Diante do atraso sistemático dos repasses do SUS, o Movimento Luta de Classes reforça a necessidade de organização da categoria para enfrentar a exploração e garantir o pagamento imediato dos direitos atrasados.
Ésio Melo | Maceió (AL)
TRABALHADOR UNIDO – Os trabalhadores do Hospital Veredas, em Maceió (AL), estão em greve desde o dia 12 de novembro de 2025 em defesa do pagamento de seus salários.
Com a força da greve nas ruas, o Hospital pagou dois meses atrasados, 50% do 13º de 2025 e complementos do Piso Nacional da Enfermagem. No dia 15 de dezembro, após reunião com os sindicatos, o Veredas se comprometeu a colocar a folha em dia até o mês de abril, pagando dois salários e complementos todos os meses. Em contrapartida, após o pagamento da primeira parcela do acordo, o fim da greve deveria ser votado em assembleia.
Entretanto, o Hospital não cumpriu sua parte, e continua devendo aos seus funcionários, da enfermagem à limpeza, os meses de abril, maio, outubro, novembro, dezembro de 2025, 50% do 13º de 2024, além do complemento do piso da enfermagem de outubro e novembro de 2024 e julho, novembro e dezembro de 2025.
Pior, como forma de frear a luta e as mobilizações, aproveitou da época natalina e conseguiu, no dia 26 de dezembro, uma decisão judicial impedindo as manifestações e praticamente encerrando a greve.
“Abster-se de praticar qualquer ato que impeça ou dificulte o livre acesso de funcionários, pacientes, acompanhantes, ambulâncias, veículos de fornecimento de insumos e demais usuários às dependências do Hospital Veredas. Fica terminantemente proibido o bloqueio físico de portões e a realização de piquetes que obstem o trânsito de pessoas e bens essenciais”, determinou o Juiz do Trabalho, Carlos Arthur de Macedo Figueiredo.
A decisão em favor do Hospital caloteiro definiu ainda a multa de R$ 10 mil por dia para cada sindicato em caso de descumprimento de qualquer uma das normas, que incluem também a obrigação de 100% do efetivo nos casos em que a redução para 30% inviabilize o funcionamento do setor.
Mesmo o Hospital estando devendo seis meses de salários a mais de 700 funcionários e não tendo cumprido o acordo, o judiciário alagoano definiu que quem deve ser punido são os trabalhadores.
Sentimento de revolta
Nos corredores do Hospital, é grande o sentimento de indignação e de injustiça contra os patrões, o judiciário e o governo. “Ministério Público, Defensoria, Ministério do Trabalho, ninguém é a favor da gente. Não tem um jornal que publique. Tudo comprado! O que queremos é apenas salário em dia”, disse uma enfermeira revoltada.
Uma técnica de enfermagem, que trabalha há 28 anos no Veredas, confessou: “Não existe pior período do que esse no Hospital. A gente tinha valor quando eu entrei aqui. A gente recebia, não fechava o mês e o dinheiro tava na conta. Hoje é humilhação. Funcionários doentes e psicologicamente abalados. Não tem como ter qualidade de vida se não tem como pagar as contas”.
O atraso dos pagamentos não é novidade no Veredas. Nos últimos anos, o Hospital enfrentou diversas greves e, às vezes, mais de uma vez por ano. Por outro lado, foi o Hospital que proporcionalmente mais recebeu dinheiro público, com cifras superiores a R$ 1 bilhão em menos de dez anos.
Isso se explica porque a administração do hospital era ligada ao ex-presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP). Entretanto, com o caos no hospital, a administração foi afastada pela Justiça Federal, em outubro de 2024.
Em todo o Brasil, trabalhadores têm se levantado contra atrasos salariais, principalmente na área da saúde. Devido à política de contratualização, os repasses do dinheiro do SUS para hospitais têm atrasado e os trabalhadores são sempre os mais prejudicados.
O Movimento Luta de Classes (MLC) apoia este movimento desde o início e está sempre à disposição de organizar lutas, paralisações e greves em defesa de salários e direitos. Mais que isso, organizar a classe trabalhadora para superar esse sistema gerador das desigualdades e das injustiças, o capitalismo.
Matéria publicada na edição impressa Nº 327 do jornal A Verdade