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sábado, 11 de abril de 2026

Fábrica Guararapes lucra milhões, enquanto operárias recebem auxílio-alimentação de 40 reais

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As mais de 10 mil operárias da Guararapes, em Natal (RN), enfrentam um cenário de precarização que contrasta com o lucro milionário da maior fábrica de moda da América Latina.

Redação RN


TRABALHADOR UNIDO – A realidade imposta às operárias no Brasil é extremamente cruel: jornadas exaustivas, assédios, salários baixos, altas pressões por metas. No Rio Grande do Norte não é diferente. Na maior fábrica de moda da América Latina, a Guararapes, localizada em Natal, e com mais de 10 mil operários, as denúncias não param de chegar: vale-alimentação de míseros R$ 40,00; horários do almoço não cumpridos e não dados pela fábrica; longas filas de almoço; descansos prejudicados e não aproveitados; perseguição e fiscalização das trabalhadoras que “demoram” no banheiro, etc. 

As denúncias não se limitam às questões econômicas, e vão para o lado político. É comum os brigadistas de A Verdade ouvirem das operárias: “Não adianta nada esse panfleto que vocês dão, pois eles não deixam a gente ler lá dentro”.

Uma das trabalhadoras da fábrica, Alba Silva [nome fictício], relata o tratamento dado pela empresa: “Já tive amigas que colocaram na justiça a questão das horas do almoço e do descanso, algumas conseguiram e outras não. Mas a fábrica comprava os advogados. Tive outra amiga que estava de perícia, que batia a meta e sempre cumpria o horário, mas demitiram. Ela entrou na justiça e o juiz disse que estava tudo ‘ok’. E, quando foi embora saber a sentença, o advogado foi comprado pela Guararapes e disse que tinha perdido a causa”.

Exploração e mais-valia

As denúncias não param por aí! No último trimestre, a fábrica teve cerca de 74 milhões de reais em lucros. Porém, de acordo com a Federação das Indústrias do Rio Grande do Norte (Fiern), a média salarial no setor de confecções no RN é de R$ 1.392,00.

Enquanto os patrões e donos do grupo lucram cada vez mais, as trabalhadoras são ainda mais exploradas. Em conversas e coleta de relatos, as operárias contaram sua realidade: “Eu tinha que costurar 100 peças por hora, e o encarregado vinha olhar o papel para ver as metas”. Outras afirmam que, por dia, costuram até 1.000 peças. Peguemos, então, os ensinamentos do grande filósofo do socialismo, Karl Marx, para um rápido cálculo: uma operária produz por dia de trabalho cerca de 800 peças; cada peça custa, em média, R$ 60,00 nas lojas da Riachuelo. Portanto, essa operária produz cerca de R$ 48.000 por dia. Ao longo de um mês trabalhado (cerca de 22 dias), produz o equivalente a R$ 1.056.000,00. Logo, em apenas 20 minutos, essas trabalhadoras produzem mais que seu salário do mês! A pergunta é: com quem fica o restante?

Basta de exploração

Muitos trabalhadores, com medo do desemprego, acabam “aceitando” essa exploração. Dizem ser “melhor que eu poderia conseguir… é o emprego mais estável que já tive”, relatam. Essa situação expõe as contradições do sistema capitalista: enquanto os patrões lucram às custas dos trabalhadores, as condições de vida impostas a essa classe são tão precarizadas, que muitos submetem-se ao trabalho na fábrica “agradecendo” pela oportunidade de fugir do desemprego. Será que isso diminui a realidade de exploração na fábrica? É evidente que não!

Os patrões exploram até a última gota de suor da classe operária, precisam dela para existir e viver, mas a classe operária não precisa dos patrões. Pouco a pouco a categoria vem demonstrando reconhecimento no trabalho feito pelo jornal A Verdade, pelo Movimento Luta de Classes e pelo Movimento Olga Benario, que todas as semanas estão cedinho na porta da fábrica conversando com as operárias.

Infelizmente, o sindicato das costureiras é dirigido há mais de 40 anos por uma gestão que não tem compromisso com a categoria. Na última eleição, apenas 140 trabalhadores votaram. Ora, para uma base grande como essa, isso é quase nada. Mas há explicação: a direção se vendeu e se vende todo dia para os patrões. A última greve que os trabalhadores da Guararapes realizaram foi em 1989!

Essa situação tem que mudar. Para isso, é necessário que as operárias tomem o destino em suas mãos e costurem uma grande greve em defesa de seus direitos, por melhores condições de salário, por redução na jornada de trabalho e aumento no vale-alimentação, bem como conduzir uma ampla campanha de creches nos locais de produção.

A saída passa por construir uma oposição sindical à atual direção do sindicato das costureiras, realizar grandes agitações e organizar elas para a causa do socialismo.

Matéria publicada na edição impressa nº 331 do jornal A Verdade

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