O sonho da graduação gratuita permanece distante para a maioria dos brasileiros: das 274 mil vagas ofertadas pelo SiSU este ano, apenas 15% dos candidatos que concorreram conseguiram o acesso.
Movimento Correnteza
JUVENTUDE – Para a maioria dos estudantes brasileiros, o sonho de cursar uma faculdade gratuitamente não se realiza. No final de janeiro, após o Enem/SiSU, o Governo Federal divulgou os números do processo. Quase 5 milhões de estudantes se inscreveram para fazer a prova, mas, por diversos motivos, apenas 1,8 milhão se inscreveram no SiSU (sistema em que os estudantes competem entre si por uma vaga). Portanto, 3,2 milhões de pessoas desistiram de fazer a prova ou de concorrer a uma vaga.
O número de vagas ofertadas foi de somente 274 mil. Dessa forma, a cada 100 estudantes que decidiram concorrer por uma vaga, apenas 15 tiveram “sucesso” – mas, em muitos casos, esses estudantes tiveram que optar por cursos que não eram sua primeira opção. Se compararmos o número de vagas com o número de pessoas que fizeram a prova (contabilizando, portanto, aqueles que desistiram de concorrer), chegamos ao número de apenas 8 vagas para cada 100 candidatos.
Lucro na Educação
A falta de vagas em universidades públicas é um projeto político e econômico. No Brasil estão hoje algumas das maiores empresas de educação paga do mundo, como é o caso da Cogna Educação e da Yducs (donas de faculdades conhecidas, como a Estácio e a Anhanguera). O Brasil é o maior mercado de ensino superior privado da América Latina e o quinto do mundo. Segundo o Censo da Educação Superior, 79,8% dos estudantes atualmente matriculados no ensino superior estão em instituições privadas.
Essas empresas têm tido um crescimento vertiginoso, com o apoio do poder público. Se, por um lado, os empresários da educação financiam campanhas políticas e fortalecem seus laços com governos e deputados, por outro, estes mesmos políticos atuam para diminuir o orçamento da educação pública. A conta é simples: menos vaga nas universidades públicas, mais estudantes sendo forçados a pagar mensalidades. Assim funciona o sistema capitalista na educação.
Fim do vestibular
O discurso de que não é possível investir mais em educação pública cai por terra quando o confrontamos com outros gastos do Estado brasileiro. Nos últimos dias de 2025, às escondidas, o Congresso Nacional aprovou a diminuição do investimento em várias áreas sociais e o aumento das verbas para as “emendas parlamentares”, que ficaram conhecidas nos últimos anos como “orçamento secreto” devido aos diversos esquemas de desvio de dinheiro. Ora, como pode haver dinheiro para esse esquema criminoso e faltar para a educação, saúde, saneamento básico, combate à fome e tantas outras necessidades do povo?
Permitir o acesso do povo à universidade é uma questão de justiça com a classe trabalhadora, que constrói todas as riquezas do país. Diversos países já contam com sistemas de livre acesso (em que todos têm direito a cursar uma faculdade pública e gratuita) ou de acesso muito menos restrito do que o Brasil.
O caminho para garantir o fim do vestibular e o livre acesso à universidade é o mesmo que milhares de estudantes já trilharam na história do nosso país: a organização coletiva e a luta organizada contra a ingerência dos grandes capitalistas sobre a educação.