“A síndrome de burnout é caracterizada por esgotamento, uma exaustão emocional, que está ligada ao estresse no trabalho”, destaca mestre em psicologia durante palestra-debate em Patos.
Jozivan Antero | Redação PB
SAÚDE- Em 2024, o Brasil teve quase meio milhão de pessoas afastadas dos seus trabalhos por questões ligadas à saúde mental. O número é um dos maiores dos últimos 10 anos e um aumento de 400% desde a pandemia da COVID-19. Entre as causas estão a ansiedade, depressão, estresse e a ligação com a síndrome de burnout.
O sistema capitalista chegou a um grau de exploração do trabalhador sem precedentes na história. As novas tecnologias nas indústrias, as exigências no comércio e serviço não trouxeram melhoria na qualidade de vida do trabalhador, mas cobram dele cada vez mais eficiência e, com o medo do desemprego, o trabalhador tem se sujeitado à exploração que leva ao adoecimento físico e mental.
Para aprofundar essa discussão, a Unidade Popular pelo Socialismo (UP), em parceria com o Sindicato dos Bancários de Patos e Região, promoveu a palestra-debate “Burnout: por que os trabalhadores estão cada vez mais cansados e doentes?”, que teve como facilitador o psicólogo clínico Brunno Marcondes, que é professor universitário desde 2007 e mestre em filosofia pela Universidade Federal da Paraíba (UFPB), com experiência na saúde mental e atenção psicossocial.
Brunno Marcondes expôs que “o conceito de Burnout surgiu nos Estados Unidos em meados dos anos 1970, para dar explicação ao processo de deterioração nos cuidados e atenção profissional nos trabalhadores de organizações. Ao longo dos anos, essa síndrome tem se estabelecido como uma resposta ao estresse laboral crônico, integrado por atitudes e sentimentos negativos”, citando a médica Francinara Pereira Lopes e Pêgo, que aprofundou o tema em um trabalho disponibilizado na internet para interessados. A questão das jornadas de trabalho, a escala 6 x 1, os baixos salários e uma série de fatores enfrentados pelos trabalhadores foram levados em conta durante a explanação do professor.
Após a exposição, os presentes puderam dar suas opiniões, tirar dúvidas e socializar os seus pensamentos sobre o tema. Com vários pontos de vista apresentados e a busca para contribuir com o debate, o encontro também proporcionou que trabalhadores de vários setores, público e privado, falassem francamente sobre o burnout e o momento em que vivemos.
Durante entrevista concedida por Brunno Marcondes, o professor disse que a síndrome de burnout é caracterizada por um esgotamento, uma exaustão emocional que está ligada ao estresse no trabalho, um estresse laboral. São vários fatores que podem levar ao adoecimento e que tiveram um aumento de casos nos últimos anos e é considerado pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como uma questão de saúde pública, sendo algo que preocupa.