UM JORNAL DOS TRABALHADORES NA LUTA PELO SOCIALISMO

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Moradores do Engenho I organizam manifestação exigindo justiça por jovem assassinado pela polícia militar em Parnamirim (RN)

Leia também

O jovem Renan Henrique do Nascimento, de 17 anos, foi mais uma vítima da violência policial no Rio Grande do Norte. Família e moradores do bairro onde o crime aconteceu organizaram uma manifestação denunciando o ocorrido.

Redação RN


SOCIEDADE – Na quinta-feira, 22 de janeiro, uma “operação” da Polícia Militar resultou na morte do adolescente Renan Henrique do Nascimento, de 17 anos, morador do Condomínio Engenho I, no bairro de Santa Tereza, em Parnamirim (RN). O jovem foi morto dentro do condomínio, em um dos corredores dos blocos do residencial.

A Polícia Militar afirma que encontrou Renan ferido por disparos de arma de fogo e que realizou o socorro até o Hospital Deoclécio Marques. No entanto, o adolescente não resistiu aos ferimentos e morreu ao dar entrada na unidade de saúde.

No dia seguinte, moradores dos residenciais Engenho I e II realizaram um protesto na avenida em frente ao condomínio, exigindo justiça por Renan e denunciando a violência policial constante na comunidade. Segundo os moradores, a execução do jovem poderia ter atingido qualquer trabalhador do local. A revolta popular foi respondida pelo Estado com o envio de diversas viaturas policiais para reprimir a manifestação, aprofundando ainda mais o clima de medo e violência.

Familiares e amigos afirmam que a ação da Polícia Militar foi covarde e injustificada. De acordo com relatos, Renan não portava arma nem drogas. Ele deixa um filho de 1 ano e 7 meses, uma companheira e uma família destruída pela violência do Estado, que hoje clama por justiça.

Política anti-povo 

Segundo dados divulgados pelo Governo do Estado, o Rio Grande do Norte investiu R$ 268,5 milhões na área da segurança pública. Ainda de acordo com o próprio governo, entre 2019 e janeiro de 2025 foram investidos aproximadamente R$ 68,5 milhões na aquisição e aluguel de viaturas, compra de armamentos e munições, equipamentos e capacitação de profissionais, por meio de convênios, emendas parlamentares e do Fundo Nacional de Segurança Pública. 

Apesar do alto valor investido, segundo o Ministério da justiça e segurança pública (MJSP), o número de homicídios dolosos cresceu 30,03 % em 2025 em relação ao ano anterior

A intensificação da violência policial em Parnamirim não é um fato isolado, mas parte de um projeto político de repressão contra a classe trabalhadora, que tem como alvo principal a juventude pobre e negra das periferias. Sob o discurso mentiroso do “combate ao crime”, o Estado promove execuções, intimidação e terror dentro das comunidades.

Enquanto milhões são destinados ao aparato repressivo, faltam políticas públicas que realmente atendam às necessidades do povo trabalhador, como mais unidades de pronto atendimento (UPAs), investimentos nas Unidades Básicas de Saúde (UBSs), contratação de profissionais da saúde, melhores condições nas escolas públicas e ampliação da rede de creches. Essas medidas, sim, poderiam melhorar de fato a vida da população do Rio Grande do Norte.

Os moradores dos residenciais Engenho I e II vivem abandonados pelo poder público, empurrados para as margens da cidade, sem transporte adequado, sem políticas públicas efetivas e sem acesso a direitos básicos. Todos os dias, trabalhadores saem de casa para garantir o sustento de suas famílias sem a certeza de que seus filhos estarão vivos ao retornarem, enquanto a Polícia Militar invade a comunidade para oprimir e criminalizar.

A luta contra a violência policial está diretamente ligada à luta contra um sistema que mata o povo pobre para garantir os lucros da burguesia. Nesse sentido, é urgente a desmilitarização da polícia, investimentos em políticas públicas e o fim da repressão nas periferias. 

É necessário pôr fim a esse Estado violento e racista. O sistema capitalista mantém uma forte repressão contra os trabalhadores, moradores de bairros pobres e a população negra, desde a escravidão até os dias atuais. Por isso, as lutas populares organizadas pelo povo, à exemplo da manifestação realizada, são necessárias para a derrubada do capitalismo e a construção do socialismo em seu lugar.

More articles

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui

Últimos artigos