Durante o Encontro Estadual do MLC, na Bahia, foram tiradas as metas de legalizar o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção de Camaçari e Região, fundado no fogo da luta durante a greve.
Redação BA
Respondendo ao chamado de construir uma grande paralisação nacional contra a escala 6×1, o Movimento Luta de Classes (MLC) construiu uma greve no canteiro de obras da montadora chinesa BYD, em Camaçari (BA), que durou oito dias. Essa greve teve uma repercussão nacional e internacional, haja vista as precárias condições que os trabalhadores da construção civil tinham que se sujeitar todos os dias (A Verdade, nº 324). Vale ressaltar que essa obra, em dezembro de 2024, também recebeu denúncia de trabalho análogo à escravidão (A Verdade, nº 314).
Graças à greve e à força da classe operária unida, foi possível arrancar uma série de conquistas: mais ônibus de circulação interna, assim como ônibus para levar os trabalhadores ao canteiro, mais banheiros, bebedouros com água gelada, mais micro-ondas, etc.).
Entretanto, os patrões empresa chinesa e das construtoras terceirizadas também prepararam seu contra-ataque à organização dos trabalhadores. Realizaram demissões de grevistas, descontos na folha de pagamento dos dias de greve (mesmo as empresas fazendo acordo de que a paralisação seria abonada) e, em certos casos, até mesmo alguns retrocessos.
O jornal A Verdade recebeu denúncias de que foi construído um novo refeitório, contudo, apenas os trabalhadores chineses teriam acesso ao mesmo, restringindo a presença dos operários brasileiros. A mensagem da burguesia é clara: deixar os operários inseguros de lutar por seus direitos, por mínimos que sejam, e dizer que o lucro da BYD está acima de suas vidas.
Sindicato Livre
Para fazer frente a esses ataques, é preciso fortalecer o Sindicato Livre dos Trabalhadores da Construção Civil, Montagem e Manutenção de Camaçari e Região, fundado no fogo da luta durante a greve. Tendo isso em vista, no Encontro Estadual do MLC, que aconteceu no dia 24 de janeiro, foram tiradas as metas de legalizar o sindicato e consolidar seu trabalho, fortalecendo as lutas no canteiro de obras da BYD e fazendo a visita em outros canteiros. Vale ressaltar que, durante a greve na BYD, trabalhadores de outras obras procuraram o MLC, pois também queriam realizar paralisações em seus respectivos locais de trabalho.
Para atingir esses objetivos, as brigadas operárias cumprem um papel decisivo. Nas semanas anteriores à greve, foi realizada uma série de brigadas na porta da empresa, sendo vendidos cerca de 80 jornais e distribuídos 1.500 panfletos. A brigada operária é de extrema importância para convencer os trabalhadores a fortalecerem as lutas por melhores condições de trabalho e, acima de tudo, da necessidade de construirmos o socialismo.
Em janeiro, o Sindicato Livre e o MLC realizaram quatro brigadas na BYD. O sindicato também iniciou uma importante luta pela medição da insalubridade do local de trabalho e o respectivo pagamento do adicional previsto em lei, demanda que ficou pendente desde a greve. Em fevereiro, a meta é fazer visitas em outras obras da região.
A luta da classe trabalhadora avança!
Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade