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quinta-feira, 12 de março de 2026

Estudantes reencontram escolas com graves problemas de estrutura

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Enquanto o orçamento público é drenado por desvios e pelo pagamento de juros da dívida pública, o sucateamento das escolas é marcado pela falta de professores, banheiros sucateados e salas de aula sem ventilação.

Movimento Rebele-se


JUVENTUDE – Durante o mês de fevereiro, milhões de estudantes voltam às aulas nas escolas de ensino fundamental e médio. Infelizmente, uma grande parte desses jovens encontrarão as escolas com os mesmos problemas estruturais dos últimos anos.

O problema começa na sala de aula, em especial com a falta de professores em muitas escolas, impedindo que os estudantes possam ter aulas de todas as disciplinas. O calor também afeta um grande número de alunos e professores, já que muitas escolas não contam com ar-condicionado ou ventiladores de boa qualidade. Não existem laboratórios para aulas práticas e, frequentemente, faltam até mesmo sabão e papel higiênico nos banheiros sucateados.

Escolas precárias 

No ano passado, do Norte ao Sul do Brasil, estudantes revoltados com a situação de suas escolas se posicionaram em manifestações e redes digitais. “A merenda estava vindo com larva e tinham estudantes passando mal de calor! Nem tinha aula o dia inteiro, porque, nessas condições, as diretorias achavam melhor liberar os estudantes para irem para casa”, relata Rayana Rodrigues, presidenta da União dos Estudantes Secundaristas de Pernambuco (Uespe). 

Fica o questionamento: nessas condições, como manter as turmas em sala? Como educar e preparar esses jovens para os vestibulares e a vida? 

Em São Paulo, o governo estadual não se preocupa com a situação das instituições de ensino. Na Zona Sul da capital paulista, uma aula da E.E. Pastor Emílio diz que não é possível mais ficar calado: “Na minha escola a quadra estava há três anos fechada. Ninguém podia jogar, correndo risco de caírem pedaços na nossa cabeça. A gente parou as aulas, fizemos cartazes, toda a comunidade se envolveu”, disse.

Cadê a verba das escolas?

Essa precarização das escolas públicas brasileiras não acontece por acaso. No sistema capitalista, os grandes empresários controlam, na prática, a política econômica dos governos. Prefeitos, governadores, deputados, vereadores e todo tipo de autoridade pública mantêm relações criminosas com essa elite financeira e se apropriam do dinheiro público, fruto do trabalho de milhões de brasileiros, por meio de contratos superfaturados, licitações fraudulentas ou desvio de dinheiro das emendas parlamentares. O mais grave dos esquemas é o pagamento dos chamados juros e amortizações da Dívida Pública, que destina quase metade de todo orçamento do país para banqueiros e especuladores já muito ricos.

Do outro lado dessa balança estão os investimentos em áreas sociais, sempre sofrendo cortes orçamentários “em nome da saúde da economia” e “do equilíbrio fiscal”. Esses argumentos nunca são evocados pelos grandes canais de televisão ou pelos políticos no poder quando se trata dos seus privilégios e esquemas de desvio de dinheiro público, mas sempre são colocados na mesa quando se trata de destinar o orçamento do país para as necessidades do povo trabalhador e da juventude.

No Paraná, o deputado Luis Corti (PSB) propôs, via PL 390/2025, instituir “vouchers” para incentivar a compra de materiais escolares em empresas privadas – um “jeitinho” de escoar dinheiro público para esses empresários e desresponsabilizar o Governo do Estado pela entrega dos materiais. 

Outro exemplo é o programa “Sala do Futuro”, em São Paulo, modelo que entrega (desde o começo sem licitação!) milhões do nosso orçamento para plataformas digitais e para a compra de aparelhos eletrônicos. Veja que ironia: a empresa Multi, ligada ao secretário de Educação do Estado, venceu parte de um desses “megaeditais”. 

Manifestações

No Ceará, a estudante Beatriz Martins, presidenta da União dos Estudantes Secundaristas da Região Metropolitana de Fortaleza (Uesm), conta com orgulho como os estudantes estão enfrentando esses ataques contra a Educação: “Ocupamos a Secretaria de Educação duas vezes com alunos de várias escolas. Em uma delas, a Adauto Bezerra, a luta era pela expulsão de um professor acusado de assediar alunas e pela reabertura da quadra. Na Creusa do Carmo não tinha professor de educação física. Em outras escolas, a luta era pelo ar-condicionado e por ventiladores. As manifestações dos estudantes trouxeram conquistas: ar-condicionados em todas salas de aula de duas escolas, a expulsão do professor que assediou alunas e, pela primeira vez em anos, o interclasse do pessoal que estuda lá no Adauto”.

Em São Paulo, na ETEC Júlio de Mesquita, os estudantes conquistaram a reforma de um bloco da escola que estava praticamente interditado. “A verdade é que, mesmo com as denúncias frequentes, só deram atenção quando um ventilador deu curto. Pegou fogo até na mochila do menino. O Movimento Rebele-se lá da escola convocou uma assembleia, organizou a manifestação na porta da escola e a resposta não demorou a vir: conquistamos o investimento de 3 milhões para a ETEC”. 

A defesa da educação pública é uma batalha constante e diária contra os interesses dos grandes capitalistas da educação e dos políticos que representam os interesses dos ricos. Ao longo da história, diversos direitos estudantis só passaram a existir após grande pressão dos estudantes e dos trabalhadores da educação, como é o caso da merenda escolar e do passe livre no transporte público nas cidades em que esse direito é garantido.

Essas lutas também formam toda uma nova geração de jovens conscientes dos seus direitos e dispostos a se organizar. A participação em manifestações, a organização dos grêmios estudantis e outras iniciativas dos jovens dentro das escolas combatem a ideia de que devemos pensar somente em nós mesmos, fortalece a coletividade e faz com que os estudantes compreendam as raízes da desigualdade social e da precariedade das escolas.

Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade

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