A mobilização nacional “Mulheres Vivas” levou atos a 20 estados brasileiros para cobrar políticas públicas efetivas e o fim da exploração capitalista.
Monique Zuma | Rio de Janeiro (RJ)
MULHERES – No ano passado, 1.470 mulheres foram vítimas de feminicídio em nosso país. Isso significa que 4 mulheres foram mortas por dia, apenas pelo fato de serem mulheres.
Esses não são apenas números, mas vidas e histórias interrompidas da forma mais brutal, como ocorreu com Tainara Souza, que morreu depois de várias cirurgias e de ter passado semanas internada em estado grave após ser atropelada e arrastada pelo ex-companheiro, em São Paulo.
Também não podemos esquecer de Catarina, que foi violentada e assassinada em uma trilha no caminho para sua aula de natação, em Florianópolis. E o que falar das trabalhadoras Allane e Layse, mortas a tiros dentro do local de trabalho por um “colega”, dentro do Cefet, no Rio de Janeiro? E Jhessilane, assassinada pelo ex com golpe de faca enquanto trabalhava, no Ceará? Esses crimes, que ganharam repercussão nacional, retratam o que esse sistema tem a oferecer para nós mulheres. Ano após ano, a violência contra a mulher segue crescendo como consequência do capitalismo, que se utiliza do machismo para aumentar a exploração sobre nós. Sofremos com salários menores, tripla jornada de trabalho e diversas violências dentro e fora de casa. Isso precisa acabar!
Mulheres em luta
Em resposta a esse cenário, milhares de mulheres foram às ruas no dia 07 de dezembro de 2025 sob o lema “Mulheres Vivas” para protestar contra o feminicídio e a violência. Os atos foram frutos de uma ampla mobilização nacional e aconteceram em pelo menos 20 estados e 90 cidades do país, sendo marcados por intervenções culturais, fortes relatos de sobreviventes e familiares de vítimas e falas políticas.
Mesmo com a convocação emergencial, as mulheres responderam ao chamado e deram o recado nas ruas. As manifestações foram fundamentais para cobrar políticas públicas efetivas no combate à violência. Como disse Vitória Ohara, militante do Movimento de Mulheres Olga Benario na Paraíba, “o Estado, quando se restringe apenas a realizar publicações em redes sociais ao invés de promover políticas públicas, legaliza a violência”.
De fato, é inaceitável que o Governo Federal tenha utilizado apenas 15% do orçamento previsto para ações do Pacto Nacional de Prevenção aos Feminicídios de 2024 a 2025. Nos estados, o cenário também não é animador, com baixa previsão orçamentária para a pasta de mulheres e investimento ainda menor. São quase inexistentes as Casas de Passagem (abrigo temporário não sigiloso, em todo o país, apenas 8% das cidades possuem delegacia especializada no atendimento à mulher (DEAM) e as campanhas de prevenção e conscientização são mínimas.
Construir o socialismo
No ato “Mulheres Vivas” no Rio de Janeiro, Rafaella ressaltou que “toda violência é um braço fundamental de um sistema que opera a partir da nossa miséria, que é o sistema capitalista. Então, não é possível ser mulher e viver plenamente enquanto vivermos neste sistema”.
Por isso, o Movimento de Mulheres Olga Benario faz um chamado a todas as mulheres que estão cansadas de serem exploradas e oprimidas, para que se organizem em um núcleo do movimento e façam parte da luta contra a violência e pela construção do socialismo, única forma de vivermos de forma plena.