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quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

Terceirizados do restaurante universitário da UFRJ lutam contra exploração

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Falta de pagamento e condições de trabalho leva trabalhadores do bandejão da UFRJ a lutarem contra empresa terceirzada Nutryenerge.

Nata Mesquita e Matheus Monteiro | Rio de Janeiro


TRABALHADOR UNIDO – No último dia 28/01, os trabalhadores terceirizados do setor Bandejão Central da UFRJ paralisaram pela falta de pagamento das férias, ticket alimentação, vale transporte, atrasos no FGTS e melhores condições de trabalho. Esta situação ocorre há anos na universidade devido ao malicioso modelo de privatização e terceirização dos serviços de alimentação, limpeza e vigilância, fazendo com que um serviço que antes era feito por parte da UFRJ, com concursos e estabilidade, agora seja feito por empresas duvidosas, que ofertam os menores valores para serem contratadas, e portanto, são as que têm as piores condições de trabalho.

Organizados contra esse absurdo, os trabalhadores da Nutryenerge se organizaram em conjunto com o DCE UFRJ para lutar contra o atraso do pagamento de direitos trabalhistas que estavam sendo realizados pela empresa, que já estava insustentável.

“Tudo isso tem sido muito difícil de enfrentar, trabalhamos com muita dedicação e responsabilidade, mas não recebemos o mínimo necessário para viver com dignidade. Meu desejo é apenas que meus direitos sejam respeitados e que eu possa trabalhar com tranquilidade, segurança e sustento pra minha família”, relata um funcionário da Nutryenerge.

 

A situação desumana da terceirização se dá de maneira mais intensa no serviço público desde a Reforma Trabalhista promovida por Michel Temer e aprofundada por Bolsonaro. Ao aderir a terceirização, teoricamente se reduzem os gastos no serviço público, com menos direitos sendo garantidos pelo Estado aos trabalhadores desses órgãos.

Porém, na realidade, o projeto da terceirização ameaça profundamente o próprio funcionamento dos órgãos públicos, legitimando cortes nos seus orçamentos e facilitando a sua privatização total, dificultando que a nossa população consiga ter acesso à saúde pública, educação pública e moradia popular.

A paralisação dos funcionários começou já no dia 27/01, e junto com o DCE UFRJ e o Movimento Luta de Classes, incentivaram os estudantes a assumirem a distribuição da alimentação, sobre o mote “Se a empresa não paga os trabalhadores, nós não pagaremos a empresa!”. Não é a primeira vez que essa ação ocorre, sendo a primeira em abril de 2025, mostrando que a unidade de trabalhadores e estudantes na luta vale a pena e dá resultado.

Repressão

Em retaliação a ação dos trabalhadores e estudantes, a gerência da empresa escondeu os alimentos para que os estudantes não pudessem almoçar, bem como acionou seguranças privados para intimidar os estudantes e trabalhadores que estavam liderando a greve. Além disso, houve a perseguição de funcionários que estavam mais à frente na paralisação, com tentativas de coagir os funcionários a assinarem advertência.

Ainda assim, os funcionários e estudantes não se intimidaram, a todo o momento conversando com os estudantes sobre a situação que estava acontecendo, aumentando a pressão sobre a empresa. A partir desta pressão, a gerência da Nutryenerge foi obrigada a se deslocar para o Restaurante Universitário dar esclarecimentos aos trabalhadores.

A luta conquista

A partir da reunião conquistada na greve, houve a promessa por parte da empresa de quitar o pagamento das férias e do Vale-Transporte no dia seguinte. Bem como o compromisso de retornar na semana que vem para que possam ser esclarecidas outras questões referentes às condições de trabalho como a interrupção do pagamento de insalubridade, a falta de materiais de limpeza e EPI, a climatização, o pagamento do FGTS e muito mais. 

No dia seguinte, como resultado da pressão dos trabalhadores, do DCE e do Movimento Luta de Classes, o pagamento das férias realmente caiu! Mas a empresa falhou com o pagamento do vale-transporte, e apenas pagou as férias dos trabalhadores que já tinham retornado ao serviço, enquanto os que ainda não tinham retornado continuam na espera. 

Lutar contra a terceirização

A situação desumana da terceirização se dá de maneira mais intensa no serviço público desde a Reforma Trabalhista promovida por Michel Temer, em 2017, e aprofundada por Bolsonaro. A terceirização serve apenas para tirar os direitos garantidos pelo Estado aos trabalhadores dos órgãos públicos. Além disso, a imposição desse regime legitima cortes no orçamento público e facilita a sua privatização total, dificultando que a nossa população consiga ter acesso à saúde pública, educação pública e moradia popular.

A luta dos terceirizados do bandejão da UFRJ demonstra que a luta organizada e consequente dos trabalhadores é capaz de trazer conquistas e direitos. Mas para agir na raiz do problema é preciso lutar contra a privatização e terceirização na nossa sociedade, e em defesa de uma recomposição orçamentária nas Universidades Federais para que se possa voltar a fazer concursos públicos e contratações nesses setores, garantindo estabilidade e dignidade aos trabalhadores. 

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