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domingo, 22 de fevereiro de 2026

Trabalhadores da limpeza urbana arrancam salários atrasados

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Após 50 dias de atrasos salariais e condições de trabalho degradantes, trabalhadores da limpeza urbana, funcionários da empresa General Goods, conquistaram o pagamento de seus salários atrasados.

Clodoaldo de Oliveira | Campina Grande (PB)


TRABALHADOR UNIDO – Para a categoria dos trabalhadores da limpeza urbana não existe feriado ou recesso. Faça chuva, faça sol, os agentes de limpeza estão na rua para manter a cidade limpa. Também é cotidiana e incessante a superexploração imposta a esses trabalhadores pelos capitalistas. Em geral, são empresas terceirizadas que exploram esse serviço essencial.

Em Campina Grande (PB), os trabalhadores da empresa General Goods iniciaram 2026 sem receber seus salários. Após 50 dias sem pagamento, e depois de terem trabalhado durante o Natal e o Ano Novo, o presente que ganharam foi ficarem sem dinheiro para suas despesas básicas, como alimentação, o aluguel e as contas de casa. A postura da Prefeitura de Campina Grande – responsável pela fiscalização do contrato – foi de reforçar o assédio da empresa para que os trabalhadores não parassem o serviço, mesmo sem receber os salários.

O Sindicato dos Trabalhadores nas Empresas de Limpeza Urbana da Paraíba (Sindlimp-PB), dirigido pelo Movimento Luta de Classes (MLC), realizou intervenções na empresa para cobrar o pagamento dos salários atrasados e o fornecimento de equipamentos de proteção individual (EPIs). Os trabalhadores se uniram ao sindicato e decidiram paralisar o serviço.

O desespero da empresa e da Prefeitura foi grande, já que uma greve seria a gota d’água no caos administrativo da gestão da cidade, que está há décadas sob controle da oligarquia da família Cunha Lima.

Os salários dos prestadores de serviço da saúde e da educação também estavam atrasados, assim como o aluguel dos imóveis em que funcionam unidades básicas de saúde. A própria secretaria de Administração teve a energia cortada e depois foi despejada por falta de pagamentos.

Não bastasse, Campina Grande começou o ano enfrentando uma crise ambiental que teve repercussão nacional. Cerca de 10 toneladas de peixes mortos foram retiradas do Açude Velho, cartão postal da cidade. E adivinha quem entrou no açude para recolher toda essa carniça? O prefeito Bruno Cunha Lima e seus secretários? Os donos das empresas de limpeza? Não! Os mesmos trabalhadores da General Goods, que, sem salários, passaram três dias e três noites, submetidos ao odor fétido de peixe podre dentro das águas contaminadas do açude.

José, funcionário da empresa, desabafou: “O nome disso se chama covardia! Aqueles peixes podres que têm no Açude Velho e no Canal… quem estava lá eram os prestadores de serviço. Eu estou trabalhando no Canal. Eles não dão uma bota de borracha. Eu chego com minha bota toda suja em casa todo dia, fedendo a lama podre… Sobre o atraso nos salários, é para o cara ir trabalhar sem receber dinheiro, é?! Existe isso?! E essa cesta básica que eles dão pra gente, o cara não come não?! É pro cara chegar em casa só olhar para o alimento, beber água e voltar para trabalhar?! A gente sem receber um centavo, com as contas atrasadas, com o cartão atrasado, aí vem água, vem luz, gás…”.

Salários pagos

No dia 19 de janeiro, os trabalhadores aprovaram, em assembleia, que iriam deflagrar greve se os salários não estivessem na conta no dia seguinte. Após a pressão da categoria e do sindicato, a empresa, acuada, depositou o pagamento na conta dos funcionários.

Para Radamés Cândido, presidente do Sindlimp-PB, “essa é mais uma mobilização que mostra que quem luta, conquista. Desde dezembro, a empresa não pagava o salário dos trabalhadores. Só depois das assembleias e panfletagens feitas pelo sindicato o salário caiu na conta. Vamos tocar a luta pra frente, pra garantir a dignidade dos trabalhadores”.

Essa conquista é fruto da luta coletiva da categoria unida ao sindicato. Viva a luta dos trabalhadores!

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

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