No marco de seus 15 anos, o Movimento de Mulheres Olga Benario avança o desenvolvimento da sua organização a nível internacional com um ato de lançamento em Portugal nos dias 6 e 7 de março de 2026.
Vanessa Couto e Larissa Santos | Portugal
INTERNACIONAL – No ano em que completa 15 anos de organização e luta, com presença consolidada em 23 estados e no Distrito Federal, o Movimento de Mulheres Olga Benario avança para uma nova etapa de sua construção política: está em desenvolvimento a sua organização a nível internacional! O ato de lançamento ocorrerá nos dias 6 e 7 de março de 2026, em Portugal. Esta iniciativa consolida um processo coletivo de formação, organização e internacionalização da luta das mulheres trabalhadoras, desenvolvido ao longo de 2025, a partir das tarefas definidas no 2º Encontro de Verão da Unidade Popular Socialismo.
Naquele encontro, as militantes apontaram como central a necessidade urgente de organizar as mulheres trabalhadoras da Europa diante do aprofundamento da exploração capitalista, da retirada de direitos e do avanço da violência contra as mulheres em escala global. Os dados alarmantes de feminicídio, violência doméstica, precarização do trabalho e sobrecarga do trabalho reprodutivo evidenciam que a opressão de gênero segue como um dos pilares de sustentação do sistema capitalista.
Como resposta política a esse cenário, as militantes da UP iniciaram um ciclo de formação a partir da 4ª edição da Cartilha do Movimento Olga Benario, voltado ao desenvolvimento político das camaradas e à preparação para o lançamento internacional. Esses ciclos têm como objetivo fortalecer a compreensão teórica e prática sobre a origem da opressão das mulheres, a relação entre patriarcado e capitalismo, a história das lutas feministas marxistas e o papel das mulheres na construção da sociedade socialista.
As formações vêm sendo realizadas de maneira sistemática em Portugal, nas cidades de Lisboa e Porto, abertas ao público e articulando militantes de diferentes nacionalidades e realidades, reforçando o caráter internacionalista do movimento.
Desde agosto de 2025, os encontros têm abordado os temas da cartilha e contextualizado os dados do cenário português, estabelecendo paralelos com os acúmulos do Brasil e permitindo às militantes exercitar a análise crítica das condições sociais em que estão inseridas. Essa prática tem orientado o debate sobre a organização política como meio fundamental para transformar a realidade.
É notável o desenvolvimento das companheiras ao se debruçarem sobre os temas, construindo confiança para falar em público e iniciar debates importantes sob a perspectiva marxista-leninista. O processo também tem ampliado o alcance do Olga para mulheres ainda não organizadas e contribuído para educar camaradas contra práticas e discursos machistas, uma barreira histórica encontrada por mulheres em organizações de esquerda no mundo inteiro.
O trabalho formativo não se limita ao acúmulo teórico: está profundamente ligado à prática política concreta, por meio da intervenção nos territórios, da construção de núcleos e da atuação junto às mulheres trabalhadoras, imigrantes, jovens, mães, mulheres negras, LGBTIA+ e mulheres com deficiência. A perspectiva é objetiva: organizar para lutar e transformar a realidade material das mulheres nos locais onde vivem e atuam politicamente.
Nesse contexto de fortalecimento internacionalista, militantes da Unidade Popular e do Movimento de Mulheres Olga Benario estiveram, no dia 9 de janeiro, em Berlim, onde visitaram a Galeria Olga Benario, espaço organizado pela Associação de Vítimas e Perseguidos do Regime Nazista (VVN/VdA), entidade antifascista fundada em 1984. A galeria preserva há mais de quatro décadas a memória e o legado revolucionário de Olga Benario.
Durante a visita, as militantes foram recebidas por Katinka Krause, voluntária do espaço, e realizaram um gesto simbólico que expressa a continuidade da luta: a entrega da bandeira do Movimento de Mulheres Olga Benario à galeria. A bandeira foi imediatamente colocada na vitrine principal, ao lado das vestes de Olga, reafirmando o vínculo entre passado, presente e futuro da luta revolucionária das mulheres.
A visita reforçou o sentido político do lançamento internacional: honrar a memória das mulheres que lutaram contra o fascismo e o capitalismo e, simultaneamente, assumir a tarefa histórica de organizar as mulheres trabalhadoras no presente.
O Movimento de Mulheres Olga Benario nasceu com a convicção de que não existe emancipação das mulheres sem a superação do capitalismo, e o lançamento internacional será o resultado direto desse processo coletivo de formação, organização e internacionalismo que marca a trajetória do Movimento.
No dia 8 de março, estaremos nas ruas de Portugal pelos direitos das mulheres e pelo socialismo.
Matéria publicada na edição impressa Nº 328 do jornal A Verdade