O assédio que as mulheres passam nos seus locais de trabalho é mais uma das consequências da exploração do trabalho pelos grandes ricos, que tomam a riqueza produzida por elas e as mantém trabalhando em uma escala desumana e humilhante.
Luiza Wolff | Movimento Olga (SC)
MULHERES – As mulheres são 52% das chefes de família no Brasil e recebem cerca de 20% a menos que os homens pelas mesmas funções no trabalho (JAV, Edição Nº 327). São elas também os sujeitos que todos os dias sofrem assédio sexual ou moral nos locais de trabalho.
No ano de 2025, segundo o Tribunal Superior do Trabalho (TST), cresceu em 22,3% o número de processos por assédio moral e aumentaram em 40% o número de processos de assédio sexual nos locais de trabalho em 2025. Vale também ressaltar que a taxa de afastamentos por saúde mental foi de mais de meio milhão de pessoas no Brasil em 2025.
O crescimento desses dados se dá juntamente com o aumento da retirada de direitos trabalhistas promovida pela Reforma Trabalhista de 2017, que fez mais de 100 mudanças na CLT e ampliou a terceirização e também pelo aumento significativo da violência contra a mulher no Brasil, que no ano de 2025 deixou aproximadamente 4 vítimas de feminicídio por dia.
O que é assédio?
A cartilha do Movimento de Mulheres Olga Benario define o assédio como sendo “Qualquer ato contra a vontade da mulher que cause constrangimento, humilhação ou medo. Pode acontecer na rua, mas também em ambientes privados, como no trabalho”. O assédio pode se dar de diversas maneiras, o assédio sexual: os atos sexuais contra a vontade da mulher, ou o assédio moral: ato que humilha, constrange, ou gera medo em pessoas, de forma moral. Em muitos casos, fica claro o uso dos locais de poder, ou de maiores hierarquias, para assediar sexualmente e moralmente as trabalhadoras.
Muitos trabalhadores dentro das fábricas ou nos locais de trabalho sofrem assédios morais de seus superiores, quando são ameaçados de demissão por não baterem as metas ou quando são humilhados durante as reuniões de trabalho. Porém, além deste tipo de assédio, muitas mulheres sofrem, dos seus próprios colegas de trabalho assédio sexual. São “cantadas”, toques, comentários sobre sua aparência e outras atitudes que constrangem, humilham e tornam o ambiente de trabalho das mulheres cada vezs mais hostil e perigoso.
Como foi o caso de uma trabalhadora da BRF em Chapecó, Santa Catarina. Em relato para o Jornal A Verdade, ela explicou que um trabalhador do seu setor passou por ela, “roçando” sua parte íntima nela. Sua colega de trabalho relatou: “O sentimento que ela tem é que dentro da empresa não importa se você é assediada ou não, eles vão tentar abafar o caso, que foi o que fizeram com ela, tentaram mudar ela de setor, e não fizeram nada efetivamente com ele.”
Outra trabalhadora, da fábrica Bahia Têxtil, na Bahia, relatou ter sofrido assédio de seu supervisor, e que só vai ao trabalho porque precisa, porém, todas as vezes que o vê, sente-se muito mal e ansiosa. Ao fazer uma brigada nessa fábrica, Giovanna, militante do Olga Benario falou a esta mulher que ela não estava sozinha, mas que provavelmente também outras mulheres passam por isso dentro da fábrica e, por isso, devemos nos organizar contra a violência que sofremos.
Luta contra o assédio
Porém, as mulheres historicamente são grande parte dos trabalhadores no Brasil, e sempre lutaram para não passar por esse tipo de situação em seus locais de trabalho. A primeira greve geral do país, em 1917, iniciou-se na fábrica Cotonifício Crespi em São Paulo, de maioria mulheres, e que teve como uma de suas pautas, a luta contra o assédio sexual nos espaços profissionais.
O assédio que as mulheres passam nos seus locais de trabalho é mais uma das consequências da exploração do trabalho pelos grandes ricos, que tomam a riqueza produzida por elas e as mantém trabalhando em uma escala desumana e humilhante. Por isso, é necessária a luta pelo socialismo, onde pertença às mulheres e aos homens trabalhadores o fruto do seu trabalho e a liberdade de uma sociedade sem assédio.
Matéria publicada na edição impressa Nº 329 do jornal A Verdade