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quinta-feira, 12 de março de 2026

A greve acabou, a revolta não: é hora de radicalizar a luta em BH!

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Greve da educação em BH termina com revolta contra a prefeitura; trabalhadores convocam a categoria para radicalizar a luta contra o capital. Foram 17 dias de sol, chuva, humilhação e muita resistência. Cantineiras, faxineiras, porteiros e auxiliares de apoio à inclusão cruzaram os braços e pararam as escolas de Belo Horizonte. Enfrentaram a intransigência do prefeito Álvaro Damião e da secretária Natália Araújo para exigir o mínimo: dignidade e o fim dos salários de fome.

Reinilson Câmara e Isabela Sousa – Belo Horizonte (MG)



BELO HORIZONTE –
A greve acabou nesta quarta-feira (11/03) após uma mediação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT). O Sindicato (Sind-REDE/BH) apresentou o fim do movimento em tom de comemoração, destacando a redução da jornada para 40 horas e a diminuição dos descontos no ticket alimentação como grandes conquistas. Mas quem vive a realidade do chão da escola sabe que a história não é bem essa.

Para a base da categoria, que segurou essa greve no peito e na raça, o gosto que fica na boca é amargo. A verdade nua e crua é que o trabalhador saiu da assembleia se sentindo derrotado, punido e desrespeitado.

A conta que não fecha e o terrorismo de Estado

É inegável que a redução de jornada e o acerto no tíquete são pautas históricas. Mas como celebrar uma “vitória” quando o trabalhador volta para casa sem saber como vai pagar o aluguel no fim do mês?

A Prefeitura de BH e a direção da MGS, com a conivência da justiça burguesa, usaram a arma mais suja e covarde contra quem ganha pouco mais de um salário mínimo: a ameaça da fome. O corte cruel dos dias parados foi um golpe baixo para quebrar a espinha dorsal do movimento.

O sentimento da base foi perfeitamente resumido no desabafo do companheiro Rodrigo, que esteve firme na linha de frente todos os dias, mas viu a crueldade dos engravatados de perto:

“Nós perdemos tudo. Não vai ser reposto, não vencemos nada… A Natália [Araújo] entrou na conversa e derrubou tudo. Ela falou que não vai repor: não trabalhou, não recebe. Aí, com isso, o pessoal se sentiu derrotado, cansado e acabaram com a greve… Se você não alcança o objetivo e ainda tem prejuízo por parte de uma pessoa, é por parte só da Natália. É um desprezo. O trabalhador sendo desprezado.”

A dor do companheiro Rodrigo é a dor de milhares. E precisamos ser muito claros: a secretária Natália Araújo e o prefeito não agiram assim por “ruindade” pessoal. Eles agiram assim porque são os cães de guarda do capitalismo na nossa cidade. Para a burguesia e seus políticos, não importa se você limpa a escola ou cuida de uma criança com deficiência; para eles, você é uma máquina que deve custar o mínimo possível. Se a máquina para e exige direitos, o Estado usa a caneta para punir e cortar o seu pão.

O teto da luta sindical: por que a matemática da conciliação favorece o patrão?

A frustração da categoria escancara uma lição fundamental para toda a classe trabalhadora: a luta sindical tem um limite, e nós batemos a cabeça nesse teto.

O sindicato cumpriu seu papel de organizar a paralisação, mas tentar resolver a miséria do trabalhador apenas nas mesas de conciliação do TRT ou implorando bondade para a Secretaria de Educação é jogar um jogo com as cartas marcadas pelo inimigo. O TRT, o Ministério Público e a Prefeitura fazem parte do Estado burguês. Eles sentam à mesa, enrolam, transferem o problema para a suspensão de licitações, falam em migrar para OSCs (empresas privadas que lucram em cima do nosso suor) e, no fim, o prejuízo financeiro e o risco de demissão ficam no colo do trabalhador.

A direção sindical tenta pintar o quadro com tintas de vitória para manter o ânimo, mas a base sabe que trocar um reajuste parcelado pelo corte de 17 dias de trabalho não é vitória; é sobrevivência forçada. Lutar apenas pela pauta econômica (reajuste e tíquete) é lutar para afrouxar um pouco as correntes que nos prendem. Mas o sistema sempre dá um jeito de apertá-las de novo logo ali na frente.

A categoria dos terceirizados tem cor, gênero e classe

A linha de frente da greve dos terceirizados da educação de Belo Horizonte é composta por mulheres pretas, mães solo e moradoras da periferia da capital mineira. No sistema capitalista, elementos como racismo e machismo estrutural são usados como justificativa para a exploração das trabalhadoras que limpam as escolas e ajudam a criar as crianças da população belo-horizontina. Dessa forma, a burguesia lucra em cima da classe trabalhadora e se enfurece quando, não mais aguentando o salário miserável que a Prefeitura Municipal junto a empresas privadas propõe, elas se articulam e organizam uma grandiosa greve.

Além da jornada extensa de trabalho, com pouca ou nenhuma estrutura para fazer suas tarefas com qualidade, as mulheres dessa categoria precisam enfrentar outra jornada de trabalho em suas casas. Sem dignidade no trabalho, não há dignidade para seus próprios filhos e família, nem para elas mesmas. Aumento de salário, redução da carga horária… nada disso é pedir demais. É o mínimo para se viver bem, com qualidade, e foi essa certeza que levou a greve a perdurar, apesar dos cortes dos salários dos trabalhadores e das trabalhadoras.

“A gente sai (da greve) decepcionada? Sai, né, mas com a cabeça erguida!”, diz a companheira Márcia, que compôs o comando de greve e inspirou muitas outras colegas com suas intervenções, postura e atitudes nessa luta. São mulheres como ela que nos mostram que, apesar de todo o cansaço que o capitalismo nos impõe, são as mulheres que mais entendem e sabem da dor da superexploração e, por isso, se organizam para que superemos esse sistema, que só sabe nos matar. “Mas nós vamos aí superando! Eu ainda acho que a luta sempre vale, mesmo a gente perdendo financeiramente […] Sempre ela vai valer!”

Transformar a indignação em organização política: junte-se ao MLC!

O pior erro que podemos cometer agora é deixar que esse sentimento justíssimo de desprezo se transforme em desânimo ou em ataques entre nós mesmos. O desânimo do trabalhador é a verdadeira vitória do patrão.

Se a greve nos ensinou algo, foi que somos fortes o suficiente para parar a educação de Belo Horizonte. Mas se a força de parar o trabalho não foi suficiente para dobrar a Prefeitura, é porque o problema central não é apenas econômico, é político! Enquanto o poder político estiver nas mãos da burguêsia, que loteia a cidade para empresas terceirizadas e lucra com a nossa precarização, viveremos de migalhas. Não basta lutarmos apenas como terceirizados exigindo aumento; precisamos lutar como classe trabalhadora exigindo o poder!

É por isso que chamamos você, que saiu dessa greve frustrado, indignado e com sangue nos olhos, a dar um passo definitivo. Venha se organizar politicamente no Movimento Luta de Classes (MLC). Precisamos construir uma ferramenta de luta que não se curve aos tribunais burgueses e que não se contente com a conciliação.

Você, mulher trabalhadora, que carrega nas costas não só sua família, mas a sociedade inteira, venha se organizar! Para superarmos esse sistema patriarcal construído com base na nossa exploração, é preciso que nos organizemos coletiva e ativamente! O mesmo sentimento de revolta que deflagrou a greve é motivo para que sigamos em luta juntas!

Precisamos apoiar, ler e distribuir o jornal A Verdade, que dá voz ao que a grande mídia e a Prefeitura tentam calar. A revolta que você está sentindo agora é o combustível da revolução. A exploração, a humilhação das licitações e os salários de fome só vão acabar quando nós destruirmos esse sistema capitalista podre e construirmos uma sociedade socialista. Uma sociedade onde quem tudo produz, a tudo decide. A batalha dos 17 dias acabou. Mas a guerra de classes está longe do fim. Transforme sua dor em organização. Junte-se ao MLC!

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