O povo Kamakã resistiu até o último momento para realizar o enterro do corpo de Merong no território retomado.
Coletivo Cacique Merong
LUTAS DOS POVOS INDÍGENAS – No dia 06 de março de 2026, completam-se dois anos do plantio do Cacique Merong no território da Retomada Indígena Kamakã Mongoió, em Brumadinho (MG). Merong foi encontrado sem vida, no local da retomada, após sofrer pressões e ameaças. Nesses dois anos, a investigação sobre as circunstâncias da sua morte não avançou. Por isso, seguimos reivindicando memória e justiça para nosso companheiro.
O povo Kamakã resistiu até o último momento para realizar o enterro do corpo de Merong no território retomado. A Vale S/A conseguiu uma liminar na Justiça burguesa para impedir que Merong fosse enterrado no território que retomou junto aos seus parentes.
A Retomada Kamakã Mongoió é resistência em meio a um território minerado e atingido por um dos maiores crimes trabalhistas do mundo. Com a bela paisagem da Serra da Moeda, no Vale do Córrego Areias, entre Casa Branca e Piedade do Paraopeba, em Brumadinho.
Mesmo após o crime ocorrido em janeiro de 2019, que matou 272 trabalhadores da Vale, a empresa continua impondo a sua presença econômica e política na cidade, moldando o território segundo a lógica da extração – retirar, exportar, acumular.
O rompimento da barragem da Vale não foi um acidente, mas a expressão extrema de um modelo de mineração que coloca o lucro acima da vida. É por isso que defendemos a reestatização da Vale, para que o povo brasileiro possa decidir a forma de explorar os seus recursos minerais e que crimes trabalhistas como esse deixem de ocorrer.
A continuidade das operações da Vale em Brumadinho, mesmo após o crime, evidencia o poder do capital mineral no Estado de Minas Gerais e a necessidade de uma organização combativa quanto a esse modelo. Enquanto a Vale lucra, as comunidades atingidas lutam por reparação integral, e os povos originários lutam por reparação e demarcação dos seus territórios resistindo à ameaça constante do avanço da mineração.
Apesar de todo esse contexto predatório da mineração, o povo Kamakã Mongoió segue em resistência e irá completar cinco anos de Retomada neste ano de 2026. Precisamos fortalecer a luta pela demarcação dessa terra que abriga hoje diversas famílias, que, com muito trabalho coletivo, têm transformado uma área de mineração abandonada em local de moradia e cultivo de frutas, hortaliças, ervas, milho, feijão e, ao mesmo tempo, preservando matas, animas e nascentes. Além da produção de alimentos, seguem construindo casas, no formato de mutirão, para suas famílias, bem como espaços pedagógicos de saber e conhecimento ancestral.
O Coletivo Cacique Merong tem compromisso com as retomadas indígenas porque sabe que é assim que se barra o avanço da mineração e se defende as terras e águas da sanha do capital mineral.
Reestatização da Vale S/A Já! Pela defesa da soberania do povo brasileiro e a defesa e proteção das terras, serras e águas sagradas!
Queremos as serras de pé e os rios vivos!
Cacique Merong Kamakã Mongoió presente!