Heloisa Araújo | São Paulo
Camarada Verdade,
Meu fiel companheiro
Andas comigo de noite,
Mas também o dia inteiro.
Não poderia te trocar
Por qualquer outro folheto
Pois você possui mais profundidade
Do que um oceano inteiro.
Quando eu chego de manhã na fábrica
Tenho você em minhas mãos
Mas logo vai para as de outro irmão
apresentar as ideias da revolução
Fico muito triste, camarada
Quando não te vejo com algum operário,
Mas sim dentro da gaveta,
Ou guardado no armário.
És de fato como um andaime,
Facilita nossa construção,
Mas às vezes alguns pedreiros,
Se esquecem que a obra é a insurreição.
Atuam sem equipamentos de segurança
Quase como numa corda bamba,
Caminhando sem ver a luz,
o farol da esperança
Mas se passam quinze dias e você chega novamente
Que alegria te encontrar,
Nosso melhor correspondente!
Nos relembra do principal:
O cimento, a areia e as pedras
Nada fariam de maneira concreta
Se não fossem misturados pela mão do proleta.
Então assim como tudo na terra
Você também é feito por nós
E exatamente por isso é tão poderoso:
possui dentro de si, as mãos de todo um povo