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sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

Greve na Educação de BH: Basta de humilhação e salários de fome!

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A greve na educação protagonizada pelos trabalhadores terceirizados não é apenas uma paralisação por reajuste salarial; é um grito de socorro e de revolta contra a humilhação diária imposta pelo prefeito Álvaro Damião, pela secretária Natália Araújo e pela direção da MGS. São milhares de pais e mães de família, auxiliares de apoio à inclusão, faxineiras, cantineiras e porteiros, tratados como moeda de troca em um jogo de poder que ignora a fome de quem faz as escolas de Belo Horizonte funcionarem. A gestão da prefeitura decreta o arrocho salarial enquanto entrega a cidade aos ricos.

Reinilson Câmara – Belo Horizonte – MG



Belo Horizonte –
Para entendermos o que se passa nas escolas municipais, precisamos olhar a conjuntura nacional. O Brasil vive sob a cartilha do neoliberalismo, que visa apenas encher os bolsos da burguesia com o suor do povo pobre. A terceirização é a principal arma dos patrões para dividir a nossa classe e rebaixar salários. E não nos enganemos: a luta dos terceirizados é a luta de toda a comunidade escolar.

A exploração que adoece e separa famílias

As mães e pais de alunos precisam enxergar quem está dentro da escola: a faxineira e a cantineira que cuidam dos seus filhos também são mães de família! Só que a exploração dos patrões rouba dessas trabalhadoras o direito de cuidar das suas próprias crianças. Elas passam o dia garantindo a educação do filho dos outros, mas chegam em casa esgotadas e com um salário de fome. A exploração que os pais sofrem lá fora é a mesma que massacra essas companheiras lá dentro. A nossa classe é uma só!

Essa realidade opressora não é uma teoria; ela tem rosto, nome e calos nas mãos. Ela se expressa na voz do companheiro Hugo, trabalhador da faxina, que denuncia o peso de uma rotina esmagadora em troca de migalhas.

“Esse trabalho nosso é bem difícil, porque nós limpa (sic) a escola, carrega (sic) lixo, leva quatro andares para baixo… É um trabalho muito pesado que a gente faz, mas só que pouco valorizado. A gente trabalha muito e ganha pouco. É só R$1.100… Tem gente que paga aluguel, compra uma verdura, compra uma carne, já vai tudo pra lá.”

Como um trabalhador pode sobreviver com R$1.100 reais hoje? É a prova de que, no capitalismo, quem produz a riqueza e mantém a engrenagem girando vive na miséria, enquanto os engravatados lucram. Sem a faxina, não há escola. Sem a escola, a sociedade para. Mas o sistema insiste em tratar esses trabalhadores como descartáveis.

A crueldade se estende ao cuidado com nossas crianças, escancarada no relato da companheira Amanda, apoio à inclusão. Ela desmascara a farsa do “somos todos uma família” e mostra como a desigualdade salarial adoece a classe.

“A gente passa 10 horas dentro das escolas. Não tem tempo pra família, o tempo que sobra é pra descansar… Faxina recebe R$1.100, nós auxiliares, vergonhosos R $1.600… Nós somos máquinas, e para a prefeitura somos apenas números. A gente só serve pra trabalhar e pra poder trabalhar mais.”

A fala de Amanda atinge o coração da exploração: o trabalhador é visto apenas como uma máquina. As trabalhadoras da inclusão dedicam suas vidas para cuidar de crianças com deficiência, assumindo uma responsabilidade imensa técnica e emocional, para no fim do mês terem que escolher qual conta vão pagar. Elas abdicam de suas famílias para cuidar das famílias da classe trabalhadora, e recebem em troca o descaso.

Insegurança e o terrorismo dos patrões

E no meio desse fogo cruzado, a insegurança arranca a paz de espírito. A companheira Tamires, também da faxina, expõe o terrorismo psicológico da instabilidade contratual e das manobras sujas dos patrões.

“Alteraram a minha carteira digital de trabalho sem autorização minha para serviços gerais 2. Pode me mandar para qualquer outro lugar sem minha autorização… O contrato vence dia 28 e tá todo mundo sem saber se tem emprego. Teve um colega que foi jogado pra penitenciária… Sou mãe solo, pago aluguel, preciso de um salário melhor. Nós não temos vozes, eles abusam muito disso, não tem respeito com a gente.”

É fundamental fazermos aqui uma denúncia firme: a MGS, mesmo sendo uma empresa pública do Estado, adota práticas coronelistas, assediadoras e de profundo desrespeito com seus funcionários, funcionando como uma ferramenta de precarização. O tratamento dado aos trabalhadores é péssimo. No entanto, não podemos cair na armadilha da Prefeitura. A solução da SMED de repassar esses contratos para Organizações da Sociedade Civil (OSCs) e empresas privadas de terceirização é jogar o trabalhador da frigideira direto para o fogo.

Se a MGS é ruim, as empresas privadas são ainda piores. O único objetivo da iniciativa privada é o lucro absoluto. Para lucrar mais, essas empresas enxugam o quadro de funcionários, atrasam salários, dão calote nos direitos trabalhistas e fecham as portas de um dia para o outro, deixando milhares na rua da amargura. A terceirização privada é a escravidão moderna institucionalizada. O que a Prefeitura e o Governo do Estado fazem é jogar o povo contra o povo, usando o atendimento às crianças e os empregos dos trabalhadores como peças de xadrez em suas disputas políticas eleitoreiras.

 

A saída é a luta e a organização da classe trabalhadora

A greve é o instrumento legítimo de defesa da nossa classe. Como disse a companheira Amanda: “fazer greve não é ficar em casa esperando, é estar aqui mostrando a nossa força”. É parar a produção e mostrar quem realmente constrói esta cidade.

Mas precisamos dar um passo além. A luta sindical por reajuste, por melhores condições e contra os descontos covardes é essencial hoje, mas amanhã o sistema capitalista continuará a nos oprimir se não houver organização revolucionária. Por isso, chamamos cada trabalhador e cada pai e mãe de aluno a fortalecer a greve, a se organizar no movimento luta de classes (MLC) e a construir as fileiras daqueles que não lutam apenas para melhorar as correntes que nos prendem, mas para quebrá-las definitivamente. Precisamos apoiar e difundir o jornal a verdade, que é a voz do povo oprimido, o megafone de denúncias que a grande mídia esconde.

A nossa união é a única força capaz de frear os ataques de hoje e construir o amanhã. O fim da exploração do homem pelo homem, o fim das humilhações e da miséria só virá com a construção de uma sociedade socialista, onde a riqueza produzida pelos trabalhadores seja controlada por eles próprios, garantindo educação, moradia, saúde e vida digna para todos.

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