temer e Bolsonaro aprofundam o papel do mercado na gestão da companhia, em especial após a onda de cortes de investimento no setor e a venda de refinarias, gasodutos e da BR Distribuidora, empresa responsável por distribuição e comercialização de combustíveis.
“Nossa reivindicação não é nenhum exagero, é a devolução do que perdemos no último período. Lula foi eleito dizendo que atenderia as demandas da categoria petroleira, mas até agora vemos a mesma lógica, lucro para os acionistas e porta fechada para a gente”, disse Marcelo, militante do MLC e diretor do Sindpetro Litoral Paulista.
Força da categoria
A unidade e força dos petroleiros se expressaram na combatividade em que rechaçaram o acordo e nos piquetes que garantiram a continuidade da greve.
Mesmo com a saída precoce de parte de sindicatos filiados à Federação Única dos Petroleiros (FUP), entidade que tem relação direta com CUT e o governo Lula, muitas assembleias rechaçaram a proposta defendida pela cúpula da entidade por considerarem a proposta de ACT rebaixada e reconhecerem que a greve é a única forma de pressionar a administração a ceder.
Com a debandada da FUP, ainda se manteve paralisada 80% da produção, com prejuízo estimado em R$ 200 milhões por dia. É justamente esse impacto que fez com que a empresa agilizasse por meio da justiça medidas para pôr fim à greve, por meio de um dissídio coletivo.
“Conquistamos pequenos avanços na pauta reivindicada, o reajuste foi menor do que queríamos e ainda parcelado, meio por cento agora e meio por cento ao longo de 2026. Mas a principal conquista foi conscientização e mobilização da categoria. Isso vai fazer que a próxima greve seja ainda mais forte”, acredita Marcelo.
A greve durou 16 dias, vanguardeada pelos sindicatos mais combativos, mas também reafirmando a necessidade da união entre os sindicatos e os movimentos sociais e partidos que têm por objetivo avançar a união e luta dos trabalhadores até a construção de um sistema em que direitos básicos sejam garantidos e os trabalhadores sejam valorizados com salários justos, de acordo com sua necessidade.
Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade