Movimento Luta de Classes compõe chapa de oposição no Congresso da CNTE e defende que a única forma de combater o fascismo nas ruas é mobilizando a classe trabalhadora.
João Casares e Juliana Borges | MLC
TRABALHADOR UNIDO – Dos dias 15 ao 18 de janeiro, aconteceu, em Brasília, o 35º Congresso da Confederação Nacional dos Trabalhadores da Educação (CNTE). Pela primeira vez, o Movimento Luta de Classes (MLC) participou com uma delegação composta de militantes do Rio de Janeiro e do Mato Grosso.
O Congresso reuniu mais de 2 mil profissionais da educação pública, mas, infelizmente, não priorizou o debateu sobre a precarização da educação, o adoecimento mental da categoria e suas condições de trabalho, a Reforma do Ensino Médio e a mercantilização da Educação, como defendiam os militantes do MLC.
Os problemas começaram desde as eleições dos delegados. Em muitos estados, como no Rio de Janeiro, nem houve votação, apenas se reproduziu a proporção da diretoria atual, impedindo que grupos de fora da diretoria tivessem ao menos a chance de se candidatar.
Essa falta de democracia se manteve durante o Congresso. Havia poucos espaços para intervenções e as inscrições nos debates não garantiam o direito à fala. Os painéis se tornaram palestras pró-Governo Lula e os Grupos de Trabalho eram limitados a dez falas de curtíssimo tempo.
Qualquer posição crítica à CNTE ou ao Governo Federal era vaiada pelo conjunto dos delegados das forças majoritárias, principalmente nas falas de delegadas mulheres. Dulce Adrieli, militante do MLC, foi impedida pelos cantos de “Olê, olê, olá, Lula! Lula!” de utilizar o 1 minuto de fala que tinha direito.
Luta contra o governismo
Apesar de estarmos presenciando a ascensão do imperialismo e do fascismo no mundo e de ver a classe trabalhadora sofrer ataques dia após dia, a maior parte das intervenções da direção da CNTE apresentava a reeleição de Lula em 2026 como única solução para os problemas do Brasil e do mundo.
Infelizmente, o debate sobre a organização da classe trabalhadora para a luta, a mobilização de uma greve geral em defesa da educação pública, contra a escala 6×1, ficou de lado e o Congresso se tornou um palanque eleitoral para as eleições presidenciais de 2026.
Após a maior parte do chamado “Bloco de Oposição Alternativa” decidir compor a chapa majoritária, aliando-se à política do imobilismo e do governismo, as eleições seriam feitas em chapa única. Diante desse cenário, os companheiros do MLC decidiram que ajudariam a conformar uma de oposição com todas as forças que eram contra a política que está sendo implementada na CNTE.
Assim, o MLC defendeu que a única forma de combater o fascismo nas ruas e nas urnas é mobilizando a classe trabalhadora e que o movimento sindical tem uma importante tarefa de organizar os trabalhadores para disputar a consciência do povo e apresentar o socialismo como real alternativa.
Apesar de pouquíssimos delegados, nossa chapa conquistou 6,24% dos votos válidos, prova de que é possível e necessário disputar a consciência da classe trabalhadora para a
linha revolucionária, mesmo quando as condições não são favoráveis.
Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade