A educação no Brasil enfrenta um momento muito difícil. Com os cortes nas verbas e um projeto de sucateamento e privatização rondando em vários estados, a Paraíba também tem passado por essas dificuldades.
Lohan Nóbrega e Mateus Felipe | Paraíba
EDUCAÇÃO- Diversas escolas de Cabedelo, cidade localizada na Região Metropolitana de João Pessoa, tiveram o início do ano letivo atrasado, devido ao descaso e negligência por parte da Secretaria de Educação do Município (Seduc) e da Prefeitura, uma realidade que, infelizmente, já se tornou comum e recorrente na cidade. A maior parte dos alunos só puderam voltar a estudar no início de março, o principal motivo foi a falta de infraestrutura das escolas para receber os estudantes durante o período de chuvas. Pense na dificuldade de assistir às aulas em um local afetado por infiltrações e alagamentos, com pedaços do teto da sala de aula caindo enquanto os alunos deveriam estar estudando.
E mesmo após o retorno às aulas o relato dos estudantes é assustador, banheiros descritos como caóticos tinham chão molhado, falta de sabonete, torneiras quebradas e portas sem trancas, comprometendo higiene e privacidade. Paredes descascadas com mofo, ventiladores sujos acumulando poeira, causando crises alérgicas, além de climatizadores quebrados. Além disso, não há televisão para apoio pedagógico, e a quadra esportiva possuí estruturas metálicas danificadas, oferecendo risco de infecção e acidentes.
Relatos de alunos também apontam problemas graves na merenda escolar, com denúncias de entrega de bolo mofado na cantina e merendas de baixa qualidade, muitas vezes restritas a bolacha e iogurte diluído em água. Também foram registrados casos de arroz com sardinha contendo bichos e até larvas, situação que coloca em risco a saúde dos estudantes.
Sabemos que as repercussões vão além do atraso e suspensão das aulas. Mães são forçadas a pedir demissão de seus empregos para cuidar de seus filhos em casa. Alunos que enfrentam insegurança alimentar não podem contar com a escola como um local de acesso à alimentação. Por sua vez, os professores lidam com a precarização de seu trabalho, sem os aumentos salariais adequados e sem condições apropriadas para desempenhar suas funções.
Desmonte
O adiamento das aulas, portanto, não é um evento isolado, mas sim um reflexo de uma estrutura marcada pela negligência e pela ausência de compromisso com a educação pública e com as camadas mais vulneráveis da população.
Muitos alunos continuam sem qualquer previsão para o retorno das aulas. E, quando finalmente retornarem às suas instituições, a realidade pouco deve mudar e encontrarão a mesma infraestrutura precarizada, marcada por problemas estruturais que há anos não recebem a atenção necessária do governo municipal.
Luta
Diante desse cenário, a organização coletiva se torna urgente. É necessária a mobilização por uma educação que seja verdadeiramente planejada para os alunos, com dignidade, infraestrutura adequada e respeito à comunidade escolar.
Não se pode aceitar o desmantelamento da educação pela prefeitura, especialmente quando isso afeta direitos básicos da população. A educação não deve ser tratada como gasto a ser reduzido, mas sim como uma prioridade social. A comunidade escolar precisa ser escutada, respeitada e colocada no centro das decisões.
A origem desse problema não se limita a má gestão: é o próprio sistema capitalista que coloca o lucro acima da vida e transforma direitos em cortes orçamentários. Enquanto a educação pública é sucateada, recursos são direcionados para interesses que não atendem às necessidades da população.
Por isso, o chamado é claro: professores, estudantes e famílias que estão revoltados com essa realidade precisam se organizar. A luta não é apenas pelo retorno das aulas, mas por uma educação pública valorizada e acessível.
Junte-se a UJR! Pela educação pública, gratuita e de qualidade para os estudantes!