O Congresso Nacional aprovou, no apagar das luzes de 2025, a Lei Orçamentária Anual para 2026, consolidando um corte de R$ 488 milhões nas universidades federais.
Movimento Correnteza
JUVENTUDE – O Congresso Nacional aprovou, nos últimos dias de 2025, a Lei Orçamentária Anual (LOA) de 2026. Mais uma vez, a maioria dos deputados, em especial do Centrão e dos partidos da extrema-direita, votou pela diminuição dos investimentos em educação e outras áreas sociais. Só das universidades federais, foram cortados 488 R$ milhões, ameaçando o pagamento de contas básicas como água e luz, as políticas de assistência aos estudantes de baixa renda – como restaurantes universitários e bolsas – e o funcionamento de laboratórios, bibliotecas e salas de aula.
O objetivo desses parlamentares é turbinar o chamado “orçamento secreto”. A partir do corte de investimentos em áreas sociais, as emendas parlamentares cresceram 1.200% nos últimos dez anos e alcançaram a marca de R$ 61 bilhões para 2026. Essas emendas são alvo de diversas investigações da Polícia Federal e dos órgãos de justiça e fiscalização, que já identificaram inúmeros casos de desvio de dinheiro público.
Além disso, é sabido que essas emendas são utilizadas para a compra de apoio político, quando os deputados só aceitam destinar dinheiro para um estado, município ou instituição mediante o compromisso de apoio nas eleições por parte de prefeitos, governadores e outras autoridades.
Entretanto, os deputados e os grandes meios de comunicação buscam confundir a população. Dizem se tratar de um “ajuste técnico” ou de um “ajuste financeiro, necessário para o balanceamento das contas públicas”. Hipocrisia! Se estivessem realmente preocupados com a economia do país, começariam por botar em pauta a auditoria da Dívida Pública, um esquema criminoso que destina quase metade de todo orçamento do país para especuladores e grandes capitalistas, ou acabariam com seus próprios privilégios e os diversos casos de corrupção envolvendo deputados.
Não esqueçamos que, em setembro de 2025, os deputados do Centrão e da extrema-direita chegaram a aprovar um projeto que, na prática, impedia a investigação e cassação de deputados corruptos (“PEC da Blindagem”). O projeto foi derrubado no Senado após as grandes manifestações populares que tomaram as ruas do Brasil.
O corte de investimentos em áreas sociais, portanto, é uma escolha política. As lideranças da direita e do Centrão comemoram esse ataque como demonstração de força. Para esses setores, universidades públicas, que produzem ciência e tecnologia, devem ser precarizadas. Menos orçamento significa mais dependência de emendas parlamentares e mais controle político sobre as instituições. Os interesses imediatos de políticos que especulam com votos e alianças valem mais para o Congresso do que a vida de milhões de pessoas que dependem da universidade pública para estudar e trabalhar.
Além disso, a diminuição do orçamento da educação impede o crescimento de vagas em universidades públicas e empurra os jovens para as universidades pagas, em que as mensalidades são altíssimas, incompatíveis com o salário e a realidade da maioria dos brasileiros. Essa é outra forma de o Congresso beneficiar grandes empresários, que retribuem o favor em época de eleições.
Educação é um direito
O Brasil está entre as maiores economias do mundo, mas segue entre os países que menos devolve essa riqueza em direitos. Essa política é apoiada por deputados como Nikolas Ferreira (PL-MG) e André Fernandes (PL-CE), que votaram a favor da “PEC da Blindagem”, pelo aumento do “orçamento secreto” e pela diminuição dos investimentos em áreas sociais de interesse da população. A extrema-direita, que se coloca como uma “alternativa” para a juventude, mostra sua verdadeira face e vota sempre contra o povo e a favor dos ricos.
Essa contradição só se resolve enfrentando a política econômica vigente, que privilegia os ricos. A história recente do movimento estudantil e das lutas por educação aponta que esse enfrentamento é possível.
No Governo Bolsonaro, estudantes derrubaram quatro ministros inimigos da educação pública e reverteram cortes bilionários. Em 2024, a greve das universidades federais garantiu mais investimentos e resultou em conquistas importantes dos trabalhadores da educação. Em novembro de 2025, estudantes dos institutos federais realizaram um dia de greve nacional para denunciar a falta de políticas públicas que garantissem o direito à alimentação nessas escolas – e conquistaram o compromisso do Governo com a construção de restaurantes em 270 unidades.
Com um país tão rico e um povo tão trabalhador, é plenamente possível garantir educação de todos os níveis para toda população, com livre acesso à universidade pública, gratuita e de qualidade, desde que a classe trabalhadora esteja no poder.
Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade