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domingo, 12 de abril de 2026

Edson Luís é homenageado em protestos por melhorias nas escolas públicas

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No último dia 26 de março, milhares de estudantes secundaristas ocuparam as ruas das principais capitais brasileiras em uma jornada de lutas que homenageou o legado de Edson Luís, assassinado pela ditadura militar em 1968.

Yasmin Farias (Rebele-se) e Daniel Tito (Fenet)


JUVENTUDE – No dia 26 de março, milhares de estudantes foram às ruas em homenagem a Edson Luís, estudante secundarista assassinado em 1968 pela ditadura militar fascista enquanto protestava por melhorias no Restaurante Calabouço, antigo restaurante estudantil no Rio de Janeiro. Neste ano, as manifestações exigiram melhorias na estrutura das escolas, na qualidade da merenda e o fim da violência e do assédio contra as estudantes mulheres.

Atos em diversas cidades

No Estado de São Paulo, algumas escolas tiveram as aulas paralisadas pelos estudantes como forma de protesto. Os estudantes buscaram resgatar o exemplo das históricas ocupações de escolas ocorridas em 2016. Na ocasião, foram mais de mil instituições de ensino ocupadas para pressionar os Governos por mais investimentos na educação. As ocupações contavam com atividades políticas, culturais e esportivas e deram vida às escolas, permitindo que os alunos pudessem ser parte ativa da construção do ambiente escolar.

Em Brasília (DF), estudantes também protestaram na Secretaria de Educação, localizada dentro de um Shopping. O fato de o espaço ser privado foi usado como prerrogativa para que a Polícia reprimisse a manifestação, usando spray de pimenta e desferindo socos e tapas em estudantes menores de idade, que protestavam pacificamente exigindo melhorias para suas escolas, a desmilitarização e a investigação do desvio de R$ 40 milhões da educação no DF. “Apesar da repressão absurda, não saímos com as mãos abanando. Conquistamos uma mesa de negociação permanente entre a Secretaria e as representações estudantis. Mas isso está longe de ser suficiente. Seguiremos lutando”, afirma Samira Prestes, diretora da Ubes pelo Movimento Rebele-se.

Em Belém (PA), alunos da Escola Deodoro de Mendonça organizaram um protesto contra casos de assédio, exigindo medidas da diretoria escolar e do Governo. Na noite anterior, os alunos da escola vizinha, EEEFM Ulysses Guimarães, ficaram sabendo da mobilização e organizaram uma paralisação. A escola estava sem água há dias, sem condições dignas para estudar. Fruto dessas lutas, a Secretaria de Educação se comprometeu a visitar as escolas para atender as reivindicações dos estudantes.

Outras manifestações ocorreram em Florianópolis (SC), Fortaleza (CE), Belo Horizonte (MG), Maceió (AL), Porto Alegre (RS), Natal (RN), entre outras cidades.

Algumas reivindicações se repetiram em vários locais, como a climatização das salas de aula, a estrutura para as quadras poliesportivas, refeitórios e banheiros, além da qualidade da merenda. Apesar das justas reivindicações, as respostas de muitos dos Governos Estaduais foi acionar a Polícia Militar e dificultar o diálogo.

Violência contra as mulheres

Nos últimos meses, o Brasil tem vivido uma alta do número de casos de feminicídio e de outras formas de violência contra as mulheres. Essa violência chega também às escolas: são muitos os relatos de assédio sexual contra estudantes, inclusive, praticado por professores.

Em fevereiro, um caso no Rio de Janeiro chamou a atenção de todo o país pela violência e crueldade: quatro estudantes homens estupraram uma estudante e comentaram a situação aos risos no elevador enquanto deixavam o local, confiantes na impunidade. Essa realidade fez com que a luta contra o assédio se tornasse um dos temas centrais das manifestações estudantis do último dia 26.

Neste dia, na capital fluminense, cerca de 300 estudantes marcharam até a Secretaria de Educação do Estado, onde queimaram um boneco do ex-governador Cláudio Castro, declarado inelegível pelo Tribunal Superior Eleitoral por abuso de poder político e econômico e captação ilícita de recursos nas últimas eleições.

O protesto também denunciou a agressão de um policial militar contra estudantes que organizavam uma manifestação, no dia anterior, exigindo o afastamento de um professor acusado de assédio sexual dentro de uma escola.

Marissol Lopes, presidente da Associação Municipal de Estudantes Secundaristas (Ames), e Theo Oliveira, diretor da Associação dos Estudantes Secundaristas do Estado do Rio de Janeiro (Aerj), que organizavam a manifestação contra assédio sexual no Colégio Amaro Cavalcanti, no Largo do Machado, quando foram agredidos e detidos. Também foi detido João Herbella, diretor do DCE-UFRJ. Ele apoiava a manifestação e o seu “crime” foi gravar o que os policiais fizeram com os outros dois estudantes. Entretanto, com a repercussão do vídeo caso e a solidariedade da população, o policial agressor foi afastado.

“Não podemos fechar os olhos para a violência contra as mulheres, em especial contra as crianças e adolescentes. Se combatermos essas violências e essas ideias machistas na escola, onde formamos nossa consciência, teremos mais força para derrotar o machismo na sociedade”, afirmou Marissol.

Congresso da Ubes

Entre os dias 16 e 19 de abril, ocorrerá, em São Bernardo do Campo (SP), o 46º Congresso da União Brasileira de Estudantes Secundaristas (Ubes), que reunirá jovens de todo país para debater política e a situação da educação.

A liberdade dos estudantes organizarem seus Congressos nem sempre esteve garantida. No mesmo ano do assassinato de Edson Luís (1968), a ditadura militar prendeu cerca de mil estudantes no Congresso da União Nacional dos Estudantes (UNE), em Ibiúna (SP).

A luta pelas liberdades democráticas custou a vida de muitos brasileiros, que enfrentaram o regime que torturava e assassinava seus os opositores. Cabe aos estudantes do presente honrarem o legado desses heróis, que lutaram pelos direitos do povo e pela educação no momento de maior repressão política.

“Os estudantes que organizaram as manifestações do dia 26 de março estarão presentes com o Movimento Rebele-se, defendendo que a única forma que o estudante tem para transformar a sua realidade e a sua escola é se organizar coletivamente, participar do Grêmio Estudantil, promover debates e manifestações e estudar os motivos pelos quais as escolas públicas brasileiras enfrentam tantos problemas”, afirma Beatriz Saraiva, diretora da Ubes. “Hoje, a grande burguesia, aliada a políticos corruptos da extrema-direita e do Centrão, sequestra o orçamento do país. Diminuem o orçamento para a escola pública e fazem com que as famílias brasileiras ou tenham que se contentar muitas vezes com escolas sem professores ou sem estrutura, ou tentem fazer milagre para conseguir pagar uma escola particular”, completa.

Matéria publicada na edição impressa nº 331 do jornal A Verdade

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