15 mil enfermeiras estão em greve por melhores condições de trabalho, por um contingente seguro de dimensionamento de pessoal nos Estados Unidos.
Tatiane Andrade | Macaé (RJ)
TRABALHADOR UNIDO – O ano de 2026 se inicia com graves ataques do imperialismo aos povos do mundo. No maior país capitalista do planeta, os EUA, os ataques à classe trabalhadora também se intensificam.
Desde a posse do fascista Donald Trump, o povo dos Estados Unidos, em especial os imigrantes, têm vivido uma verdadeira perseguição política, chegando ao caso recente do assassinato de Renee Nicole Gold, de 37 anos, baleada em seu carro em Minneapolis por agentes do ICE (Serviço de Imigração e Alfândega dos EUA). Esse caso despertou diversas manifestações em vários estados do país.
No ano passado, milhares de pessoas foram às ruas após diversos cortes nos poucos programas sociais do governo dos EUA, protestos esses chamados “No Kings” (Sem Reis). Além disso, desde 2023, diversas categorias se organizaram em greves históricas, como foi o caso dos trabalhadores e trabalhadoras da Amazon, que pararam pelo fim das jornadas abusivas e pelo direito de terem um sindicato.
É nesse contexto de crise do capitalismo com amplas mobilizações e respostas da classe trabalhadora que Nova Iorque vive a maior greve da história das trabalhadoras de enfermagem.
Trabalhadoras da enfermagem em luta
De acordo com o New York State Nurses Association (NYSNA – Sindicato de Enfermeiras do Estado de Nova Iorque) desde o dia 22 de dezembro de 2025, 97% dos profissionais de enfermagem do setor privado filiados ao sindicato votaram a favor da greve, que se iniciou no dia 12 de janeiro de 2026.
Desde então, cerca de 15 mil enfermeiras estão em greve por melhores condições de trabalho, por um contingente seguro de dimensionamento de pessoal – denúncias apontam sobrecarga de trabalho e algumas profissionais com um número extremamente inseguro de pacientes para dar conta –, contra a violência no ambiente de trabalho e por melhores salários. Nos cartazes e fotos das manifestações vemos frases como “Mais enfermeiras = melhor cuidado” e “Pacientes acima dos lucros!”.
A greve, que já dura alguns dias, tem recebido apoio da comunidade nova iorquina, que se junta aos atos mesmo no extremo inverno de Nova Iorque e se manifesta também contra os lucros exorbitantes dos CEOs dos hospitais privados da cidade.
Com piquetes e atividades todos os dias, o maior sindicato do estado de Nova Iorque, com aproximadamente 42 mil sindicalizados, vem recebendo apoio de 45 outros sindicatos dos Estados Unidos, representando mais de 2,5 milhões de trabalhadores, que assinam uma carta em solidariedade à luta das enfermeiras: “Nós somos solidários com 20.000 enfermeiras do NYSNA [que trabalham] em hospitais privados da cidade de Nova Iorque cujos contratos expiraram em 31 de dezembro de 2025… Os sindicatos estão prontos para ficar ombro a ombro com as enfermeiras nas linhas de frente e piquetes, se uma greve se tornar necessária. Está na hora dos administradores hospitalares ouvirem as suas enfermeiras e se comprometerem com contratos justos para as nossas comunidades e trabalhadoras sem mais demoras.”
Sistema capitalista explora trabalhadores
Todas essas reivindicações em muito se assemelham ao que as enfermeiras brasileiras vivem hoje nos hospitais Brasil afora, mostrando que o sistema capitalista não tem nada a oferecer em qualquer lugar do mundo – inclusive e principalmente no maior país capitalista como é os Estados Unidos.
É ou não é verdade que as equipes de enfermagem vivem hoje jornadas exaustivas, sobrecarga de trabalho (devido a redução do número de profissionais para cada paciente) e situações de violência em seus ambientes laborais? Em nosso país, a segunda maior categoria profissional, com 3 milhões de trabalhadoras, enfrenta grandes desafios. Seja na luta por uma remuneração justa ou também no correto dimensionamento de equipe.
Sobrecarga laboral
Hoje, um único profissional muitas vezes precisa ser responsável por um número de pacientes muito superior do que é recomendado, o que facilita o risco dos erros acontecerem, além de promover sobrecarga mental e física no trabalho.
Mesmo representando 70% da força de trabalho do setor da saúde, sabemos da desvalorização que a categoria sofre e a luta incansável por jornadas de trabalho e remuneração mais justas. O que acontece nos Estados Unidos se repete em nosso país: os grandes empresários da saúde querem saber mais dos lucros do que da vida e segurança dos pacientes. Prova disso foi o documento que esses empresários emitiram em 2021 solicitando a retirada de pauta da votação do piso salarial, além da ação no STF em 2022.
Contudo, a história tem nos mostrado que a classe operária é insubmissa e se organiza em todo o mundo para mudar essa realidade! No Brasil, as greves nacionais de enfermagem – convocadas pelo Sindicato de Enfermeiros do Estado de Pernambuco, dirigido pelo Movimento Luta de Classes, foram determinantes para que o piso nacional de enfermagem entrasse em vigor após cerca de 20 anos de luta.
Quanto mais o capitalismo se desenvolve, mais ele “forja as armas que o levarão à morte”. Estamos vivendo um momento histórico, de acirramento da luta de classes e enfrentamento da classe trabalhadora diante de uma burguesia que se definha cada dia mais. À medida que a crise do capitalismo avança, avançam também as respostas de luta do povo.