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terça-feira, 3 de fevereiro de 2026

Construtora Campos Gouveia é condenada por trabalho escravo em Tamandaré (PE)

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Construtora Campos Gouveia foi fiscalizada pelo Ministério Público do Trabalho (MPT) após trabalhador morrer eletrocutado em serviço.

Jesse Lisboa | Redação


BRASIL – A construtora Campos Gouveia foi condenada a pagar R$ 500 mil por submeter trabalhadores a condições análogas à escravidão na construção do Residencial Beira-Mar, em Tamandaré, Pernambuco. A decisão judicial destaca violações graves de direitos humanos em uma obra à beira-mar.

O Ministério Público do Trabalho (MPT) identificou alojamentos precários, com trabalhadores dormindo em colchões sobre tijolos, sem ventilação, expostos a poeira e fiações elétricas perigosas. Além da miséria nos alojamentos, o risco de morte era diário. Banheiros inadequados eram compartilhados por dezenas de pessoas, e faltava água potável e alimentação constantemente, configurando risco à vida dos trabalhadores.

Em 25 de agosto de 2021, o trabalhador José Luciano da Silva morreu no canteiro de obras do condomínio Porto Cayman Residence, da construtora Campos Gouveia, em Tamandaré. Ele sofreu um choque elétrico enquanto escavava ao lado da piscina para instalar um sistema de drenagem.

De acordo com o relatório do Grupo Especial de Fiscalização Móvel (GEFM), José usava uma bomba elétrica ligada à rede para drenar a água da vala. Após o choque, foi socorrido, mas não resistiu e faleceu no mesmo dia.

A Reforma Trabalhista é culpada pela exploração

A Lei 13.467/2017, ao permitir a supressão de direitos trabalhistas, abriu as portas para a exploração desenfreada: jornadas excessivas, salários irrisórios e precariedade total, tudo respaldado pela lei – um absurdo inaceitável.

As denúncias de trabalho análogo à escravidão explodiram desde 2021: 1.915 casos em 2021, 2.119 em 2022 e 3.422 em 2023, superando o pico anterior de 1.743 em 2013.

Enquanto os trabalhadores enfrentam perda de direitos e informalidade, a burguesia acumula riquezas: hoje, 266 mil brasileiros têm patrimônio acima de US$ 1 milhão, e o Global Wealth Report 2022 prevê 572 mil milionários até 2027 – mais que o dobro em cinco anos.

A solução está nas mãos da classe trabalhadora: retomar os sindicatos e impulsionar a luta sindical. A miséria crescente, a informalidade e o desemprego derivam da piora nas relações de trabalho. A força dos trabalhadores reside na organização coletiva para impor derrotas aos patrões. É urgente lutar pela revogação da Reforma Trabalhista!

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