Dados da Pesquisa de Necessidades Habitacionais do Paraná 2023, revelam que mais de 500 mil pessoas estão no déficit habitacional do estado, com a capital concentrando parcela dessa demanda: 109 mil famílias.
Gabriela Torres
LUTA POPULAR – Moradia digna, considerada como um direito básico pela Constituição do país, é uma realidade distante no Brasil: mais de seis milhões de famílias estão no déficit habitacional; ou seja: não possuem moradia, habitam regiões de risco ou gastam mais de 30% da renda familiar com aluguel.
No estado do Paraná, essa contradição latente passa pela vida de toda a classe trabalhadora: dados da Pesquisa de Necessidades Habitacionais do Paraná 2023, revelam que mais de 500 mil pessoas estão no déficit habitacional do estado, com a capital concentrando parcela dessa demanda: 109 mil trabalhadores.
Cidade modelo para quem?
Considerando as condições de moradia dos trabalhadores paranaenses, a situação se agrava ainda mais. Segundo a COHAPAR (Companhia de Habitação do Paraná), a capital curitibana possui atualmente 43.261 casas localizadas em 322 favelas; e mais de sete mil casebres e barracos em áreas de risco e irregulares. Os moradores das comunidades enfrentam desafios maiores que o resto da população. Precisam lidar com a falta de condições mínimas de habitabilidade, como a falta de saneamento básico, falta de água intermitente, transporte público mais precarizado, além de perigos como deslizamentos e alagamentos.
“A gente tamo na fila da COHAB há dezesseis anos, tamo pagando o aluguel cada vez mais caro, e a tendência só piora, as taxas imobiliárias aumenta, pra tudo você precisa de um fiador, um calção, faltam pedir um rim seu pra poder alugar uma casa; e com o recurso que a gente temos, o negócio é morar na comunidade, onde não tem segurança, não tem luz decente, não tem asfalto. Você não vive, você sobrevive dentro de uma comunidade, pra não morar debaixo da ponte ou do viaduto, né? Você enfrenta, com o calor, o pó, e com a chuva, a lama, de todo jeito o sem-teto se lasca. Enquanto isso, tem muito lugar vazio e tem muita gente desabrigada”, diz Reginaldo Nunes, militante do Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas.
Para as famílias que dependem do aluguel, o medo de não fechar as contas no fim do mês é uma constante. Nas periferias da capital, muitas famílias se submetem a aluguéis que consomem mais da metade do salário mínimo. Enquanto isso, a quantidade de pessoas em situação de rua na região central da cidade é crescente. Os dados expressam uma política de carestia que assola o estado: 32,6% dos trabalhadores paranaenses atuam na informalidade, ou seja, recebendo pouco e sem direitos; de acordo com o Ministério do Trabalho.
Contraditoriamente, a quantidade de imóveis particulares abandonados aumentou nos últimos dez anos: mais de 102 mil unidades habitacionais vazias e sem cumprir com a lei da Função Social na região metropolitana de Curitiba, número maior do que a quantidade de famílias sem teto, o que prova que o descaso com o povo pobre é a política do governo do estado, liderado pelo fascista Ratinho Jr.
É papel dos movimentos sociais organizados defenderem os direitos dos trabalhadores sem teto que erguem com suor as riquezas da 7° maior economia do país. Enquanto vigorar o sistema capitalista, que privilegia a propriedade privada em detrimento da vida, apenas o enfrentamento aos ricos poderá dar condições dignas para a maioria.