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terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Ocupação Francisco Bernardo nasce no Centro de Curitiba

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No final de janeiro, mais de 50 famílias sem-teto organizadas pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB) realizaram a Ocupação Francisco Bernardo, em Curitiba.

Redação PR


BRASIL – No final do mês de janeiro, nasceu a Ocupação Francisco Bernardo, na cidade de Curitiba, organizada pelo Movimento de Luta nos Bairros, Vilas e Favelas (MLB). O local abriga mais de 50 famílias sem-teto da capital paranaense que não conseguem custear o valor do aluguel e sofrem com o aumento do custo de vida. O imóvel ocupado estava abandonado há mais de dez anos, sem cumprir função social.

“A gente tamo na fila da Cohab há 16 anos, pagando aluguel cada vez mais caro, e só piora. As taxas aumentam, pra tudo você precisa de um fiador, uma caução, só faltam pedir um rim seu pra poder alugar uma casa. Com o recurso que a gente temos, o negócio é morar na comunidade, onde não tem segurança, não tem luz decente, nem asfalto”, diz Reginaldo Nunes, militante do MLB e morador da ocupação.

A ocupação expressa a incapacidade do poder público de enfrentar a especulação imobiliária na sétima maior capital do país e solucionar o déficit habitacional que atinge milhares de famílias paranaenses: atualmente, mais de 500 mil pessoas estão sem casa para morar, 109 mil só na Região Metropolitana de Curitiba.

Segundo a Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), a capital possui atualmente 43.261 casas localizadas em favelas e áreas de risco. Os moradores sofrem com a falta de condições mínimas de habitabilidade, como saneamento precário, falta de água, transporte público ruim, além de perigos como deslizamentos e alagamentos.

Para as famílias que dependem do aluguel, o medo de não fechar as contas no fim do mês é uma constante. Nas periferias, muitas famílias se submetem a aluguéis que consomem mais da metade do salário. Hoje, 32,6% dos trabalhadores paranaenses atuam na informalidade, ou seja, recebendo pouco e não têm direitos, segundo dados do Ministério do Trabalho.

“Você não vive, você sobrevive dentro de uma comunidade, pra não morar debaixo da ponte ou do viaduto. Você enfrenta o calor, o pó, a chuva, a lama, de todo jeito o sem-teto se lasca. Enquanto isso, tem muito lugar vazio e tem muita gente desabrigada”, conclui Reginaldo.

Liderança da Guerrilha de Porecatu (ocorrida no final da década de 1940, no norte do Paraná), Francisco Bernardo foi um dos camponeses que, após ser ameaçado de expulsão de suas terras, iniciou um levante armado para defender seus direitos. De origem muito humilde, ajudou a fundar as Ligas Camponesas, que atuaram em diversos enfrentamentos contra a burguesia latifundiária paranaense.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

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